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sexta-feira, junho 22, 2007

Promessa Atacante da Semana: Stefan Babovic


O conjunto sérvio, agora orfão de montenegrinos, está a realizar mais um excelente Europeu de Sub-21. Na competição do ano passado, realizada em terras portuguesas, ficaram pelo caminho nas meias-finais, derrotados então pela Ucrânia, através da marcação de grandes penalidades. Amanhã, a outsider (na opinião da maioria) Sérvia vai defrontar a anfitriã da prova, numa final que se prevê bem disputada.

Dos vários jogadores valiosos que a selecção sérvia possui, destaque para o talentoso Stefan Babovic, médio criativo nascido em... Montenegro. Pedra basilar tanto na selecção como no seu clube, o OFK Belgrado, Babovic é dotado de qualidade técnico-táctica bem acima da média. Titular nos primeiros 4 jogos deste Europeu 2007, será com certeza, titular na partida de amanhã e irá rumar a outras paragens para a próxima época, pois o OFK é pequeno para as aspirações daquele a quem chamam o "Messi da Sérvia".


Ficha Técnica



Nome: Stefan Babović
Data de nascimento: 07/01/1987 ( 20 anos)
Local de nascimento: Berane, Montenegro
Altura: 176 cm
Peso: 62 kg
Posição: Médio ofensivo
Clubes: Partizan e OFK Belgrado

Play-Off Apuramento JO: Portugal 0x0 Itália (3-4)


Portugal 0 x 0 Itália (3-4)

Estádio: De Goffert, Nijmegen (Holanda)
Assistência: Desconhecida
Árbitro: Stéphane Lannoy (França)



Chegámos à Holanda com um sonho: conquistar o Euro Sub-21 (e, por consequência, a presença nos Jogos Olímpicos de Pequim). Hoje, percebemos que saímos da Holanda com um pesadelo, de mãos a abanar. Já não bastava não termos chegado às tão ansiadas meias-finais do Campeonato da Europa, como o segundo objectivo – Jogos Olímpicos – ficou por cumprir.

Portugal entrou hoje em campo com clara vontade de vencer e conseguiu mesmo superiorizar-se aos cínicos italianos. No estádio mais pequeno do Euro Sub-21, em Nijmegen, e depois do sempre comovente Hino Nacional entoado pelos 80% de portugueses que compunham a moldura humana, esta noite, Stéphane Lannoy, de França, fez soar o apito inicial.
Portugal apresentou-se com a formação mais forte, sendo a única alteração em relação ao 4-0 anterior (frente a Israel) a saída do capitão Hugo Almeida (suspenso) para a entrada de Silvestre Varela.

Paulo Ribeiro voltou a dar mostras do seu valor, executando uma série de defesas de média/elevada dificuldade e provando que o Porto tem nele e em Bruno Vale duas das maiores esperanças para as balizas portuguesas nos próximos anos. Sem dúvida, mais uma boa exibição, negando o golo por mais do que uma vez. João Pereira fez um jogo muito bom, mais uma vez cheio de determinação e vontade e com o seu estilo aguerrido. Foi capaz de excelentes e péssimos cruzamentos e foi o lateral que mais apoiou o ataque, sempre com inteligência e moderação nas subidas. Defendeu bem, fez poucas faltas e foi claramente um jogador em dia sim esta noite. Do lado oposto, o jovem Antunes, o mais novo de Portugal em campo, esteve relativamente bem. Subiu muitas vezes, ajudando Nani, mas na defesa foi em algumas ocasiões ultrapassado por Montolivo. A isto se acresce o facto de ter falhado o penalty. No centro da defesa, Manuel da Costa continuou a mostrar o seu enorme potencial, maturidade, inteligência e capacidade. É um central que aprecio imenso pois tem grande técnica para a sua posição, é forte no jogo aéreo, possui uma grande inteligência posicional e é uma autêntica muralha. Hoje, foi melhor coadjuvado do que nunca. Semedo exibiu-se a um nível que ainda não tinha sido capaz de exibir, muito forte em todos os aspectos, com desarmes providenciais e uma grande disponibilidade. Surpreendente para quem só o conhece da selecção. Miguel Veloso não esteve tanto em jogo como no jogo anterior, por motivos óbvios – este adversário requeria, claramente, mais atenção e contenção do médio defensivo. Fez um jogo muito bom, para não variar, ainda que no capítulo atacante não tenha estado tão exposto como já o vimos fazer. Manuel Fernandes, esse sim, foi uma peça fulcral no xadrez montado por José Couceiro para esta partida. O grande elemento de conexão entre os sectores, o verdadeiro transportador da “redondinha” e também um dos mais activos no capítulo defensivo. À sua frente esteve o regularíssimo João Moutinho. Hoje jogou muito bem, esteve em permanente movimento, ora descaindo nas faixas, ora optando pelo meio, trocando a bola ou levando-a por si mesmo para o ataque. Importantíssimo na distribuição do jogo e na execução de alguns remates perigosos. Nani esteve irrequieto na primeira parte, quebrando as cabeças dos laterais transalpinos, fazendo remates, cruzamentos e fintas, mas decresceu muito quando o jogo se encaminhava para o fim. Silvestre Varela, esse sim, conseguiu manter o ritmo elevado durante mais tempo, quebrando só no término do prolongamento. Ganhou imensas faltas, arrancou, fintou, rematou… muito dinâmico. Ricardo Vaz Tê teve a difícil tarefa de iludir os centrais italianos e chegou a estar perto de assinar um golo. Um bom jogo, que terminou cedo fruto dos problemas que nunca escondeu neste Europeu.

A selecção nacional de Portugal jogou a um ritmo alucinante na primeira parte, pressionando tão alto que em certos períodos asfixiou por completo a Itália. Mesmo quando os italianos tentavam segurar a bola para serem eles a comandar e pautar o jogo, logo os portugueses impunham velocidade e imprimiam ao jogo uma enorme dose de vivacidade e dinamismo. As oportunidades sucediam-se, em especial recorrendo aos remates de longe – Varela, Nani e Manuel Fernandes estiveram todos perto do golo. Portugal instalou-se no meio-campo italiano e, até ao intervalo, foi difícil para Itália sair a jogar. Portugal, durante uns minutos, ainda acalmou, trocando a bola passivamente na defesa. Contudo, esta foi uma estratégia para recuperar energias, pois o pedal do acelerador foi carregado a fundo durante a primeira parte, em especial a partir da meia hora, quando os laterais perderam a vergonha e começaram a posicionar-se mais à frente e a envolver-se nos lances atacantes. Num dinamismo a nível de meio-campo e ataque incrível, Portugal mostrou hoje maturidade posicional e muita cultura táctica, pois as compensações eram sempre feitas com sucesso e os jogadores tinham uma flexibilidade muito grande ao nível da sua colocação no terreno, nunca permanecendo no mesmo sítio, com e sem bola. Ainda apanhámos um susto quando Rossi, qual foguete, entrou na área após “comer” dois defesas portugueses, mas Paulo Ribeiro fez a defesa da noite com uma mancha fabulosa.

Veio o intervalo.

Na segunda parte, voltámos com a mesma toada. Porém, aos poucos e poucos, foi-se acumulando o desgaste e as pernas já não permitiam tanto – a pressão reduziu, o ritmo também e o efeito surpresa desvaneceu-se, caindo-se numa certa monotonia e encaixe táctico que, com velocidade, não era possível. A Itália foi-se aproximando até equilibrar o jogo e os centrais tiveram mesmo que brilhar. Manuel da Costa e Semedo revelaram ambos uma segurança, confiança e eficácia. Se houve momentos em que o jogo esteve fechado e as linhas de passe e de penetração eram escassas, houve outros em que os contra-ataques se sucediam, uns atrás dos outros, dando uma maior abertura ao jogo e tornando-o mais espectacular. Varela apareceu claramente nesta parte como grande impulsionador de Portugal, conquistando livres e levando os companheiros para o ataque. Pazzini, uma nulidade, e Rossina, pouco produtivo, saíram para os lugares de Pellé e Palladino respectivamente. A meio da primeira parte, o jogo começou a decair e a produção de muitos dos intervenientes também. Vaz Tê saiu para entrar João Moreira, que pouco acrescentou, a meu ver, à equipa. O cansaço ia-se acumulando até que Rossi, o melhor elemento ofensivo de Itália, foi expulso. Aí ganhámos forças extra e ainda conseguimos esboçar um retorno ao vigor atacante, pelo que isso não aconteceu. Fora alguns remates de longe, pouco de mais se passou. Nos últimos dez minutos, o desafio chegou mesmo a tornar-se aborrecido e empastado – as equipas já esperavam mais meia hora de jogo. Ainda deu tempo para a saída de Manuel da Costa, por questões do foro físico, para a entrada do jogador do Belenenses Rolando e para Pellé assustar Paulo Ribeiro, que defendeu com os punhos um remate rasteiro.

O prolongamento abriu com um forte remate de Nani depois de um envolvimento colectivo assinalável. A inferioridade numérica dos azurri veio ao de cima no prolongamento e Portugal dominou: João Moreira quase marcava se não fosse um defesa italiano a “tirar-lhe o pão da boca”; João Moutinho cabeceou ao lado, já dentro da pequena área; e Yannick Djaló, entrado no intervalo do prolongamento para o lugar do lateral João Pereira, de baliza semi-aberta e com tudo para abrir o marcador, disparou por cima, no falhanço mais escandaloso dos 120 minutos.

Sem justiça, a Itália segurou o empate durante todo esse tempo e o jogo acabou por se decidir na marcação de grandes penalidades. Os italianos não perdoaram e conseguiram a viagem a Pequim no próximo Verão. Moutinho e Nani converteram, assim como Pellé e Motovolio, mas Manuel Fernandes falhou ao passo que Triscito marcou. Depois, Miguel Veloso e Palladino marcaram e Antunes não podia falhar para Portugal ainda ter hipóteses… falhou. E todos sabíamos que ia falhar, Antunes é demasiado inexperiente e nervoso para ter nos pés todas as aspirações de uma selecção. Má escolha.

Como disse nas primeiras linhas deste post, Portugal entrou na Holanda com um sonho que, com o passar do tempo, virou pesadelo. Chegámos a ter a ilusão de ganhar o Euro e vimos para casa sem sequer garantirmos o apuramento para os Jogos Olímpicos. Hoje, merecíamos claramente ter ganho pois a nossa superioridade foi inegável, mas o futebol é mesmo assim, por vezes injusto e imprevisível. Com uma equipa como a nossa, é inglório chegar a Portugal sem nada na bagagem. Foi o que aconteceu. Está na altura de perceber o que falhou. Neste jogo, na minha opinião, faltou eficiência ofensiva e sorte.

Uma campanha negativa de Portugal em terras neerlandesas que terá que ser discutida por todos os Atacantes. O que correu mal e porquê? Que alterações? Há culpados?...


Melhor Jogador

Manuel Fernandes. Especialmente pelos primeiros 45 minutos. Manuel Fernandes foi, esta noite, o verdadeiro motor da equipa portuguesa. Na primeira metade, todos os portugueses actuaram exemplarmente mas Manuel Fernandes destacou-se. Não que as investidas e remates de Varela e Nani, as jogadas do incasável Moutinho ou a belíssima exibição dos centrais portugueses não merecessem destaque, mas “Manelelé” é, de facto, um jogador especial e que esteve em crescendo durante o Europeu (se bem que este jogo já não fizesse parte dessa competição). Foi uma exibição quase perfeita, escurecida apenas por um amarelo, claras marcas do desgaste físico na parte final e um penaltie mal batido e falhado. Mesmo assim, brilhante. No aspecto defensivo, demonstrou toda a sua disponibilidade, raça, inteligência na ocupação dos espaços e no posicionamento do corpo e foi capaz de cortes absolutamente deliciosos de tão “limpinhos” e complicados que eram. No ataque, foi o principal transportador da bola, foi o iniciador das jogadas. Se no jogo contra Israel partilhava essa função com Miguel Veloso, hoje notou-se uma maior contenção do leonino e um claro aproveitamento de Manuel Fernandes para aparecer e tomar a iniciativa. Fez remates perigosíssimos, passes muito bons (e alguns maus, também) e foi quem começou a mexer na interessantíssima dinâmica ofensiva portuguesa. Mais um grande jogo do nº8 luso.


Arbitragem

Viu-se, neste jogo, uma arbitragem globalmente positiva, com falhas de pouca relevância. Talvez tenha denotado algum critério dualista ao mostrar cartão amarelo a Manuel da Costa por mão na área adversária e, minutos depois, não ter sancionado disciplinarmente um italiano que levou a mão ao esférico. De resto, um erro logo no início do jogo, quando Antunes toca para canto e o árbitro assinala pontapé de baliza. Um erro crasso, numa altura em que a visão do árbitro estava tapada e o juízo era complicado. Acima de tudo, o árbitro soube controlar a partida, ter mão nos jogadores e, não dando espaço para protestos (foi a maior causa de cartões, inclusivamente o vermelho a Rossi), conseguiu não gerar uma atmosfera pesada entre os jogadores de ambas as equipas e o próprio árbitro. De uma forma geral, sem grandes defeitos – uma arbitragem mais.


Positivo do Jogo

• A boa imagem que Portugal deixou nesta partida.
• A coragem de José Couceiro em arriscar a saída de um defesa para colocar em campo um avançado.
• O “fair-play” demonstrado, salvo raras excepções, de ambas as partes. Não houve desentendimentos.
• A primeira parte fenomenal da selecção portuguesa.
• A mestria dos italianos na cobrança de grandes penalidades.


Negativo do Jogo

• A derrota e consequente impossibilidade de marcar presença no Torneio Olímpico a disputar-se para o ano em Pequim.
• Duas substituições, do lado português, motivadas por insuficiências físicas: Ricardo Vaz Tê e Manuel da Costa saíram em dificuldades.
• O desgaste e cansaço que os lusitanos demonstraram a partir do último quarto de hora a segunda parte e no prolongamento – motivou o “desaparecer” de alguns jogadores como Nani e mesmo Manuel Fernandes.

sábado, junho 16, 2007

Euro Sub-21: Israel 0 x 4 Portugal


Israel 0 x 4 Portugal

Estádio: Euroborg, Groningen (Holanda)
Assistência: Desconhecida
Árbitro: Zsolt Zsabo (Hungria)


Portugal está de fora do Euro Sub-21! A equipa das Quinas entrou hoje em campo sem certezas quanto à presença ou ausência nas meias-finais da competição. Era necessário vencer por mais do que um golo e esperar que os anfitriões do torneio, Holanda, conquistassem três pontos, com uma vitória frente à Bélgica. Conseguimos massacrar os israelitas mas o empate em Heerenveen carimbou o passaporte a belgas e holandeses, deixando Portugal de fora.

Ainda antes do apito inicial, houve alguma polémica em torno deste jogo. O húngaro Zsolt Zsabo, que apitou o jogo entre Portugal e Bélgica e foi quarto árbitro no Holanda contra Portugal, foi o responsável pela expulsão de José Couceiro diante da Holanda e questionava-se o grau de imparcialidade do senhor de preto de hoje. A arbitragem não foi positiva, contudo, e felizmente, acabou por não ter consequências nefastas, nomeadamente ao nível do resultado final.
Groningen foi o palco de um jogo interessante, absolutamente dominado pelos portugueses. Só a vitória interessava a Portugal e foi com esse espírito guerreiro, batalhador e com clara tendência para controlar que o onze escalonado pela dupla José Couceiro/Rui Caçador entrou em campo.
Quando, aos 9 minutos, Mirallas inaugurou o marcador no desafio que opunha a Bélgica à Holanda, todos ficámos com o coração nas mãos e a réstia de esperança que nos invadia – a nós, portugueses – diminuiu a uma migalha. Porém, três minutos mais tarde, o possante avançado Rigters (holandês) voltou a conceder-nos alguma esperança, ao empatar. Portugal, ao quarto de hora de jogo, tinha qualquer coisa como 70% de posse de bola e estava a actuar de forma avassaladora. Com Paulo Ribeiro na baliza a ter que intervir poucas vezes, os centrais (Semedo e da Costa) apresentaram-se em bom plano, mas é justo oferecer especial destaque ao impressionante luso-francês, Manuel da Costa, perfeito nos cortes e desarmes, no posicionamento e a sair a jogar, cheio de classe (no fim do jogo, chegou a ter um lance individual no lado direito do ataque, passando por três jogadores para ganhar falta). Os laterais, João Pereira e Antunes, emprestaram sempre uma grande força ao ataque já que Ben Sahar, 17 de Israel, era o único “plantado” no meio-campo português. No meio-campo, notou-se uma enorme mobilidade e, desta vez (ao contrário do jogo anterior), os futebolistas sabiam o que tinham que fazer, quais as suas missões. Miguel Veloso apresentou-se mesmo à frente dos centrais, procurando sempre a bola para iniciar as transições, assim como Manuel Fernandes, o segundo homem a contar de trás. João Moutinho foi o nº10, tentando investir pelo meio e flanquear o jogo quando necessário, distribuindo o jogo o melhor que pode. Hugo Almeida, fixo na área de Al Madon, era auxiliado pelos inspirados Nani e Ricardo Vaz Tê que, entre trocas de flancos e diagonais, foram fazendo a cabeça em água aos adversários.
Israel ia encostando o autocarro à baliza, até que o placard se alterou. Depois de Manuel da Costa ameaçar num livre de longe e de Nani fazer um espectacular mas inconsequente pontapé acrobático, foi Manuel Fernandes que inaugurou o marcador: num remate estrondoso, a bola bate na barra e acaba por entrar, estava feito o mais difícil. Mas como uma boa notícia nunca vem só (ou vem?), chegou a Groningen a notícia de que a Holanda acabara de passar para a liderança do marcador por intermédio de Drethe, a Promessa Atacante desta Semana. O médio esquerdo holandês obteve o golo através da cobrança de um livre directo.
Ao cair do pano, eis que o jogador do Bolton, Vaz Tê, mergulha para marcar o segundo. Um cruzamento magnifico do lateral João Pereira e sozinho, “na cara do golo”, Vaz Tê não perdoa e marca de cabeça, com um mergulho a fazer lembrar os melhores pontas-de-lança.
Nani, na primeira parte, acabou por ser o melhor jogador em campo – jogou como melhor sabe, cheio de alegria contagiante, fantasia, pormenores técnicos fantásticos e jogadas individuais e colectivas perigosas.


Veio o intervalo e parece que o técnico português, Rui Caçador (como já referido, José Couceiro foi para a bancada por ter sido expulso no jogo contra a selecção holandesa) deve ter tido um discurso moralizador no balneário pois Portugal entrou ainda com mais garra e pujança, se é que era possível. Logo aos 48 minutos, Miguel Veloso cobra um pontapé livre na extrema direita do campo e faz um cruzamento/remate que acaba por trair o guardião israelita por não tocar em ninguém. A bola descreveu um arco perfeito, a pedir a cabeça de alguém. Isso acabou por não acontecer e foi Portugal que ficou beneficiado. Miguel Veloso fez então o seu segundo golo no torneio, figurando agora no topo da lista de melhores marcadores da competição e tornando-se o melhor da equipa ao nível da finalização.
Mas se o jogo já estava mais ou menos decidido, Nani decidiu sentenciar a partida. Um remate de longe, mesmo à entrada da área, indefensável. O 4-0 estava feito e restava esperar pelos desenvolvimentos do jogo que decorria em paralelo, entre Holanda e Bélgica.
Entretanto, Paulo Machado, melhor marcador do apuramento para o Euro Sub-21 e um dos mais influentes durante essa Fase, acabou por entrar, substituindo João Moutinho estreando-se apenas no terceiro encontro e jogando escassos 30 minutos. Enganei-me ao pensar que Manuel Fernandes iria subir no terreno para permitir ao recém-entrado ocupar o seu lugar. Na verdade, Paulo Machado entrou bem, cheio de fulgor, decidido e chegou a criar perigo com um ou dois remates. Ocupou o lugar de distribuidor e organizador de jogo muito bem, uma faceta que, pessoalmente, desconhecia.
Empolgados pelos golos marcados e pelo que se ia passando em Heerenveen, os jovens lusos iam dando tudo o que tinham para aumentar a diferença e chegar à mão cheia de golos. Hugo Almeida por diversas vezes recebeu cruzamentos mas nunca conseguiu marcar e alguns remates longínquos dos médios tomaram o mesmo fim. O capitão português, presença constante na área adversária, levou um amarelo na primeira parte e, com vista a ir preparando rotinas ofensivas sem o gigante de Bremen, foi feita a substituição: saiu Hugo Almeida, cedendo o seu lugar ao jovem do Valência, João Moreira.
Pouco tempo depois, teve que se proceder à última substituição, esta sem ser premeditada visto ter sido provocada por uma lesão. Bondarv, que entrara pouco tempo antes, entrou de forma duríssima sobre uma das novas coqueluches do Manchester United, Nani, magoando-o com alguma gravidade. Confirma-se somente que é um traumatismo no tornozelo esquerdo. Assim, foi o avançado Silvestre Varela a entrar. Porquê um avançado? Porque se uma boa notícia nunca vem só, uma má notícia também não. No preciso momento em que Nani recebia assistência médica, a Bélgica empatou, com um golo do defesa esquerdo Pocognoli. Foi a notícia do 2-2 em Heerenven, o desgaste físico, a perda da capacidade mágica de improvisação de Nani e a perda de um jogador importante no meio-campo em detrimento de mais um avançado (desligando as ligações entre os três sectores) que ditaram um notório abrandamento do ritmo de jogo. Com a inclusão de mais um jogador para a linha da frente por um jogador de meio-campo, Manuel Fernandes viu-se obrigado a tomar ainda mais a iniciativa, trazendo sucessivamente a bola do sector mais recuado para o sector mais avançado. Sempre com mestria. O jogo estava ganho, por margem mais do que suficiente, e roíam-se as unhas, no banco de suplentes, nas bancadas e nos nossos sofás, ansiando-se por um golo holandês que acabou por nunca suceder. A perto de 20 minutos do fim, Portugal tinha 24 remates feitos contra 2 de Israel. Estes são números que patenteiam a tão já mencionada superioridade sufocante protagonizada por Portugal durante os 90 minutos. A partir da quebra de ritmo, o jogo endureceu, proporcionando cartões. Ainda houve tempo para um cabeceamento de Vaz Tê que bateu no jogador que estava junto do poste, depois de um pontapé de canto, e para uma pequena zaragata entre o nº5 israelita, Keinan e Manuel da Costa que resultou na amostragem de amarelo para cada um dos dois.
Neste jogo, Portugal foi quase perfeito – jogou como uma verdadeira equipa, denotando grande envolvência colectiva e claros progressos no funcionamento da engrenagem. Muito melhores posicionalmente, os centro-campistas portugueses conseguiram definir o jogo com muito mais clareza e não se atabalhoaram como no jogo diante da Holanda. Vários factores podem estar relacionados com a boa prestação “tuga”: os índices de motivação, a inclusão de Vaz Tê e, claro, a menor capacidade da selecção de Israel. Estou, todavia, convicto de que, a este nível nos outros dois jogos, poderíamos ter atingido as meias-finais com relativa facilidade. É pena que a categoria e também a humildade tenham vindo ao de cima tão tarde. Tarde demais, diga-se. Portugal, neste jogo, conseguiu demonstrar o seu real valor. Portugal, neste jogo, conseguiu apagar parcialmente a má imagem que deixou neste Europeu. É triste que não consigamos atingir as meias-finais mas há que erguer a cabeça e tentar perceber o que se passou de negativo. Mesmo assim, com um 4-0 a fechar, parece inglório ficar por aqui. Para a próxima, há que delinear estratégias e um onze base mais cedo e há que saber manter a cabeça no lugar e apresentar mais humildade. Muitos craques não fazem uma equipa e há inúmeras provas disso. Hoje, sim, hoje jogaram como uma equipa. Hoje jogaram como deveriam ter sempre jogado… Mesmo assim, os meus parabéns.
Mais uma vez, foi o médio defensivo de Portugal o melhor jogador no Europeu – se o ano passado tinha sido Raúl Meireles, este ano coube a Miguel Veloso o destaque. Mesmo assim, há que salientar outros nomes como Manuel Fernandes, Manuel da Costa e o trabalhador João Moutinho, além de Nani (se bem que este só tenha aparecido verdadeiramente neste jogo). Já agora, as melhoras para Nani.
Deste modo, Portugal despede-se do Euro Sub-21, ainda sem saber se terá garantida ou não uma presença nos Jogos Olímpicos de Pequim (se Inglaterra se apurar para as meias-finais, o apuramento será feito através de um Play-Off entre os dois terceiros classificados).


Melhor Jogador

Miguel Veloso. Não só ele, mas um dos melhores. Manuel da Costa e Nani estiveram também muito bem, mas a minha grande dúvida prendia-se com a selecção de Veloso ou Manuel Fernandes. O jogador do Benfica fez um jogo soberbo mas acabei por seleccionar o leonino face à prestação global no Europeu e ao facto de Veloso não ter sido sujeito a nenhuma acção disciplinar. Na minha opinião foram os dois melhores jogadores lusos nesta campanha em terras neerlandesas. Quanto à exibição de Miguel Veloso, foi irrepreensível, tanto no aspecto defensivo como ofensivo. Apareceu como “pivot” defensivo na equipa portuguesa mas, com o passar do tempo, Israel começou a retrair-se cada vez mais e não raras vezes o vimos em investidas atacantes, ora em busca de um grande passe, ora do remate de longe. Acabou por ter a felicidade de marcar um golo e tornar-se no melhor marcador português neste Europeu. Mais um jogo pautado por classe, maturidade, técnica, inteligência e uma capacidade posicional muito acima da média.



Arbitragem

O árbitro da partida, Zsolt Zsabo, não esteve propriamente bem, mas não influiu no resultado. O amarelo mostrado a Manuel da Costa é algo incompreensível, mas ridículo foi mesmo o cartão mostrado a Manuel Fernandes, por pretenso jogo perigoso sobre o pobre Al Madon, guarda-redes de Israel. Revelou-se um pouco exagerado na amostragem de cartolinas amarelas. De resto, com uma falha aqui e outra ali, foi mostrando que não é muito mais do que medíocre. Num jogo sem grandes casos também não havia margem para grandes invenções, por isso… uma arbitragem razoável, sem grandes casos e sem possibilidades para ter importância no resultado.


Positivo do Jogo

• Os 4 golos obtidos.
• As belas exibições de Manuel da Costa, Miguel Veloso, Manuel Fernandes, Nani e de outros jogadores portugueses.
• A forma como Portugal mostrou o seu carácter e grande capacidade de dominar o adversário (tarde demais…).
• O jogo colectivo e qualidade ao nível do posicionamento, compensações e passe.
• Os rasgos individuais de alguns dos intervenientes e as excelentes trocas de bola no ataque.
• A atitude dos jogadores (só neste jogo…).
• A forma como Vaz Tê se apresentou após uma lesão – muito bem.
• O facto de Paulo Machado, vital no apuramento, ter participado no jogo.
• A clara supremacia portuguesa no que à estatística diz respeito – posse de bola, número de remates, etc. – tudo dominado por Portugal.


Negativo do Jogo

Resultado insuficiente para cumprir do objectivo primordial que era alcançar as meias-finais da competição.
Apatia e insuficiência qualitativa demonstrada pela selecção de Israel.
• O jogo duro que se começou a praticar a determinada altura por parte dos israelitas.
Lesão de Nani (se bem que o médico da selecção já tenha vindo a público referir que, em princípio, Nani estará apto a um possível jogo de Play-Off).
• Lance, no término da partida, em que o capitão israelita Keinan atinge Manuel da Costa com um empurrão (escusado…).
• Grande número de cartões mostrados.

sexta-feira, junho 15, 2007

Promessa Atacante da Semana: Royston Drenthe


A promessa desta semana é uma das estrelas mais cintilantes do Europeu 2007 em sub-21 que está a decorrer na Holanda. Royston Drenthe é um extremo esquerdo muito rápido, dotado de uma técnica bastante apurada e uma capacidade de passe bem acima da média. Peça chave na selecção holandesa, o jovem do Feyenoord está a despertar a cobiça dos muitos olheiros presentes na competição. Drenthe pode também actuar a defesa/ala esquerdo, mas denota mais dificuldades em defender.

Com 20 anos feitos em Abril, muito dificilmente não dará o salto para um clube de topo.

Ficha Técnica



Nome: Royston Ricky Drenthe
Data de nascimento: 08.04.1987 (20 anos)
Local de nascimento: Roterdão, Holanda
Posição: Defesa/ala/extremo esquerdo
Clubes: SC Neptunus e Feyenoord

quinta-feira, junho 14, 2007

Euro Sub 21 Holanda



Holanda 2 - 1 Portugal

Estádio: Euroborg, em Groningen (Holanda)
Assistência: cerca de 20 000 espectadores
Árbitro: Knut Kircher (Alemanha)


A selecção portuguesa de sub 21 perdeu 2-1 com a Holanda, país anfitrião e a actual campeã em título e, deste modo já não depende apenas de si para garantir o apuramento para as meias-finais do Euro-2007. Com a Holanda já apurada, após a segunda vitória em dois jogos, e com Israel fora da corrida, a decisão da segunda vaga de apuramento vai ser feita entre a Bélgica e Portugal, com os belgas em vantagem (4 pontos, contra apenas 1 de Portugal).

Portugal para se qualificar precisa de obrigatoriamente vencer Israel, por mais de um golo de diferença, e esperar que a Holanda também vença a Bélgica na terceira jornada. Situação bastante complicada para a selecção das Quinas.


Com uma estrutura de jogo confusa, os jogadores sem conseguirem perceber o seu posicionamento dentro do terreno, e com três deles pelo menos com características idênticas (Manuel Fernandes, Ruben Amorim e Miguel Veloso) dentro do 11 inicial, Portugal voltou a ter uma exibição fraca. Desta vez com uma posse de bola esmagadora em relação à Holanda mas também muito enganosa, pois a primeira parte foi toda dominada pelos holandeses. Eis que aos 33´ chegam mesmo ao golo através de uma grande penalidade apontada por Babel. Destaque para apenas 2 remates por parte de Portugal e sem perigo algum.

A segunda parte começou ainda pior do que foi toda a primeira e foi preciso entrar João Pereira e Varela para Portugal começar a jogar melhor, mais precisamente na última meia hora de jogo, o melhor momento da selecção portuguesa durante toda a partida. Só que ao subir muito no terreno, permitiu que a Holanda fizesse o segundo tento, por intermédio de Rigters, aos 75´ que soube aproveitar muito bem os espaços concedidos pela defesa portuguesa. Passados apenas 2 minutos, Miguel Veloso na transformação irrepreensível de um livre directo aponta o único golo de Portugal.
Até ao final a selecção portuguesa tentou desesperadamente chegar ao golo do empate, que lhe permitiria não depender de terceiros para conseguir o apuramento.


Melhor Jogador Holandês: Forte fisicamente; foi uma autêntica carraça para a defesa portuguesa; O segundo golo da Holanda saiu precisamente de um grande cruzamento dele…

Melhor Jogador Português: Prejudicado pelo seu posicionamento táctico (habituado a jogar como único trinco), e sem liberdade por causa da presença de Manual Fernandes ao seu lado, com a subida do colega no terreno cresceu também ele de produção. Para além de ter marcado um belo golo de livre…

Arbitragem:

Foi tudo menos neutra, direccionada sempre para o mesmo lado, neste acaso «alaranjado». O mais grave foi não ter assinalado uma grande penalidade aos 45’ a favor de Portugal, em que Jong-A-Pin derruba João Moutinho na grande área.


Aspectos Positivos:


Quando se perde não há muito o que dizer. De positivo só mesmo o ambiente fantástico no estádio, muito bem composto e também o golo do Miguel Veloso que veio a dar alguma esperança de que o empate surgisse.

Aspectos Negativos:

A fraca exibição de Portugal, principalmente na primeira parte;

A derrota, que faz com que a selecção portuguesa passe a depender de terceiros para passar às meias final do Euro Sub 21;

Temos jogadores, não temos é equipa nem treinador!

segunda-feira, junho 11, 2007

Euro Sub 21 Holanda

Fase final - Fase de grupos - 10 Junho 2007 - Euroborg - Groningen

Portugal 0 - 0 Bélgica

Portugal empatou a zero no jogo de estreia no Grupo A da fase final do Campeonato da Europa de Sub-21, frente à Bélgica. A formação lusa começou melhor, deixou-se dominar, mas terminou a partida ao ataque, no entanto sem conseguir encontrar o caminho para o golo.

Sem grandes surpresas no "onze" inicial, Portugal até começou melhor, com alguns lances muito rápidos a baralharem um pouco a defensiva contrária. Logo aos três minutos, Manuel Fernandes integrou-se bem no ataque e rematou rente ao poste esquerdo da baliza do guarda-redes Logan Bailly. Aos nove, Yannick Djaló fugiu em velocidade pela direita, entrou na grande área e rematou para defesa apertada do belga, com os pés. No entanto, depois deste início fulgurante, os portugueses começaram a perder o controlo das operações.

A Bélgica acertou marcações, posicionou-se bem no meio-campo e anulou quase por completo a intermediária lusa, que tinha os seus jogadores muito longe uns dos outros. Assim, foram os jovens "diabos vermelhos" a criar os melhores lances de maior perigo até ao intervalo, com jogadas de envolvimento pelos flancos e grande mobilidade dos seus avançados. Marouane Fellaini e Maarten Martens mostraram-se muito perigosos, a rematar e a servir os companheiros. Aos 12 minutos, Jonathan Blondel surgiu solto na grande área portuguesa e rematou cruzado, com grande perigo, mas ao lado. Aos 43 foi Fellaini a colocar Paulo Ribeiro à prova, com Blondel a recargar por cima, em boa posição. Perto do intervalo, Jan Vertonghen fugiu pela esquerda, flectiu para o meio e rematou perto do poste esquerdo da baliza de Paulo Ribeiro.

O intervalo chegou e Portugal tinha de fazer alguma coisa. E fez. O meio-campo passou a jogar mais junto, com Manuel Fernandes a cair para a direita e Nani a funcionar como médio-esquerdo e os belgas passaram a explorar o contra-ataque. Com o domínio português, o lance de maior perigo acabou por surgir aos 62 minutos. Manuel Fernandes lançou Djaló na esquerda, este centrou para Hugo Almeida que cabeceou para defesa espantosa de Bailly. O melhor lance de perigo do jogo, numa altura em que Antunes entrara já para o lugar do lesionado José Gonçalves.

O jogo encaminhava-se para o fim sem mais oportunidades de golo. As duas equipas passaram a controlar-se mutuamente e a tapar os espaços. Excepção para um grande remate de Manuel Fernandes, aos 81 minutos, à entrada da área, com a bola a passar a poucos centímetros do poste esquerdo da baliza belga. Portugal terminou ao ataque, mas não conseguiu desfazer o empate.

Notas: Há muito a alterar, no sistema táctico, há jogadores que não se percebe como vão à Selecção e ainda menos se percebe como são titulares, caso de Filipe Oliveira. Muito má forma de Hugo Almeida e da defesa portuguesa, sempre a falhar nas marcações. Nani desde que se falou no Manchester United que não apresenta futebol de nivel. Incompreensivel a não titularidade de Antunes e Ruben Amorim, e o "azar" de Vaz Te. Mudanças urgem, no 11 principal, e quanto antes melhor.

Conclusão: Portugal dificilmente será apurado neste grupo ou ganhará qualquer jogo. A Bélgica era porventura a Selecção mais acessível e não nos ganhou por mero acaso.


No outro jogo do grupo e de abertura do torneio, a Holanda ganhou 1-0 a Israel, com golo de Maduro logo aos 10 minutos, estando desde já na primeira posição.