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quarta-feira, maio 23, 2007

Jogador Atacante da Semana: Joe Cole



PERFIL DO JOGADOR

Nome: Joseph John Cole
Data de Nascimento: 08/11/1981 (25 anos)
Clube: Chelsea FC
Nº da Camisola: 10
Posição: Extremo
Altura: 1,75 metros
Peso: 69 kg
Naturalidade: Londres – Inglaterra
Palmarés:

  • 1 Taça de Juniores de Inglaterra (1999)
  • 1 Taça da Liga Inglesa (2005)
  • 2 Campeonatos de Inglaterra (2005 e 2006)
  • 1 Community Shield (2005)
  • 1 Taça de Inglaterra (2007)


  • AVALIAÇÃO DO JOGADOR

    Joe Cole, “o brasileiro de Inglaterra”. É assim que Joe Cole é muitas vezes apelidado no mundo do futebol. Os seus infindáveis recursos técnicos, a fabulosa finta que possui, a visão de jogo e a imprevisibilidade do seu futebol fazem com que este inglês tenha um modo de jogar semelhante aos que provêem de terras de Vera Cruz. Na verdade, o seu talento foi desde cedo reconhecido e as comparações surgiram devido às habilidades técnicas e ausência de rigor defensivo, características muito frequentes nos canarinhos. Hoje, esta segunda característica já não é tão notória. Com José Mourinho, Cole tornou-se muito mais voluntarioso, começou a defender bastante mais e a actuar incomparavelmente melhor no capítulo da táctica. Isto, claro, sem perder toda a sua magia e fantasia. Não sendo alto (1,75m), é um jogador entroncado e evoluído fisicamente, importante para um extremo, em especial num campeonato como o inglês. Consegue resistir muitas vezes ao choque e travá-lo em falta é, em muitas ocasiões, a única hipótese. Sou um confesso fã de Joe Cole. Na minha opinião, é um dos jogadores com maior potencial em todo o Universo. Não fossem as lesões que o afectaram esta época e, a manter o ritmo de 2005/06, estaria, provavelmente, num nível semelhante ao de Cristiano Ronaldo. É que agora, Joe Cole não é apenas um fantasista que pode decidir jogos; não é apenas um dos melhores do mundo tecnicamente; não é apenas um jovem cheio de categoria e classe inegável. Agora, Joe Cole é um futebolista extremamente completo. È isso e muito mais. Nota-se que este é um dos jogadores que “nasceu para o futebol”. Acima de tudo, Joe Cole é um mago do desporto-rei. O extremo inglês tem qualidades muito acima da média a nível técnico, de criatividade, finta (!), visão de jogo, velocidade de raciocínio e de execução de todos os gestos técnicos e um jogador que consegue jogar num um para um como poucos. Ultimamente tem progredido a olhos vistos no que concerne às missões defensivas. Já não é raro vê-lo a ganhar bolas na defesa e lançar ataques, já não é raro ver o “pressing” a resultar. Mas o que o distingue dos demais é, além da soberba técnica, o uso que lhe dá. Nunca perde o sentido colectivo, nunca perde o sentido de equipa e é capaz de fazer jogadas individuais, é certo, mas é também perito em envolver-se colectivamente com jogadores do mesmo gabarito que ele, fazendo tabelas, jogando ao primeiro toque, etc. É destes jogadores que o nosso desporto preferido necessita. A raça, o carácter, a técnica esplendorosa, a magia. É bem evidente, também, a vontade de Joe Cole aprender mais e mais. Não cruza os braços, qual vedeta. Tende sempre a evoluir, quer tornar-se num dos melhores de sempre na Grã-Bretanha e, ao nível técnico, eu – com os meus escassos 15 anos – não me lembro de nenhum como ele. Quererá isso dizer que, desse ponto de vista, nesse ponto específico, é um dos melhores ingleses de sempre? Enumerar toda as suas virtudes demoraria muito tempo. Para simplificar, basta dizer que Cole tem uns pés prodigiosos. Tudo o que sai daqueles pés (particularmente o direito) é bem feito e tem uma grande dose de espectáculo. Passes, cruzamentos, fintas, recepções de bola, tudo é executado, no mínimo, próximo da perfeição. Os defesas que se aprumem, Cole promete regressar em pleno na próxima época. Este jovem médio inglês tem muito para dar ao futebol – para já, é só dos mais evoluídos tecnicamente do mundo e um dos mais completos centro-campistas do planeta. Temos que nos render a este exímio executante inglês.

    BIOGRAFIA DO JOGADOR

    West Ham, uma das melhores escolas da Europa…

    Joe Cole é mais um dos muitos craques formados na grande escola que é o West Ham. Ainda muito novo deu nas vistas e cedo surgiram as primeiras profecias, profecias essas que diziam que Cole seria um dos melhores jogadores ingleses anos mais tarde. A avaliar pelo que já aconteceu, essa profecias estão certas e podem ainda ganhar mais ênfase, caso Joe Cole continue a evidenciar tanta qualidade. É raro ver um futebolista tão avançado tecnicamente e isso desequilibrava, sem dúvida, nas camadas mais jovens. O seu título mais importante no West Ham foi a FA Youth Cup (traduzindo, Taça de Juniores de Inglaterra), em 1999, diante do Coventry. Chegou a estar próximo de ingressar no Manchester United, mas acabou por ficar em Londres, a cidade onde nasceu e sempre viveu. A primeira época como profissional foi a de 1998/99, que começou quando tinha somente 17 anos. Jogou uns escassos 8 jogos sem que introduzisse o esférico na baliza adversária. A sua estreia na Premier League deu-se no dia 10 de Janeiro de 1999, já na segunda metade da temporada, contra o Manchester United. O West Ham fixou-se no 5º posto, excelente. Em 1999/00, marcou o seu primeiro golo como sénior, na Taça da Liga Inglesa, em Outubro de 1999, contra o Birmingham. Contudo, o primeiro golo para o campeonato só surgiu nos anos 00, em 2000, frente ao Bradford City. Nesta época, o West Ham ficou na 9ª posição na Premier League, e o papel de Cole intensificou-se, como provam as 22 presenças e 1 golo. Em 2000/01, Joe Cole teve, quiçá, a sua melhor época ao serviço do West Ham United – 5 golos, 30 jogos. O declínio dos londrinos começava agora a ser evidente, com o 15º lugar atingido nessa época. Em 2001/02 ainda esboçaram uma reacção, com um bastante positivo 7º lugar, mas acabariam por não resistir à descida em 2002/03. Em 2001/02, Joe Cole jogou 30 jogos mas não conheceu o sabor do golo. Joe Cole foi à equipa de Inglaterra nessa época e foi convocado também para o Mundial 2002 na Coreia e no Japão. A sua participação, porém, resumiu-se a uma entrada em jogo diante da Suécia, na Fase de Grupos, num desafio que terminou com um empate a uma bola. A Inglaterra, segunda no grupo F da Suécia, Nigéria e Argentina, foi 2ª e qualificou-se para os oitavos-de-final. Eliminaram a Dinamarca (0-3), mas nos quartos-de-final os campeões – Brasil – superiorizaram-se, 2-1. Regressando aos clubes. A época 2002/03 foi mesmo a última de Joe Cole no clube que o viu nascer e desenvolver. Fez 36 jogos e 4 golos nessa temporada, e chegou mesmo a ser o capitão de equipa, apesar da sua juventude. David James, Kanouté ou Lee Bowyer eram alguns dos bons jogadores desta equipa. Joe Cole conseguiu ser capitão, mesmo tendo na equipa os influentes Scott Minto, Paolo Di Canio ou o outro jovem que também despontava nesta altura, Michael Carrick. Infelizmente, o 18º lugar não foi suficiente para permanecer no principal escalão do futebol inglês. O WBA (26 pontos) e o Sunderland (19 pontos) tinham a descida mais do que confirmada, mas o West Ham lutou até à última para conseguir ficar. Para se ter noção disso, é importante referir que a apenas 10 pontos de diferença estava o 8º, Southampton. Os 42 pontos do West Ham foram escassos – 2 pontos de diferença para o 17º; 3 pontos de diferença para o 16º; 5 pontos de diferença para o 15º. Infeliz. Mas Joe Cole era já uma estrela em ascensão e manter-se fiel ao clube significaria abdicar de uma carreira. Já com 21 anos, mudou-se para o Chelsea. Deixou no West Ham uma legião de fãs e mais de 126 jogos e 10 golos com a camisola “Hammer”.

    “Blues” de Ranieri e Mourinho – a explosão…

    2003/04, primeira época de Joe Cole no Chelsea. Roman Abramovich chegou ao Chelsea em Junho de 2003 e o pequeno jogador do West Ham foi imediatamente contratado pelo presidente russo. E, dois anos depois da sua primeira internacionalização, num amigável contra o México em Maio de 2001, o extremo inglês marcou o seu primeiro golo contra a Sérvia e Montenegro, em Junho de 2003. Mal chegou ao Chelsea, demonstrou toda a sua categoria e participou em 34 jogos, marcando, todavia, 1 mísero golo. Na Europa, não facturou, apesar dos 9 jogos. O Chelsea, na última época de Ranieri, ficou em 2º lugar e chegou às meias-finais da Liga dos Campeões depois de ser eliminado pelo AS Mónaco nas meias-finais. O Chelsea ganhou a Fase de Grupos, onde figuravam Besiktas, Sparta de Praga e Lazio. Ganhou ao Estugarda por 0-1 na primeira-mão dos oitavos-de-final e o 0-0 na segunda-mão abriu às portas aos quartos-de-final. Aqui, encontraram os campeões ingleses dessa época (por 11 pontos, diga-se), o Arsenal, que derrotaram por 3-2 (1-1 e 2-1). Nas meias-finais, depois de um 3-1 imposto pelo Mónaco, não foram além do empate a 2 na segunda-mão, dizendo adeus à “Champions”. Convocado para o Euro 2004, não passou do banco. Entrar em campo não passou de um sonho para Joe Cole, que está à espera para se estrear num Europeu para o ano. Quanto à carreira inglesa… já todos conhecem o seu fim – Portugal. Chelsea de novo. Foi com a chegada do português José Mourinho que Joe Cole explodiu e se tornou um valor seguríssimo do futebol britânico. A entrada do ícone português no clube de Londres fez com que o Chelsea subisse, grosso modo, de rendimento, o que beneficiou jogadores como Joe Cole que sobressaem enquanto individualidades quando o colectivo funciona, mas fez com que o médio evoluísse particularmente. Joe Cole progrediu sobremaneira no capítulo táctico, como já foi dito, tomando uma muito mais profunda da globalidade do jogo, sendo muito mais participativo no envolvimento defensivo e mais inteligente na forma como partia para o ataque e também no capítulo mental. Assim, e apesar de fazer menos jogos para o campeonato do que em 2003/04, Joe Cole fez uma época muito mais fantástica em 2004/05, o que acabou, também, por se traduzir nas conquistas colectivas. O Chelsea foi campeão nacional de Inglaterra, ganhou a Taça da Liga e a Community Shield. Joe Cole, esse, marcou 8 golos no campeonato, em 28 jogos. Na Liga dos Campeões estreou-se a marcar. Na Liga dos Campeões, ganharam com facilidade o grupo, só perdendo no último jogo, contra o FCPorto, 2-1 no Dragão. Ultrapassaram o Barcelona, 4-5 (2-1 e 2-4) numa eliminatória electrizante, nos oitavos-de-final. Nos quartos de final, os reis da Baviera impuseram algumas dificuldades, mas o Chelsea acabou por sobrepor-se ao Bayern com um 6-5 final (4-2 e 2-3). Só mesmo o Liverpool, após um 0-0 na primeira-mão, conseguiu eliminar os “Blues”. No campeonato, a vantagem para os restantes foi inquestionável. Ganharam a Taça da Liga Inglesa contra o Liverpool numa pequena vingança, 2-3 foi o resultado. Isto depois de ultrapassado o Manchester United nas meias-finais. Em 2005/06, foi a confirmação de todo o talento do Jogador Atacante de hoje. Evoluiu ainda mais táctica e mentalmente e, aqui sim, fez uma extraordinária época. Com Robben ou Duff na extrema oposta à sua, Cole foi titularíssimo. 34 jogos, os mesmos 8 golos da época anterior. O Chelsea voltou a ser campeão. Desta vez, só chegaram aos oitavos-de-final na Liga dos Campeões e os carrascos foram os catalães do Barça, que se impuseram após eliminação na edição anterior. Joe Cole foi um verdadeiro senhor dentro de campo, passeando classe e fantasia pelos campos de Terras de Sua Majestade. O Mundial foi a primeira grande competição a nível de clubes em que esteve verdadeiramente envolvido. Foi titular em todos os jogos da Fase de Grupos. No primeiro, contra o Paraguai (1-0), no segundo, contra Trindade e Tobago (2-0) e no terceiro, diante da Suécia, que terminou empatado a 2 e que contou com mais um momento de pura fantasia de Joe Cole, um golo memorável, dos melhores do torneio. Recebe a bola no peito e, sem deixar cair, desfere um remate portentoso e indefensável. Lindo! Ultrapassaram a sensação Equador nos oitavos-de-final e Cole voltou a ser titular. Nos quartos-de-final, já sabemos, Portugal voltou a ganhar. Aqui, Joe Cole saiu mais cedo do que nos outros jogos em que saiu, aos 65, para dar lugar a Crouch, logo após a fatídica expulsão de Rooney. Não bateu, por isso, nenhum penalty. Inglaterra perdeu contra os Lusitanos, novamente. Depois deste Campeonato do Mundo, veio a época que ainda agora terminou e que apenas brindou o Chelsea com um título, conquistado há bem poucos dias: a Taça de Inglaterra contra o Manchester United. Drogba marcou nos descontos. Mais uma vez, se notou a dependência de Cole do colectivo: quando o Chelsea não apareceu, Cole também não o fez. Mesmo assim, a sua época foi fundamentalmente manchada por uma lesão mais ou menos grave que o afastou por algum tempo. Na Europa, onde o Chelsea voltou a encontrar-se com o Barcelona, jogou em 7 partidas. O Chelsea venceu a Fase de Grupos e nos oitavos-de-final eliminou o FCPorto! É certo que jogaram bem, mas não seria injusto se fossem os portugueses a passar. Após 1-1 no Dragão, o Porto marcou em Stamford Bridge e esteve de passaporte na mão. Porém, 2 golos dos londrinos, fizeram com que o carimbo pertencesse aos pupilos de José Mourinho. Joe Cole não jogou em nenhum dos dois jogos. Jogou contra o Valência, que também foi afastado, e contra o Liverpool, que, nos penalties, ganhou ao Chelsea. No campeonato, Cole apenas participou em 14 jogos e golos, nem vê-los. Agora que está totalmente recuperado, esperemos que faça uma época 2007/08 repleta de sucessos. Um jogador desta categoria merece tudo. O génio criativo de Joe Cole e a sua técnica absolutamente deliciosa já espantam muita gente e a maturidade parece ter aparecido, finalmente. O “brasileiro de Inglaterra” foi afectado pela onda de lesões que abalou o Chelsea, mas promete estar de volta a todo o vapor para o ano que vem. Talvez venha a ter mais um dissabor no Euro 2008, se encontrar Portugal. Até lá, é preciso que anglo-saxónicos e lusitanos se apurem. Definitivamente, é um dos meus jogadores preferidos e merece a reverência de todos os fieis seguidores do futebol internacional. Cole é um herói e tem capacidade para se tornar um deus. Veremos o que acontece!

    VÍDEO DO JOGADOR



    QUESTÕES SOBRE O JOGADOR

    Joe Cole tem lugar de caras na selecção, neste momento. Consideram que Joe Cole é dos jogadores mais evoluídos tecnicamente que já nasceram em Inglaterra?

    Muitas vezes chamam a Cole “brasileiro de Inglaterra”. Concordam com esta denominação?

    Qual o papel de José Mourinho na evolução, em especial táctica, do jogador inglês? Teve muita importância na modelação do carácter e das qualidades tácticas de Cole?

    quarta-feira, maio 16, 2007

    Jogador Atacante da Semana: Emmanuel Adebayor



    PERFIL DO JOGADOR

    Nome: Sheyi Emmanuel Adebayor
    Data de Nascimento: 26/02/1984 (23 anos)
    Clube: Arsenal FC
    Nº da Camisola: 25
    Posição: Ponta-de-Lança
    Altura: 1,90 metros
    Peso: 75 kg
    Naturalidade: Lomé – Togo
    Palmarés:

    • Melhor Jogador Togolês (2004)

    AVALIAÇÃO DO JOGADOR

    Sheyi Emmanuel Adebayor, o típico ponta-de-lança africano – força e velocidade. Com uns imponentes 190 cm, tem uma capacidade de salto notável e uma força física digna de registo, era de supor que Adebayor fosse um tosco que servia apenas para o futebol directo britânico: bola pelo alto e lá está Adebayor. Não. Este natural do Togo é bastante mais que isso. Tem mais técnica do que muitos avançados “baixotes” e, quando a capacidade física é capaz de se aliar à técnica e ainda à velocidade, o resultado está à vista – um jogador explosivo e temível. Peca, eventualmente, pela fraca capacidade de usar o pé esquerdo, por alguma inconsistência táctica e até por algumas debilidades no que concerne à postura em campo. É um jogador empenhado, mas talvez devesse começar a tentar assumir mais o jogo. Seja de frente para as malhas, para responder a um cruzamento ou de costas, para rodar e marcar, Adebayor é fortíssimo. O seu instinto e genuinidade futebolística dão prazer de ver. É, como já disse, o protótipo do africano que joga com alegria e sem grandes preocupações táctico/estratégicas (se bem que essa ideia de que o futebol africano é pouco táctico seja cada vez mais um falso pressuposto). Tem que evoluir nesse ponto. De resto, é um diamante em bruto, que está a começar a ser lapidado por um dos melhores ourives do mundo: Ársene Wenger. É um jogador-chave na selecção do seu país e poderá ajudar ao desenvolvimento do futebol togolês, assim como à difusão do mesmo. Em suma, é um futebolista cheio que talento, com força, técnica, velocidade, explosão, forte remate com o pé direito e com a cabeça. Capacidades para suceder a George Weah, Roger Milla, Kanu, Eto’o ou Drogba não lhe faltam. Veremos se é capaz de as aproveitar.

    BIOGRAFIA DO JOGADOR

    Do Togo a França, “le debut”…

    Tradicionalmente, o Togo é um país com fraca expansão futebolística a nível planetário. Não deixa, contudo, de ser o país-natal de uma das maiores pérolas africanas, o Jogador Atacante desta Semana – Emmanuel Adebayor. Jogou neste pequeno país até aos 15 anos, quando foi descoberto por olheiros europeus num torneio de juvenis na Suécia e mudou para França. Até lá, jogara na capital, Lomé, para onde os pais (nigerianos) haviam emigrado. Foi em 1999 que se transferiu para o modesto Metz, que o contratou após um curto período à experiência. Permaneceu nos escalões de formação durante dois anos, até 2001, quando integrou os quadros da equipa principal. Aos 17 anos, a jovem promessa africana estreou-se com a camisola dos “Grenats”. Actuou em 10 jogos e marcou por 2 vezes. Infelizmente para o Metz, não foi evitado o penúltimo lugar na Ligue 1. Desta maneira, Adebayor jogou na Ligue 2 durante a temporada 2002/03. Foi aqui que impressionou verdadeiramente em França e começou a ganhar alguma reputação a nível nacional. O FC Metz ficou no 3º lugar, o último lugar de subida, mas Adebayor já não estava no clube na época seguinte. Depois de marcar 13 golos e de ser titularíssimo (34 jogos), suscitou o interesse de vários colossos europeus, sempre em busca de talentos a despontar. Estugarda, Southampton, Juventus e o seu actual clube, Arsenal, tentaram contratar o jogador. Foi, contudo, o AS Mónaco a ganhar a dura batalha pelo passe do togolês. Aqui, esteve durante duas épocas e meia. Em 2003/04, o Mónaco teve uma das melhores temporadas da sua história e Adebayor contribuiu de alguma maneira para isso. Além do 3º lugar no campeonato, positivo para a formação do principado, o Mónaco chegou onde nunca tinha chegado na Europa: uma final europeia. Uma final da Liga dos Campeões. Estavam na equipa jogadores como Fernando Morientes, Dado Pršo e Shabani Nonda, logo a concorrência era bastante forte. Tal não impediu o jovem de 19 anos de actuar regularmente, em especial no campeonato. Jogou em 31 jogos e marcou 8 golos na Ligue 1. Muito bom! E na Europa, mesmo não tendo marcado, jogou em 9 jogos. Na Liga dos Campeões, importa referir o percurso efectuado pelos monegascos. Na Fase de Grupos, concluíram na liderança do grupo C, à frente do Deportivo da Corunha, do PSV Eindhoven e do AEK de Atenas. Com 3 vitórias, 2 empates e 1 derrota, merece destaque a goleada de 8-3 imposta aos galegos do Deportivo. O adversário nos oitavos-de-final era dos teoricamente mais fáceis, mas o Mónaco precisou de recorrer à vantagem dos golos fora para vencer. Falo do Lokomotiv de Moscovo. Na Rússia, o Mónaco perdeu por 2-1. No Mónaco, venceram os da casa por 1-0. Passou o Mónaco. Nos quartos-de-final, a mítica eliminatória contra o Real Madrid. No Santiago Bernabéu, o 4-2 favorável aos madrilenos dava quase garantias da passagem. Porém, no Stade Louis II, o Mónaco protagonizou um dos jogos mais fantásticos de sempre na história do clube. Morientes levou o Mónaco às costas e marcou o golo decisivo nesse jogo: ficou 3-1 para o Mónaco, 5-5 no agregado e a vantagem dos golos fora para a equipa do Adebayor ditou a passagem do Mónaco. Nas meias-finais, jogaram contra uma das equipas que, à partida, era uma das mais fortes – o Chelsea. O empate 1-1 na primeira-mão deixou tudo em aberto; a vitória por 2-1 na segunda-mão deu uma grande alegria a todos os adeptos do Mónaco. Do outro jogo das meias-finais, saltou o FCPorto para a final. Estava, então, agendada uma final inesperada para Gelsenkirchen para o dia 26 de Maio de 2004: FCPorto versus ASMónaco. O resultado, esse, já todos conhecem. Carlos Alberto, Deco e Alenichev marcaram os 3 golos do Porto, sem resposta. Mourinho e os seus pupilos levaram o FCP à segunda Taça dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões da sua história. No ano seguinte, o Mónaco repetiu o 3º posto na Ligue 1. O registo caseiro melhorou: 9 golos em 35 jogos; e na Europa finalmente fez balançar as redes. Fez 2 golos em 10 jogos na campanha europeia do Mónaco. Na 3ª Pré-Eliminatória, humilhou o ND Gorica, da Eslovénia, com um 9-0 (0-3 e 6-0). Fase de Grupos, o AS Mónaco ficou em 1º no grupo, com mais 2 pontos que o Liverpool e que o Olympiakos e mais 10 do que o infeliz Deportivo da Corunha. Novamente, o Mónaco goleou os espanhóis, desta feita por 0-5. O PSV Eindhoven, adversário batido na edição anterior, superiorizou-se ao Mónaco em 2004. Nos oitavos-de-final, 1-0 e 2-0 não deram hipóteses aos monegascos. Em 2005/06, ainda começou a época no Mónaco e fez 13 jogos e 1 golo na Ligue 1. Fez dois jogos nas competições europeias, os da 3ª Pré-Eliminatória da Liga dos Campeões, em que o Real Bétis derrotou o Mónaco por 3-2 (1-0 e 2-2). Em Janeiro, Arséne Wenger concretizou o sonho antigo de o ver com o símbolo do Arsenal ao peito.

    A partir de 2006: Arsenal e selecção do Togo…

    Chegou e impressionou. Marcou 4 golos em 13 jogos, na época passada. O Arsenal ficou em 4º lugar. Marcou contra o Birmingham, logo no jogo de estreia, em que o Arsenal ganhou por 0-2; marcou contra o Fulham numa goleada de 0-4; marcou contra o Charlton numa vitória por 3-0 e marcou contra o Aston Villa, numa nova goleada: 5-0. Mostrou serviço e os adeptos começaram a gostar deste jogador. Com um estilo parecido ao antigo avançado africano dos “Gunners” Kanu, começaram a surgir as comparações entre ambos. Adebayor sempre disse que o idolatrava. Não é por acaso que o seu número é o 25, outrora envergado pelo ponta-de-lança nigeriano. No final da temporada, deslocou-se à Alemanha com a selecção do seu país, para jogar o Campeonato do Mundo. É verdade que não tenho falado da selecção. Reservei esse momento para agora. Depois de uma decepcionante campanha na CAN 2006, o Togo alcançou o apuramento para o Mundial. Graças, fundamentalmente, a quem? A Adebayor. O Jogador Atacante de hoje foi o melhor marcador da fase de qualificação para o Mundial em África, com 11 golos. Aos 22 anos, foi a grande estrela da equipa do Togo na Alemanha. De resto, com a idade que tem conseguiu tornar-se o melhor marcador da história da sua selecção e um autêntico ídolo nacional. O Togo, infelizmente, não conseguiu pontuar: perdeu 2-1 com a Coreia do Sul, perdeu 0-2 com a Suiça e perdeu 2-0 com os vice-campeões mundiais, a França. Assim, Adebayor não conseguiu concretizar o sonho de marcar na Fase Final de um Mundial. Há umas semanas atrás, Adebayor e outros dois jogadores togoleses foram expulsos da selecção. Mesmo com 23 anos, foi o melhor jogador de sempre do Togo. Pena que agora não tenha oportunidade de fazer algo mais pelo seu país. Ele foi expulso por algumas confusões relativamente ao pagamento de prémios de jogo. Já este ano, parece que o Arsenal continuou a apostar em Adebayor. Não tem sido titular indiscutível, mas tem assumido grande importância no colosso inglês – são poucos os jogos em que não participa. Já marcou 8 golos em 28 jogos do Campeonato e na Liga dos Campeões jogou 8 vezes, apesar de ter ficado em branco no campo dos golos. Á 5ª jornada, marcou um golo ao Manchester United, em Old Trafford, que deu a vitória aos “Gunners” por 0-1. Foi também ele o autor do golo solitário que deu a vitória frente ao Wigan, fora – só para destacar os dois golos mais importantes. Participou na final da Carling Cup. Ainda estamos para ver como se irá desenrolar a história em torno da selecção. Um jogador da qualidade de Adebayor é um verdadeiro achado e dificilmente se arranjará alguém que, naquele país, chegue aos calcanhares do jogador do Arsenal. Se não voltar, terá mais oportunidades para demonstrar a qualidade que têm e que se espera que aumente nos próximos anos. De resto, tem apenas 23 anos e muita margem de progressão. Depois de Eto’o e Drogba terem sido considerados os melhores de África nos últimos anos, é provável que Sheyi ainda lhes venha a fazer frente!


    VÍDEO DO JOGADOR




    QUESTÕES SOBRE O JOGADOR

    Poder-se-á considerar Adebayor o líder de uma nova geração de avançados africanos, a seguir a Eto’o, Drogba, McCarthy ou Kanu?

    Terá características e qualidade suficiente para vir a tornar-se num dos maiores goleadores do campeonato de Inglaterra?

    Gostariam de ver Adebayor nos vossos clubes? Porquê? O que apreciam nele?

    quarta-feira, maio 02, 2007

    Jogador Atacante da Semana: Arjen Robben


    PERFIL DO JOGADOR

    Nome: Arjen Robben
    Data de Nascimento: 22/01/1984 (23 anos)
    Clube: Chelsea FC
    Nº da Camisola: 16
    Posição: Extremo
    Altura: 1,80 metros
    Peso: 80 kg
    Naturalidade: Bedum – Holanda
    Palmarés:

    • 1 Campeonato Holandês (2003)
    • 2 Campeonatos Ingleses (2005 e 2006)
    • 2 Taças da Liga Inglesa (2005 e 2007)
    • 1 Community Shield (2005)
    • 1 SuperTaça Holandesa (2003)
    • Melhor Jogador do mês de Novembro na Liga Inglesa (2005)
    • Melhor Jogador do Ano do FC Groningen (2001)
    • Melhor Jogador do Ano do PSV (2003)
    • Jogador Mais Talentoso do Campeonato Holandês (2003)


    AVALIAÇÃO DO JOGADOR

    O nº16 do Chelsea é, muito simplesmente, parte integrante de um lote de jogadores que, ainda jovens, podem vir a ficar para a história do desporto-rei. É maduro e ninguém diz que ele tem pouco mais de 23 anos. Assim, tendo em conta a enorme margem de progressão que ainda possui e a qualidade que já evidencia, só se poderá afirmar que tem em vista o estrelato. Poderá vir a fazer parte do conjunto onde Van Basten, Cruyff, Frank Rijkaard, Ruud Gullit, Ronald Koeman, Bergkamp ou Van Nistelrooy se incluem – o grupo dos melhores jogadores holandeses de sempre. O potencial está lá. Resta saber se Robben terá capacidade para o levar ao expoente máximo. Robben é extremamente tecnicista, e deste ponto de vista é dos melhores jogadores do campeonato inglês. Canhoto, rápido como uma flecha a correr pelas alas, com arrancadas estonteantes e diagonais finalizadas com mortíferos remates, este é o prato do dia para Robben. Finta muito bem, é um verdadeiro desequilibrador. Não é, porém, do mesmo estilo que Quaresma ou Ronaldo. É um ala vistoso, é certo, mas com um sentido colectivo muito mais acentuado e com fintas mais simples, mais rápidas e provavelmente mais incisivas (fazendo-me lembrar, por vezes, Ryan Giggs). A percentagem de passes acertados, sejam eles curtos ou longos, a visão de jogo e a capacidade de cruzar provam que o holandês não descura situações de envolvimento colectivo. Raramente percorre o corredor central, mas tem alguma tendência para flectir sobre o meio, de onde tenta por diversas vezes o golo, efectuando chutos cheios de classe. É que, além dos portentosos remates de meia e longa distância, Robben aparece não raras vezes na área adversária a tentar a sua sorte. E os seus dotes de finalizador são tudo menos maus! Peca pelo jogo aéreo, onde é fraco. Além disso, e apesar de andar a ser corrigido por Mourinho, não defende por aí além o que, no futebol moderno, é algo negativo. Mesmo assim é aguerrido e concentrado, além de que, sem bola, se movimenta muito bem, com desmarcações rápidas e inteligentes. Basicamente, Robben consegue conjugar os adjectivos “virtuoso” e “cerebral”. Rápido, explosivo, tecnicamente fantástico, com capacidade de desequilibrar no um para um, com diagonais fortes, com movimentações interessantes, inteligente, concentrado, bom passador, bom cruzador e portador de uma boa visão de jogo. Esta é a descrição mais curta e genuína de Robben, jogador que admiro muito e cujo talento, acredito, irá fazer cumprir os mais positivos prognósticos.

    BIOGRAFIA DO JOGADOR

    Holanda, berço do futebol moderno, berço de Robben…


    A Holanda foi o local onde nasceu o “Futebol Total”, a “Laranja Mecânica” e génios como Van Basten, Cruyff ou Gullit. A Holanda foi também, pois claro, o local onde nasceu o Jogador Atacante de hoje, Arjen Robben de seu nome. A Holanda é muito vago. A Holanda é grande. Bedum talvez não seja. Esta pequena cidade de dimensões idênticas à minha cidade (Seia) – com cerca de uma dezena de milhar de habitantes –, localiza-se na província de Groningen, no Norte do país das tulipas e dos moinhos. Depois de ter jogado em pequenos clubes locais como o C.V.V.B. ou o V.V. Bedum e depois de se ter tornado adepto do Método de Coerver (que, segundo investiguei, é um método criado por um treinador holandês, Coerver, que visa aperfeiçoar as capacidades técnicas do jogador [muito interessante, mas motivo para outro post, fica desde já o convite aos entendidos no futebol jovem]), o jovem rapaz transferiu-se para o já mais conceituado FC Groningen. Foi lá que jogou durante três temporadas. Durante a primeira época, jogou ainda nas camadas jovens do “Boeren”, marcando uns impressionantes 50 golos. Impressionou e o seu treinador começou a apostar nele na época 2000/01, quando jogou 18 jogos e marcou 2 golos. Foi o bastante para ser considerado o melhor jogador da equipa nessa época. O clube (primodivisionário, como se sabe) ficou na 14ª posição da tabela classificativa. Em 2001/02, foi contratado pelo PSV. Chamou demasiado à atenção para permanecer num clube cujas aspirações não passavam por lutar pela manutenção. Robben merecia mais. Com isto, surgiu o interesse do grande PSV, que aceitou emprestá-lo por uma época ao FC Groningen. Jogou a última temporada com este emblema, actuando em 28 ocasiões, com a possibilidade de fazer 6 golos. A equipa, essa, ficou no 15º posto. A mudança consumou-se: Robben trocou o Groningen pelo PSV no Verão de 2002, por cerca de 4 milhões de euros. Chegado a Eindhoven, fez 33 jogos e 12 golos no campeonato de 2002/03, contribuindo decisivamente para o título (à tangente) do PSV. A grande dupla ofensiva que criou com o sérvio Mateja Kezman, fez com que partilhassem o prémio de melhores jogadores do PSV nesse ano. Aparte isso, foi também considerado o jogador mais talentoso do campeonato holandês. 2003/04 foi a derradeira época, a última no seu país-natal. Ganhou a SuperTaça, na qual marcou um golo. O PSV não foi além do 2º lugar e Robben, durante algum tempo lesionado, não jogou tão bem como na primeira temporada no actual campeão holandês. Mesmo assim… muito bom. 23 jogos, 5 golos e uma transferência para o Chelsea garantida. O Manchester United ofereceu 8 milhões pelo jogador, pelo que o presidente do PSV disse que só vendia uma camisola autografada por esse preço. Os “blues” ainda comandados por Ranieri, acenaram com uma proposta de 18 milhões de euros, que foi prontamente aceite pelos responsáveis do clube do País Baixo. Importa falar da selecção nacional holandesa. Começou a jogar durante esta época e foi chamado ao Euro 2004 por Dick Advocaat. O torneio correu relativamente bem, visto que seguiram até às meias-finais, perdendo somente com a nossa selecção. A Holanda ficou em 2º lugar na Fase de Grupos, ficando no grupo D com a República Checa, a Alemanha e a Letónia. O primeiro jogo foi contra a Alemanha e o resultado final fixou-se em 1-1, sendo que Robben não pôs os pés no relvado. O mesmo não se pode dizer do segundo jogo, diante da República Checa, pois foi titular. Contudo, saiu do campo para dar lugar a Bosvelt, numa altura em que a Holanda ganhava por 2-1. Dois golos por parte dos checos inverteram o marcador e o seleccionador holandês foi bastante criticado por tirar o jovem prodígio. No último jogo, a Letónia sofreu uma derrota mais ou menos pesada, e a Holanda garantiu um lugar nos quartos-de-final da prova. Em Braga, 3-0 foi o resultado, com Robben a jogar os 90 minutos e a Holanda a superiorizar-se ao adversário em todos os aspectos do jogo. Nos quartos-de-final, a Suécia afigurava-se como adversário da Holanda. O jogo foi renhido, que terminou empatado 0-0 até ao fim dos 120 minutos, com Robben a ter nos pés o lance mais perigoso do encontro. Nas grandes penalidades, os neerlandeses levaram a melhor e Robben marcou o último e decisivo penalty para a Holanda, que permitiu à sua equipa chegar às meias-finais. Nesta fase do Euro, foi Portugal que lhes surgiu pela frente. Como bem se devem lembrar, o jogo foi espectacular, vivo e emocionante, com a vitória a sorrir à nossa selecção. Depois de um golo de Ronaldo aos 28 minutos e de um verdadeiro golaço de Maniche aos 58, o mais que a Holanda conseguiu fazer foi marcar por intermédio de Jorge Andrade, infeliz. Robben foi substituído por Van Hoijdoonk aos 81 minutos, numa tentativa desesperada de ainda chegar ao golo por parte do treinador. Quando Anders Frisk deu por terminada a partida, Robben e os seus companheiros fizeram as malas; os portugueses prepararam a final da Luz. Foi uma prestação positiva, não só a nível colectivo, como a nível individual para Arjen Robben.

    Conquistas pelo Chelsea manchadas pelas lesões…

    Chegou ao Chelsea FC ao mesmo tempo que Mourinho e toda a comitiva portuguesa que trouxe com ele. Foi com o treinador lusitano que o Chelsea conheceu os seus melhores dias, com um bi-campeonato nunca antes conquistado pelos “blues”. Há que salientar a importância do Jogador Atacante de hoje para todos os troféus recentemente vencidos pelo emblema londrino. E se Robben já se havia lesionado anteriormente, nada se pode comparar à onde de lesões que viveu em Stamford Bridge. Em 2004 e 2005 sofreu lesões no metatarso, na panturilha e no tornozelo. Suspeitou-se, inclusivamente, que teria cancro nos testículos. Quanto a isso, tudo ficou bem quando fez uma operação. Mesmo assim, nunca deixou de demonstrar o talento imenso e inato de que é possuidor, espalhando classe pelos relvados ingleses e europeus sempre que possível. Venceu os dois últimos campeonatos ingleses, o de 2004/05 e o de 2005/06. Se na primeira época em Inglaterra jogou apenas 18 jogos (7 golos marcados) para o campeonato, na segunda (a época passada) jogou 28 jogos (6 golos marcados). Teve ainda tempo para ganhar duas Taças da Liga Inglesa, em 2005 e em 2007 e para arrecadar uma Community Shield em 2005. Na Liga dos Campeões, tudo o que se pode dizer é que tanto em 2004/05 (eliminado pelo Liverpool) como em 2006/07, o Chelsea atingiu as meias-finais da competição (em 2005/06 foi eliminado pelo Barcelona nos oitavos-de-final). Este ano, não concretizou a possibilidade de ir a Atenas disputar a final e de se vingar dos “Reds”. Ontem, entrou no jogo já no prolongamento e foi o primeiro batedor de penalties. Falhou... e o Chelsea saiu da "Champions". Individualmente, ganhou o prémio de melhor jogador do mês de Novembro na Premier League na época de 2004/05, depois de ter marcado consecutivamente contra Everton, Newcastle e Fulham, mal chegou à equipa. Esta época, as coisas têm corrido pior, não só para Robben, como para o Chelsea. Para o campeonato, o extremo jogou 21 jogos esta época, marcando 2 golos, ambos contra o Wigan. Na Liga dos Campeões, marcou um precioso golo contra o FC Porto, em Stamford Bridge, crucial para carimbar o passaporte dos “blues” para os quartos-de-final da competição. Simplificando, Robben tem tido uma carreira com relativo sucesso e já demonstrou que tem imenso talento. Só não tem tido ainda mais destaque devido às constantes lesões que o assolaram desde que chegou ao Chelsea.

    Selecção: Mundial 2006 e Euro 2008…

    Para concluir, o Mundial 2006, onde participou. Inserida no grupo C, o “grupo da morte”, a Holanda ficou com a mítica Argentina, a surpreendente Sévia e a melhor selecção africana da actualidade: Costa do Marfim. A estreia sucedeu contra a Sérvia e Montenegro e o resultado foi 0-1 para a Holanda. O golo? Foi marcado por Robben. Com a missão de, a par de van Persie, servir van Nistelrooij, Robben actuou na ala esquerda. Aos 18 minutos, apontou o golo solitário que deu os 3 pontos à “Laranja a Mecanizar-se”. Novo jogo, nova vitória. Desta feita, foi a Costa do Marfim s vítima do rejuvenescido futebol holandês. Novamente titular, Robben não voltou a ter a felicidade de marcar. Foram precisamente os seus dois companheiros de ataque, os já referidos van Persie e van Nistelrooij, que facturaram no 2-1 diante do conjunto africano. Com a qualificação garantida, van Basten decidiu retirar Robben do onze inicial contra a Argentina, para que Kuijt jogasse. Esperava-se um encontro fantástico entre estas duas formações, que estavam a ser das melhores da prova, mas nenhuma quis arriscar, nenhuma se quis cansar muito e aquilo a que se assistiu foi a um espectáculo pobre e pachorrento que resultou num 0-0 final. Em Nuremberga, Portugal e Holanda mediram forças nos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo da Alemanha. Num jogo marcado pelas duas expulsões (duas para cada lado), Portugal dominou na 1ª parte e a Holanda dominou claramente na 2ª parte. Robben foi titular, mas foi mesmo van Persie que se destacou, passando por diversas vezes por Nuno Valente. No final, a vitória sorriu aos portugueses, cujo golo foi marcado pelo inevitável Maniche, um dos melhores jogadores do Mundial e aquele que começa a ser o “carrasco” da Holanda nas grandes competições. Depois do golo no Euro 2004, o golo no Mundial 2006. Foi o adeus da Holanda, num jogo frenético. No apuramento para o Euro 2008, já lideram o grupo G, à frente da Roménia, da Bulgária e da Bielo-Rússia (com mais um jogo do que estas três). Se as lesões acabarem para Robben, é de esperar que o jogador holandês se afirme definitivamente como um dos melhores do mundo, pois tem qualidades que poucos têm e a possibilidade de singrar no Chelsea, na selecção nacional ou noutro lado qualquer. Boa sorte para ti, Arjen Robben!


    VÍDEO DO JOGADOR




    QUESTÕES SOBRE O JOGADOR

    É ou será Robben, num futuro próximo, o grande símbolo da selecção holandesa?

    Sem as lesões, Robben teria tido ainda mais evidência ao longo do seu percurso no Chelsea?

    Mourinho tem alterado ligeiramente o esquema táctico e não dá muito espaço para os extremos. Será o Chelsea e o futebol inglês em geral aquele que mais poderá espremer o futebol de Robben?

    quarta-feira, abril 25, 2007

    Jogador Atacante da Semana: Robbie Keane


    PERFIL DO JOGADOR

    Nome: Robert David “Robbie” Keane
    Data de Nascimento: 08/07/1980 (26 anos)
    Clube: Tottenham Hotspur FC
    Nº da Camisola: 10
    Posição: Ponta-de-Lança
    Altura: 1,76 metros
    Peso: 72 kg
    Naturalidade: Tallaght (Dublin) – República da Irlanda
    Palmarés:

    • 1 Campeonato Europeu de sub-19 (1998)
    • Melhor Jogador do Ano do Tottenham (2003 e 2004)


    AVALIAÇÃO DO JOGADOR

    Com 26 anos, Robbie Keane é já um veterano do futebol britânico e um dos mais respeitados avançados desta região da Europa. Físico apenas o suficiente para se adaptar ao seu próprio habitat, Keane destaca-se dos demais devido à sua técnica prodigiosa e aos seus pés possuidores de um subtil toque latino. É algo frágil e é precisamente no poder de choque e na força que perde alguns lances, ainda que tenha capacidade física, como já disse, para aguentar o futebol corporal tipicamente britânico. O seu instinto goleador é outro dos aspectos característicos do seu futebol, não fosse ele ponta-de-lança. Convém salientar a sua mobilidade no ataque, pois tanto pode surgir mais fixo na área como pode jogar como segundo avançado (é o que acontece actualmente, quando joga ligeiramente mais recuado que o seu companheiro Berbatov). O seu estilo franzino e muito mais técnico do que o da maioria dos que têm a mesma proveniência do que ele adapta-se mais a esta missão de avançado do que propriamente de ponta-de-lança. Pode descair ligeiramente nas alas, pois tem alguma velocidade e aceleração, além do drible que tantas vezes baralha os seus adversários. É forte nas desmarcações e nos movimentos colectivos, defende alto e é um jogador com capacidade de passe superior ao habitual na sua posição, o que inclusivamente lhe permite jogar como médio ofensivo. Claramente destro, desenrasca-se com facilidade com o pé esquerdo, o que é mais um índice revelador da sua técnica apurada. É muito acarinhado pelos adeptos e, com um golo fantástico, um pormenor delicioso ou um passe a rasgar, tem o condão de levantar todo um estádio e deixá-lo rendido ao seu futebol encantado. Nota ainda para a implacabilidade nos lances de grande penalidade onde um falhanço é uma situação esporádica. Simplificando, Keane é um jogador que gosta de arriscar, que é bom nos lances individuais, mas que tem um grande sentido colectivo e procura as tabelas para facilitar a aproximação à baliza. Com uma técnica evoluída e um bom 1x1, é capaz de deleitar o anónimo adepto do desporto-rei e é rapaz para fazer golos atrás de golos num jogo ou numa competição graças ao seu instinto matador. Com a possibilidade de jogar como ponta-de-lança fixo, avançado móvel ou até mesmo nº10, Robbie Keane é um dos símbolos maiores da República da Irlanda e um dos símbolos maiores dos Spurs. Hoje trago-vos um avançado ilustre em Terras de Sua Majestade.

    BIOGRAFIA DO JOGADOR

    Irlanda, Inglaterra e Itália, o seu Início…

    Curiosamente, Robbie Keane, que nasceu no dia 8 de Julho de 1987 em Dublin, capital da República da Irlanda, é um dos melhores amigos do Jogador Atacante da Semana passada, Alan Smith, fruto da passagem comum pelo Leeds United. Começou num clube local, o Crumlin United, onde ganhava uma libra por cada golo marcado. E, passo a hipérbole, deve ter ficado rico só com isso! É que Keane demonstrou desde cedo uma enorme apetência para o futebol, muito especialmente para o golo. Olheiros das mais diversas partes da Grã-Bretanha vinham para observar o rapaz, que acabou por preferir o Wolverhampton, em detrimento de outros clubes como o Liverpool, por entender que poderia explodir na equipa principal mais cedo. E isso aconteceu. No Wolves, com uns escassos 16 anos, começou a jogar com uma frequência inimaginável. Jogou 38 jogos e marcou 11 golos no campeonato. A equipa situou-se no 9º lugar da Nationwide League Division 1. Entretanto, ainda ajudou sobremaneira a equipa sub-19 da República da Irlanda a conquistar o Europeu da categoria, ao mesmo tempo que os mais novos dos sub-17 repetiam a proeza. Ora, coincidência das coincidências, os números individuais mantiveram-se no ano seguinte, no que respeita ao campeonato. Os mesmos 38 jogos e os mesmos 11 golos no campeonato. A posição é que foi ainda melhor: 7º posto na “Liga de Honra” Inglesa. Exibições tão vistosas, tão positivas e tão produtivas, só poderiam resultar no salto para a Premiership. Antes disso, já Keane sabia o que era vestir a camisola da selecção AA. Ainda fez 2 jogos e 2 golos antes de deixar o Wolves, para depois seguir para rival Coventry City. Deixou o Molineux Stadium com um total de 88 jogos e 29 golos em todas as competições. Fantástico para um miúdo de 18 anos. Pelos “Singers” jogou apenas uma época, a de 1999/00, e voltou a mostrar a veia goleadora que já o caracterizava: 12 golos em 31 jogos no campeonato, ajudando o clube a alcançar o objectivo da manutenção. Era uma estrela em ascensão e ascendeu ainda mais quando o Internazionale de Itália desembolsou 13 mil libras para adquirir o passe do jovem irlandês. O Inter, como é costume, tinha uma equipa muito “fraquinha”, com os “coxos” Hakan Sukur, Recoba e Mutu na equipa, além dos “coxíssimos” Ronaldo e Vieri. As oportunidades, como era de esperar, rarearam. Jogou 6 jogos para o campeonato, estreou-se nas competições europeias na Taça UEFA, onde actuou por 3 vezes, mas golos… nem vê-los. Muito por culpa do pouco tempo que teve para mostrar o seu valor. Assim, regressou a Inglaterra, onde se mantém ainda hoje.

    Leeds United e Mundial 2002, dois marcos…

    Após pouca utilização na Série A, retornou à Premier League, para representar o Leeds United, onde conheceu um dos seus melhores amigos – Alan Smith (Jogador Atacante da Semana passada). Integrou os trabalhos dos “Peacocks” em 2000, por empréstimo pelo Inter, para completar a segunda metade da época. Actuou em 18 ocasiões, obtendo 9 golos, terminando com uma média de 0,5 golos por jogo. Bastante aceitável. Impressionou os adeptos e responsáveis técnicos do Leeds e adquiriram imediatamente o jogador. Seria, provavelmente, importantíssimo frisar a carreira europeia protagonizada pelo Leeds United na época de 2000/01, mas julgo que isso seria algum insultuoso para aqueles que semanalmente lêem a rubrica, pois essa caminhada gloriosa até às meias-finais da Liga dos Campeões foi minuciosamente descrita na última edição do Jogador Atacante da Semana. Além do mais, Alan Smith participou em competições europeias com o Inter e foi impedido de jogar. Ora, voltando a 2001/02, a carreira foi um tanto ou quanto desapontante, pois só facturou por 3 vezes no campeonato em 25 jogos. Mais impressionante foi o seu registo na Taça UEFA, pois marcou o mesmo número de golos com um número de jogos bastante mais reduzido – 6. Ainda assim, o Leeds ficou no 5º lugar do campeonato, o que acabou por ser positivo. Voltando um pouco atrás no tempo para nos concentrarmos na selecção, a República da Irlanda conseguiu qualificar-se para o Mundial de 2002. Ficou no mesmo grupo de Portugal na Fase de Apuramento e até conseguiu o mesmo número de pontos do que os lusitanos, 24, mas o “goal average” ditou que nós passaríamos imediatamente. Até no confronto directo fomos iguais: ambos os jogos disputados entre as duas equipas ficaram 1-1. Para conseguir um lugar na Coreia e no Japão, teve que disputar um Play-Off contra o Irão, que ficou em segundo lugar no grupo da Arábia Saudita e ganhou depois aos Emiratos Árabes Unidos, garantido a presença no Play-Off. A Irlanda ganhou em Dublin por 2-0 e o Irão em Teerão por 1-0. Conclusão: presença garantida pelos europeus. Assim, a Irlanda chegou a terras asiáticas sem nenhum fardo nem nenhuma responsabilidade. A única exigência era darem tudo de si e dignificarem o país. No entanto, o grupo (Alemanha, Camarões e Arábia Saudita) até era acessível e pedir uma chegada aos oitavos-de-final não era demais. A estreia poderia ter sido comprometedora, com 1-1 contra os Camarões. No outro jogo do grupo, a Alemanha goleou os asiáticos por 8-0 (!). Surpreendente foi o empate entre europeus: Alemanha e Irlanda marcaram um golo cada um. Klose, aos 19, fez o primeiro e o nosso Jogador de hoje, Keane, marcou já nos descontos o único golo sofrido pelos germânicos antes da final. O mesmo jogador, “Keano”, inaugurou o marcador aos 7 minutos contra a Arábia Saudita, abrindo caminho para a “meia goleada” por 3-0. E se as responsabilidades da Irlanda até nem eram muitas, a verdade é que por pouco não chegaram aos quartos-de-final. Nos oitavos-de-final, a Espanha foi o grande adversário. Morientes marcou aos 8 minutos e Keane (quem mais?) igualou de penalty aos 90 minutos. Como não houve golos no prolongamento, teve que ser a lotaria das grandes penalidades a decidir o lugar na fase seguinte. A sorte calhou aos hispânicos que conseguiram ganhar por 3-2. Robbie Keane, o primeiro a cobrar, converteu o penalty, mas isso de nada valeu em termos colectivos. Em 2002/03, fez 3 jogos pelo Leeds e marcou por 1 vez. Mesmo antes do fecho das transferências, mudou-se para White Hart Lane.

    Tottenham, até chegar a ídolo…

    Em 2002/03 chegou e arrasou, marcando 13 golos em 29 jogos pelos Spurs. Foi escolhido pelos adeptos como o Melhor Jogador do Ano e preponderante na chegada até ao 10º lugar do Tottenham. Em 2003/04, fez 34 jogos para o campeonato e marcou 14 golos. Ainda marcou noutras competições. O Tottenham, contudo, desceu em relação ao ano anterior, quedando-se por um desprestigiante 14º lugar. Tal não invalidou que se voltasse a tornar o Melhor Jogador do Ano. Só por aqui, dá para perceber o carinho e admiração que os adeptos já nutriam pelo avançado britânico. Mal chegou, tornou-se um ídolo do clube londrino. Falhou o Euro 2004, pois a Irlanda ficou no 3º lugar do grupo 10 na Fase de Apuramento, imediatamente a seguir à Suiça e à Rússia, superando as modestas selecções da Albânia e da Geórgia. Em 2004/05, já com a companhia de Pedro Mendes, marcou 17 golos no total das competições, 11 no campeonato (em 35 jogos). Ficaram em 9º. Nessa época, teve um comportamento pouco profissional depois de não ter entrado em campo. Pagou uma multa, jogou pelas reservas, sendo severamente castigado. Kanouté e Defoe foram titulares, Mido entrou em jogo e Keane ficou visivelmente aborrecido por ser a 4ª opção naquele jogo. Porém, na época passada Mido e Defoe começaram por ser titulares, mas Keane rapidamente mostrou que também ele pretendia integrar o onze base. E conseguiu. Voltou a ser titularíssimo e fez 36 jogos para o campeonato, marcando 16 golos e situando-se no Top5 dos melhores marcadores da Premier League. Em Novembro do ano passado marcou um hat-trick contra São Marino e consolidou a sua posição de melhor marcador de sempre da história da selecção da República da Irlanda. E só tem 26 anos! Em segundo lugar, vai o actual seleccionador, que é também o jogador com mais internacionalizações – Steve Staunton. Esta época, fruto da 5ª posição alcançada na temporada passada, conseguiram o apuramento para a Taça UEFA. Na Primeira Ronda, ganharam ao Slavia de Praga pela margem mínima na primeira-mão e na segunda-mão: 1-0 e 0-1. Deste modo, apuraram-se para a Fase de Grupos, onde ficaram em 1º. Encontraram o Dínamo de Bucareste e o Bayer Leverkusen que passaram também e deixaram pelo caminho Besiktas e Club Brugges. Nos dezasseisavos-de-final ficaram automaticamente apurados, depois da polémica que se gerou em torno do Feynoord, que iria jogar com os Spurs, por alegada batota no jogo com o Nancy. Nos oitavos-de-final, como sabemos, eliminaram o Braga. Em Braga venceram por 2-3 na primeira-mão mas o Braga, ainda que mantendo sempre uma postura digna e atrevida, voltou a perder, desta vez em Londres por 3-2. Na primeira-mão, Keane marcou dois golos, aos 57 e aos 90 minutos respectivamente. Na segunda-mão, foi a vez de Berbatov bisar. Só o Sevilha, campeão em título, conseguiu parar os ingleses. Na primeira-mão, em Espanha, Keane marcou logo aos 2 minutos e aumentou as esperanças vindas do Reino Unido. Porém, o seu ex-companheiro Kanouté repôs a igualdade aos 19 minutos de penalty e Kerzhakov voltou a marcar ainda na primeira parte, fazendo o resultado final: 2-1 para os da casa. Na segunda-mão, o 2-2 deu a vitória ao Sevilha. Os hispânicos começaram logo a vencer por 0-2, mas 2 golos de rajada por Defoe e Lennon deram falsas aspirações aos ingleses, que foram eliminados. No campeonato, as coisas correm mais ou menos bem: vão em 8º mas a 1 ponto do 7º e a 4 do 5º. Tudo é possível, inclusivamente a Europa. Falando de Keane em particular, leva já 8 golos marcados e tem feito dupla com Berbatov na frente de ataque do Tottenham. Sofreu um pequeno revés na jornada 15, onde se lesionou, mas 7 jogos depois, já estava recuperado. Já jogou 23 vezes, nem sempre os 90 minutos, e portanto 8 golos é uma marca bastante aceitável. Veremos se Robbie Keane consegue explodir a sério, se consegue fazer uma época maravilhosa para dar definitivamente o salto para uma grande equipa europeia, pois tem uma qualidade muito acima da média e poderá vir ainda a surpreender muita gente. Já é o melhor marcador da história da sua selecção, já é vice-capitão do Tottenham e uma das suas maiores figuras, foi a um Mundial e já é dos mais respeitados avançados da sua Liga, a melhor do mundo. Confesso que estou ansioso por saber qual será a sina deste irlandês.

    VÍDEO DO JOGADOR




    QUESTÕES SOBRE O JOGADOR

    É justo deixar Jermaine Defoe no banco para permitir a Keane fazer dupla com Berbatov no ataque do Tottenham?

    Possivelmente, Keane nunca mais participará num Mundial. Este é um dos casos em que se tem o azar de nascer num país cuja tradição não corresponde ao valor do jogador?

    O que pensam de Keane e das suas capacidades?

    quarta-feira, abril 18, 2007

    Jogador Atacante da Semana: Alan Smith



    PERFIL DO JOGADOR

    Nome: Alan Smith
    Data de Nascimento: 28/10/1980 (26 anos)
    Clube: Manchester United
    Nº da Camisola: 14
    Posição: Avançado
    Altura: 1,73 metros
    Peso: 70 kg
    Naturalidade: Rothwell (Leeds) – Inglaterra
    Palmarés:

    • Melhor Jogador do Ano do Leeds United (2000 e 2001)
    • 1 Taça da Liga Inglesa (2006)


    AVALIAÇÃO DO JOGADOR

    Qualquer espectador assíduo do futebol inglês, ou qualquer pessoa que já tenha visto um ou dois jogos de Alan Smith fica imediatamente a perceber qual a sua maior característica – agressividade. Eu tenho dito de alguns jogadores que têm uma grande entrega ao jogo e que se esforçam imenso para alcançar a vitória. Smith, contudo, leva isso ao extremo e é dos jogadores mais “raçudos” que já vi. O inglês é de uma determinação sem limites e deixa suor, sangue e lágrimas em todos os jogos que disputa. O mais impressionante é que, apesar dessa sua virilidade e desse seu espírito combativo, consegue ser um jogador elegante e com uma técnica bastante apurada. A sua qualidade técnica é outra das razões que leva os adeptos a gostarem dele. Importa, claro, referir também a sua mobilidade no que respeita aos sistemas de jogo. É um avançado de raiz, disso ninguém tem dúvidas, e foi nesse posição que jogou praticamente toda a sua carreira. No entanto, é extremamente versátil do ponto de vista táctico, o que, inclusivamente, fez com que substituísse Roy Keane como trinco do Manchester United. A posição de médio defensivo, por muito bizarro que pareça por ser, a nível de mecanismos tácticos e de habilidades técnicas, quase oposta à de ponta-de-lança, não lhe é estranha e consegue ter cultura táctica suficiente para se enquadrar em diversos pontos do terreno sem baixar muito o seu rendimento. É completo, o que acaba por ser vantajoso e desvantajoso ao mesmo tempo. É a velha história: ser muito bom numa coisa ou ser bom em várias? Felizmente para Smith, consegue ser muito bom como avançado e razoável com outras missões tais sejam a de médio defensivo ou nº10. A rapidez de movimento e de pensamento permitem-lhe jogar de primeira e de forma fluida, muito ao jeito britânico, e a sua qualidade técnica, assim como a sua qualidade táctica, conferem-lhe características muito particulares e apreciáveis. Há que destacar outros aspectos como o bom jogo aéreo, a força e a resistência, tão importantes como médio defensivo como avançado. No fundo, acho que o tornou melhor jogador a passagem por uma posição não rotinada, pois fez com que ganhasse alguns atributos que lhe serão indispensáveis à vida de futebolista, são mais valias como avançado e úteis numa posição mais ofensiva. Roubar uma bola na frente, antecipar-se ao adversário ou saber marcar um opositor são alguns exemplos de acções que Smith praticou e que, numa circunstância ou noutra, lhe poderão valer golos lá na frente. Independentemente da posição no campo, este profissional de futebol manifesta sempre um grande espírito de sacrifício, de trabalho em prol de um todo, de lutador e de ganhador. A determinação, a raça, a bravura, a valentia e a coragem que demonstra só provam que o futebol é uma autêntica batalha e dentro das quatro linhas se pode assumir uma postura bélica e combativa. O objectivo máximo é ganhar, mas sempre com a típica lealdade do futebol inglês, sem fitas nem batotices. Para ganhar a guerra (campeonato) precisam de se ganhar batalhas (jogos), e as melhores armas que Smith tem para ajudar a sua nação (equipa) são as capacidades técnicas muito boas (ao nível do passe, do remate, da finalização, do cabeceamento, do desarme, da finta, etc.), as capacidades tácticas (como a mobilidade, a facilidade de posicionamento, a leitura de jogo e a cultura táctica) e as capacidades físicas (força, impulsão, resistência e velocidade), bem como as capacidades psicológicas (as tão já referidas atitudes de determinação, querer e combatividade).

    BIOGRAFIA DO JOGADOR

    Leeds United, o seu primeiro clube…

    São poucos os jogadores que entram directamente num grande clube, sem antes terem algumas experiências em formações modestas ou clubes de bairro. Alan Smith, nesse aspecto, não foge à regra e, apesar de ter entrado no Leeds United com uns tenros dez anos de idade, jogou alguns jogos ao serviço de pequenos emblemas locais. Nascido em Rothwell, nas imediações da grande cidade que é Leeds (quase meio milhão de habitantes), frequentou os balneários de Oulton Owls e Rothwell. Chegado ao Leeds United, o grande da cidade e um dos grandes do país, depois de ter batido o recorde de golos numa época do Rothwell – 92, começou logo a impressionar. Com 14 anos foi escolhido para o “National School of Soccer Excellence” mas o desinteresse e uma grave lesão no tornozelo fizeram-no abandonar, até porque estava separado da sua família. Com 16 anos, estreou-se na equipa de reservas e foi, em 1997/98, alternando os treinos com a equipa de reservas e com o plantel principal, para se estabelecer definitivamente com os melhores em 1998/99. Logo na temporada de estreia, somou 22 presenças, o que é muito positivo para um jovem de 17/18 anos. Quando a estes 22 jogos acrescentamos 7 golos, então estamos perante um caso sério de qualidade. O Leeds United ficou na 4ª posição e Smith começou a dar nas vistas. Em 1999/00, marcou 4 golos em 25 jogos, solidificando a sua posição dentro da equipa. Já na Taça UEFA, o clube destacou-se e conseguiu chegar às meias-finais. O Galatasaray ganhou 2-0 na primeira-mão e um empate na segunda-mão deu a passagem aos turcos que conquistaram o troféu dias mais tarde. Nesse ano, equipa subiu para a terceira posição no campeonato, o ano de maior glória para os “Whites” e de plena afirmação internacional foi o de 2000/01, quando atingiram as meias-finais da Liga dos Campeões. Eu tinha 9 anos quando isto aconteceu mas recordo-me perfeitamente de apoiar a equipa inglesa por ser um completo “outsider” à vitória na Champions. No campeonato, Alan Smith passou a barreira da dezena de golos pela única vez na sua carreira, marcando 11 golos em 33 jogos disputados, e foi importantíssimo para a manutenção do 4º posto na tabela classificativa. Mas regressando à Europa, a caminhada dos “Peacocks” foi colossal. Para já, não acederam directamente à Fase de Grupos, tendo tido que disputar a Terceira Pré-Eliminatória. Os adversários vinham da Alemanha – TSV Munique 1860. O Leeds venceu os dois jogos – 2-1 e 1-0 – e garantiu, por isso, um lugar na 1ª Fase de Grupos. Para quem tinha o AC Milan e o Barcelona no mesmo grupo e ainda o Besiktas a ajudar à festa, não era de esperar um futuro muito promissor. Porém, contra todas as expectativas, o Leeds passou. O início foi catastrófico: foram ao Camp Nou perder por 4-0. Com alma de campeões, não deitaram à toalha ao chão (este espírito é o reflexo da atitude de Smith) e foram em busca do apuramento. A difícil vitória contra os italianos por 1-0 e a estrondosa goleada contra os turcos por 6-0 acalentaram esperanças, que só foram refreadas com três empates: 0-0 na Turquia, 1-1 contra o Barcelona em Elland Road e 1-1 em Itália. O 2º lugar, atrás do AC Milan e à frente do Barcelona, foi o suficiente para passar à 2ª Fase de Grupos. O grupo, desta feita, era constituído por Real Madrid, Anderlecht e Lazio. Voltaram a começar mal, com duas derrotas, mas voltaram a passar. Perderam 0-2, em casa, com o Real Madrid e 0-1 com a Lazio no Olímpico de Roma. A primeira vitória só foi obtida no seu estádio contra o Anderlecht, 2-1. Com o mesmo adversário, mas na Bélgica, ganharam 1-4. No Santiago Bernabéu tornaram a perder, por 3-2, mas dificilmente o apuramento lhes escapava, pelo que o 3-3 contra a Lazio foi mais do que suficiente para passar. Começava a tornar-se a equipa revelação da prova, ainda que sem comparação com o Porto e o Mónaco em 2004 ou o Villareal no ano passado. Mais surpresa causaram quando, nos quartos-de-final, ultrapassaram a poderosa equipa do Deportivo da Corunha, que tinha sido campeão espanhol pela única vez na sua história na época anterior e que terminou esse ano na segunda posição. O “nosso” Pauleta e Roy Makaay eram os grandes avançados da equipa e havia no meio-campo nomes como Djalminha, Fran, Scaloni ou Mauro Silva, assim como o “nosso” Hélder, Naybet, Schürrer Manuel Pablo, Romero ou Flávio Conceição na defesa. A primeira-mão terminou com um resultado que tinha tão de inesperado como de positivo para o Leeds: 3-0. Na segunda-mão, perderam por 0-2 e a presença nas meias-finais era uma realidade. O Valência empatou 0-0 na primeira-mão, mas na segunda-mão, com tudo em aberto, os espanhóis arrancaram um 3-0 que não deu hipóteses aos britânicos. Mesmo assim, deu para ver que o “puto” do Leeds, Alan Smith, era um excelente jogador. Todos o puderam constatar, inclusive o seleccionador de Inglaterra, que o fez estrear-se pela selecção no dia 25 de Maio contra o México, após todo um percorrer dos escalões jovens da selecção nacional. Em 2001/02 voltou a exibir-se em bom plano, no 5º lugar do Leeds United na Premiership, jogando 23 jogos e marcando 4 golos. Tanto a nível colectivo como individual, as coisas não correram tão bem como no ano transacto, mas tal seria complicado de acontecer. Jogou nos sub-21 enquanto a selecção inglesa, sem ele, foi para a Coreia e para o Japão disputar o Campeonato do Mundo de 2002. Fowler, Owen, Heskey, Sheringham e Vassell foram nomes mais fortes e os escolhidos por Eriksson. Tal não invalidou que fosse considerado o melhor jogador da equipa em 2002 e também em 2003. Em Setembro de 2002 estreou-se a marcar com as cores do seu país frente a Portugal, num empate a uma bola, quando marcou um golo de belo efeito. Esse foi, de resto, o único golo marcado por Smith até hoje na selecção principal. Em 2002/03 começou a verdadeira decadência do Leeds United, que hoje luta para não descer no segundo escalão do futebol inglês. O Leeds United, que jogava sempre para conseguir um lugar na Europa, ficou na 15ª posição e os jogadores, a nível individual, ressentiram-se disso. Jogou 33 jogos e marcou uns míseros 3 golos. Em 2003/04 acabaram mesmo por não evitar a descida e foi uma caça autêntica aos bons valores da equipa, da qual se destacava Smith, um jovem cheio de valor e potencial para explodir, que vinha com 9 golos e 35 jogos dessa época e uma grande vontade de triunfar no mundo do futebol.

    De United para United, de Leeds para Manchester…

    Mudou de United para United, no caso do Leeds United para o Manchester United. Saiu emocionado, choro una despedida, e deixou para trás uma massa adepta louca por Alan Smith, que inclusivamente lhe atribuiu o prémio de melhor jogador do Leeds United em dois anos consecutivos, 2002 e 2003. Essa massa adepta, note-se, ficou muito magoada, não por ele ter saído numa altura crítica, porque compreenderam que o jogador precisava de sair, mas por sair para o Manchester United, clube rival. O que é facto é que se deixou uma massa adepta que o admirava profundamente, rapidamente conquistou outra – os adeptos do Manchester começaram a adorá-lo pouco tempo após a sua chegada a Old Trafford. Estreou-se na Community Shield, na derrota da sua equipa por 3-1 diante do Arsenal e em 2004/05 jogou em 31 partidas do campeonato e marcou 6 golos, o que lhe valeu as últimas três chamadas à selecção do seu currículo, em 2005, e uma palavra importante no 3º lugar do Manchester no campeonato. A concorrência dentro do clube era forte, com Wayne Rooney e Van Nistelrooj à cabeça, o que fez com que ocupasse o banco em alguns jogos. No inicio da época passada, 2005/06, Sir Alex Ferguson preparou-o para substituir Roy Keane no eixo defensivo da equipa, fruto das suas características em comum com o irlandês – a raça, determinação e virilidade, assim como a disciplina táctica e recursos técnicos admiráveis. Contudo, isso quase não passou de um projecto, já que se lesionou com extrema gravidade num embate contra o Liverpool quando partiu o tornozelo (ver vídeo). Smith ainda jogou 21 jogos, com 1 golo marcado, mas a partir daí teve que abandonar a competição por longos e penosos meses. Após todo esse tempo de recuperação (mais rápida do que o previsto, mas ainda assim morosa), começou a jogar na equipa de reservas até estar a 100% e o seu regresso sucedeu há relativamente pouco tempo, em Setembro de 2006, frente ao Benfica, onde jogou 5 minutos. Entretanto, voltou a entrar como substituto nos jogos contra o Copenhaga e Lille, ambos a contar para a Liga Milionária, mas a partir daí retornou às reservas. O ressurgimento definitivo, deu-se no mês passado, Março de 2007, quando entrou aos 75 minutos num jogo contra o Lille, novamente. A partir daí, tem sido introduzido nos jogos aos poucos, para ir cimentando um lugar no onze titular. Ontem, na vitória por 2-0 contra o Sheffield United, foi titular e levou mesmo um cartão amarelo aos 29 minutos de jogo. Já havia sido titular contra a Roma para a Liga dos Campeões, quando conseguiram o apuramento para as meias-finais. Basicamente, depois um vastíssimo interregno, está a voltar aos poucos neste final de época, para, quem sabe, regressar em força no próximo ano e porventura conquistar um lugar na selecção nacional que o leve ao Europeu de 2008. Escusado será referir a fabulosa temporada que está a fazer o Manchester United (muito por culpa do jogador mais bem pago do mundo, Ronaldo), com as meias-finais da Liga dos Campeões garantida, a final da Taça da Liga garantida e o 1º lugar no campeonato. É quase certo que irá aumentar o seu palmarés esta época. Veremos o que o futuro reserva a este jovem mas experiente jogador, se conseguirá ou não impor-se na selecção e no clube, porque qualidade e mentalidade não lhe falta!



    VÍDEO DO JOGADOR



    QUESTÕES SOBRE O JOGADOR

    O que acham dos jogadores que, como Smith, trocam uma equipa por uma rival?

    Alan Smith joga melhor na sua posição natural – avançado, ou como médio defensivo?

    Estará para breve a sua afirmação definitiva na selecção nacional? O que lhe falta?





    quinta-feira, abril 12, 2007

    Jogador Atacante da Semana: Fernando Torres


    PERFIL DO JOGADOR

    Nome: Fernando José Torres Sanz
    Data de Nascimento: 20/03/1984 (23 anos)
    Clube: Atlético de Madrid
    Nº da Camisola: 9
    Posição: Avançado
    Altura: 1,83 metros
    Peso: 78 kg
    Naturalidade: Fuenlabrada – Espanha
    Palmarés:

    • Melhor Jogador Juvenil da Europa (1999)
    • 1 Campeonato Europeu de sub-17 (2001)
    • Melhor Marcador do Campeonato Europeu de sub-17 (2001)
    • Melhor Jogador do Campeonato Europeu de sub-17 (2001)
    • 1 Campeonato Europeu de sub-19 (2002)
    • Melhor Marcador do Campeonato Europeu de sub-19 (2002)
    • Melhor Jogador do Campeonato Europeu de sub-19 (2002)


    Antes de tudo, vejo-me na obrigação de pedir sinceras desculpas pelo atraso da publicação desta rubrica semanal e assumo a responsabilidade do erro. O post deveria ter sido colocado "no ar" ontem, mas algumas falhas de comunicação com outros intervenientes resultaram neste pequeno lapso que espero não tornar a suceder. Posto isto, falemos de Torres.

    AVALIAÇÃO DO JOGADOR

    Quem nunca ouviu falar de Fernando Torres, “El Niño”? É, neste momento, dos jogadores mais populares do mundo e estranho era se nunca lhe tivesse chegado aos ouvidos este nome. É um avançado móvel, moderno, com capacidade para fazer tudo aquilo que se pede aos homens da sua posição. Tecnicamente fortíssimo, o espanhol cria espaços e brechas durante as partidas e marca muitos golos, explodindo como o furacão “El Niño”. O que ele realmente gosta é de ter o esférico em seu poder e “trata a bola por tu”, não se acanhando perante prestigiados e experientes defesas, nem temendo seja quem for. Com a bola controlada, este futebolista acredita nas suas capacidades e executa na perfeição quase todas as suas acções. Rápido como o vento e com um poder de arranque altamente assinalável, Torres assume-se como um dos melhores avançados do mundo há já algum tempo, mesmo tendo 23 anos. Assusta pensar que já é figura de proa do Atlético de Madrid, que tem a grandeza que tem, capitão de equipa e porta-estandarte da bandeira madrilena. Grande atirador de longe, de perto, com a cabeça e com os dois pés, é um jogador que tem o olhar e instinto felinos constantemente focados na baliza mas é inteligente na procura do golo. É exímio nas tabelas e passes curtos, fantástico na ocupação de espaços e percepção táctica do jogo, possuidor de uma leitura rápida e movimentações mortíferas, senhor de uma classe sem limites e de uma elegância fenomenal e um grande profissional. O seu amor ao clube é público e notório e o profissionalismo é revelado todas as semanas, em todas as conversas com a imprensa e nos gestos que tem para com os seus adeptos e para com o próprio Atlético. Fidelidade é palavra de ordem na cabeça e no coração do jovem avançado e nunca voltou as costas à formação “colchonera”, mesmo quando a forma e os resultados estavam longe do ideal. É já um exemplo dentro do balneário e é respeitado por todos, tendo um sentido de liderança incomum. A bravura com que se debate dentro do terreno de jogo, a determinação e a “relva que come” deixam transparecer o seu carácter humilde. A inteligência com que se move na procura da bola, com trocas sucessivas de flanco e jogo de costas para a baliza; a inata apetência para o futebol técnico e bonito; a qualidade ao nível da finalização; a aceleração e velocidade; o jogo aéreo; a disponibilidade táctica e física e os índices de ambição, coragem, liderança, trabalho, concentração e profissionalismo constituem os principais ingredientes para que Torres se continue a classificar como um jogador espantoso e refinado.


    BIOGRAFIA DO JOGADOR

    O pequeno Torres…


    Nascido em Fuenlabrada, cidade próxima da capital espanhola, Torres entrou em contacto com o futebol desde muito cedo. Aos dois anos começou a brincar com a bola do seu irmão e aos cinco já fazia parte de uma pequena equipa de bairro. Saltou de clubezinho em clubezinho, sempre com o sonho de se tornar profissional, sonho esse alimentado fortemente pela série televisiva “Oliver e Benji”, como o próprio admite. Só em 1995, quando tinha 11 anos, é que ingressou definitivamente no clube que, até agora, nunca mais abandonou e que é o do seu coração: o Club Atlético de Madrid, fundado em 1903. O seu amor incondicional pelo emblema do Atlético surgiu das longas conversas que tinha com o seu avô, que lhe transmitiu todo os valores relacionados com “Atleti” a Fernando, criando-lhe uma imensa afeição e fascínio pelos “rojiblancos”. Todos esses sentimentos cresceram quando, aos 9 anos, o pai o levou à sala de troféus dos “Indios”. Curiosamente, gostava de ser guarda-redes quando era pequeno, mas rapidamente mudou para avançado. Antes de ir para o Atlético de Madrid, passou por uma equipa de futsal onde jogou durante três épocas e onde se apercebeu do espírito da equipa e da importância do colectivo. Foi aí que começou a moldar a sua personalidade ganhadora e ambiciosa e, claro, as suas qualidades futebolísticas que actualmente todos lhe reconhecem. Mas no ano anterior à ida para o Atlético, com 10 anos, jogou numa equipa – Rayo 13 – onde marcou 55 golos numa temporada, o que lhe valeu a possibilidade de tentar entrar no conjunto “colchonero”. E conseguiu. A sua família foi importantíssima no processo de formação de Fernando Torres, não só porque sempre o encaminharam da melhor maneira e lhe deram os conselhos certos, como abdicaram de muita coisa e fizeram muitos esforços para poder conferir-lhe a possibilidade de tornar o seu sonho realidade. Desde viagens de autocarro e comboio que faziam só para acompanhar o pequeno nos treinos, a deixaram de trabalhar para o irem por ao campo de treinos, até os irmãos estudarem nas bancadas enquanto Torres se divertia. O passatempo começou a tornar-se mais sério e a qualidade era demasiada para ser só isso, um passatempo. Quando aos 14 anos foi considerado o melhor da Europa na sua faixa etária, percebeu realmente que poderia vir a tornar-se profissional. E isso não tardou muito. Com 15 anos (!) assinou um contrato profissional e finalmente o sonho de se tornar jogador do Atlético de Madrid estava concretizado. Esteve lesionado, mas regressou em pleno, no Europeu de sub-17 onde, não só se sagrou o melhor marcador, como foi eleito o melhor jogador do torneio. Um ano depois já estava nos sub-19 e repetiu a proeza de se tornar o melhor jogador e o melhor marcador da competição.


    Equipa principal do Atlético, a concretização de um sonho…

    Foi-lhe dada a notícia, em 2001, que iria incluir os quadros da equipa principal do Atlético de Madrid. Foi chegar, ver e vencer. De imediato conquistou o carinho de todos os adeptos e a admiração do treinador e companheiros de equipa. E penso que o facto de o Atlético estar na segunda divisão aquando da estreia desta jovem promessa (hoje certeza), ajudou a retirar alguma pressão do capote e permitiu a Torres começar a ter um papel muito activo na equipa. Ao mesmo tempo que era a “mascote” por ser tão novinho, era um jogador cada vez mais influente e a sua estreia no escalão principal ocorreu em 2002/03, quando o Atlético garantiu o 12º lugar e Torres se começou a mostrar ao mundo e a encantar todos os olheiros e amantes do futebol em geral. Os 13 golos em 29 jogos na primeira época enquanto primodivisionário são o resultado de uma personalidade forte e sem medos e, claro, de todas as suas apetências físicas, técnicas e tácticas. É nesta época e na época 2003/04 que todos acabam por se render ao talento do espanhol. Tanto, que vai mesmo à selecção logo no ano de 2003, com uns míseros 19 anos, curiosamente contra a selecção nacional portuguesa. Em 2003/04, o Atlético pareceu esboçar um regresso à alta-roda do futebol hispânico com um 7º lugar e Torres começou a tornar-se o grande ícone da formação madrilena. Na verdade, tornou-se o terceiro melhor marcador do campeonato com 19 golos em 35 partidas, só batido pelos 24 golos de Ronaldo e pelos 20 tentos de Júlio Baptista. O Atlético fez uma boa temporada e estive em lugares ainda mais cimeiros durante o decorrer do campeonato, acabando, depois, por cair ligeiramente na classificação e se estabelecer no 7º posto, ainda que a 1 ponto do 6º (e consequente possibilidade de ir à Taça UEFA). Torres, como já disse, e é importante que se sublinhe, passou a ser conhecido em todo o mundo e despontou completamente para futebol de topo nesta época.

    Euro, Atlético, Mundial, Atlético...

    No Verão de 2004, deslocou-se a terras lusitanas para disputar o Campeonato Europeu. Um desastre. Com 20 anos e já com demonstrações da sua veia goleadora com as cores nacionais, Torres veio a Portugal para ajudar a Espanha a obter uma boa classificação. Impunha-se, no mínimo, ultrapassar a fase de grupos. Infelizmente para eles, felizmente para nós (que estávamos no mesmo grupo), tal não veio a suceder. No primeiro jogo, contra a Rússia, no Estádio do Algarve, deixou para Iñaki Saez, seleccionador espanhol, deixou a missão de marcar aos mais experientes Raul e Morientes. Isso não invalidou que Torres entrasse alguns minutos para substituir o capitão Raul. O golo da vitória por 1-0 foi obtido por Valerón, recém entrado na partida. Um pouco mais a Norte, no Bessa, Espanha e Grécia mediram forças. Torres voltou a só entrar nos minutos finais, insuficientes para que se desse a volta ao empate que teimou em ficar até ao final: 1-1. A oportunidade de jogar no onze inicial surgiu finalmente no último jogo da fase de grupos, jogo contra Portugal. Jogou os noventa minutos, mas o golo de Nuno Gomes aos 57 minutos concedeu-nos a possibilidade de jogar nos quartos-de-final. De realçar o embate entre Torres e Ronaldo, duas estrelas emergentes no futebol ibérico e as duas pérolas mais preciosas de então de parte a parte. Enfim, a vida continuou para Torres, ainda que com algum amargo na boca pelo fracasso na selecção. Em 2004/05, o Atlético voltou a acusar alguma pressão e não foi além do medíocre 11º no campeonato. Torres foi preponderante como sempre, mas os 16 golos em 38 jogos não foram capazes de ajudar o clube a ir mais longe.

    A direcção teimava em contratar vários jogadores e em fazer remodelações constantes no balneário, o que causou alguma instabilidade e não deixou hipóteses ao departamento técnico e aos próprios futebolistas de criar um entrosamento digno desse nome. Começou também a ter a missão de receber os novos colegas por ser já o emblema vivo do clube e por ser um homem com capacidade de liderança e humildade ao mesmo tempo. Aos poucos, foi ganhando o seu espaço na “Fúria Roja”, e destronando, juntamente com Villa, Morientes e Raul. Na época passada, 2005/06, quando já era um dos mais mediáticos jogadores do mundo (mesmo a nível de publicidade), jogou 36 jogos e marcou 13 golos. O Atlético de Madrid ficou em 10º e voltou a não chegar aos lugares europeus. Torres, claramente o melhor do conjunto “rojiblanco”, até destoava nesta equipa. E se no Euro 2004, esteve presente na condição de suplente, no Mundial 2006 assumiu o estatuto de titular. Logo no primeiro jogo, jogou os 90 minutos e marcou um dos quatro golos da sua equipa na expressiva e contundente vitória da Espanha sobre a Ucrânia por 4-0. O apuramento foi logo garantido no segundo jogo, contra a Tunísia, quando voltou a cumprir os 90 minutos e marcou 2 golos (um deles de penalty) na vitória diante dos tunisinos por 3-1. No terceiro jogo, para cumprir calendário, um empate chegava para assegurar o primeiro lugar. David Villa e Torres foram preteridos pela dupla Reyes/Raul. Mesmo assim, Torres entrou aos 70 quando o único golo do desafio já tinha sido apontado, aos 36, por Juanito. A Espanha quedou-se pelos oitavos-de-final pois a veterana turma gaulesa, que viria a chegar à final, eliminou “nuestros hermanos”. Villa marcou e deu esperanças aos espanhóis, mas três tentos franceses deitaram por terra as aspirações de Torres e seus companheiros, que, impotentes, viram a areia a fugir-lhes das mãos. Nem o facto de jogarem com três avançados – Villa, Torres e Raul – lhes valeu mais golos e em 90 minutos, Torres não conseguiu facturar. Foi a primeira experiência num Mundial e certamente ainda irá jogar mais 2 ou 3. Passamos agora para esta época. Já com a companhia dos portugueses Zé Castro, Costinha e Maniche, Torres e companhia têm feito uma campanha interessante. Depois de rejeitar inúmeras propostas dos melhores clubes da Europa por amor e fidelidade e de inclusivamente ter renovado até 2009, Torres partiu para mais uma época com o propósito de ajudar o “Atleti” a alcançar a Europa. Até agora, parece um alvo possível de atingir e estão em 6º a 3 escassos pontos do 4º, que já dá acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Barcelona e Sevilha estão em grande na luta pelo título, mas Saragoça, Real Madrid e Valência não se podem esquecer, assim como, claro, o Atlético da capital. Para já conta com 28 presenças, todas elas como titular, e 9 golos. A equipa está a tornar-se mais coesa e capaz de seguir para voos mais altos. Na selecção, que joga com dois avançados, tem dividido com Morientes a titularidade, já

    que Villa parece certíssimo na outra vaga. Fernando Torres tem 23 anos, mas a idade engana bastante, pois já há cerca de 7 épocas que treina com a equipa principal do Atlético de Madrid e já há 4 que trás aos ombros a responsabilidade de ser o principal destaque nesta equipa de grande inconstância nos últimos anos, mas de uma grandeza muito grande mesmo a nível europeu. O facto de querer manter-se fiel ao seu clube, de dizer que ainda tem que evoluir para dar um novo passo, de ser o líder natural da equipa, só revela muita cabecinha no lugar por parte do espanhol. É simples, humilde e consciente e ao mesmo tempo ambicioso e líder. Quando o juízo existe a personalidade é forte, só faltam as capacidades futebolísticas, e essas estão lá. Assim, é de prever que Torres seja, dentro em breve, um jogador de eleição, se é que já não o é. O Atlético parece parecer cada vez mais pequeno para um jogador tão grande, não só técnica e tacticamente como a nível de carácter. A classe dentro e fora dos relvados acaba por deixar pouca margem para dúvidas quanto ao sucesso deste jovem espanhol e penso que não há ninguém capaz de refutar a sua enorme qualidade. Estendam a passadeira, que vai passar o rei.


    VÍDEO DO JOGADOR



    QUESTÕES SOBRE O JOGADOR

    É complicado ser-se a estrela de um bom clube europeu aos 23 anos. Torres conseguiu-o. Será benéfica uma saída para um clube maior com a consequente perda de estatuto?


    Qual dos campeonatos ou dos clubes se ajustaria mais ao perfil de Torres?

    É justo apontá-lo como o melhor avançado espanhol da actualidade?