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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Volta Mourinho, Estás Perdoado!

São cada vez mais insistentes as notícias de que José Mourinho será, muito provavelmente, o próximo treinador do Barcelona. A época cinzenta que os pupilos de Frank Rijkaard estão a realizar, aliada à desastrosa temporada transacta, começam a retirar margem de manobra ao técnico holandês no comando do colosso catalão. Após a saída do Chelsea, pairou a convicção de que Mourinho seguiria para o primeiro grande clube que começasse a claudicar e onde a situação técnica fosse mais complexa. Ora, existe já um enorme desgaste na relação entre o Barcelona e Rijkaard, não só pelos resultados insatisfatórios, como também pelo alargado tempo de casamento, a que se juntam vários problemas com diversos jogadores. O tempo na Cidade Condal é de franca instabilidade e o desejo de revigoração é um dado objectivo. Parafraseando Luís Filipe Vieira, um novo ciclo se aproxima para o Barcelona, o que implica desde logo um novo treinador. José Mourinho? Parece que sim. Parece...

Na verdade, o desempenho dos 'blaugranna' em 2007-08 está a ser uma profunda desilusão. Após a contratação de Henry e a manutenção das estrelas Ronaldinho, Messi, Eto'o e Deco, parecia pacífico afirmar que eram os principais candidatos ao título, por diante do Real Madrid. Tendo em conta a valia dos respectivos plantéis, julgo que deveria haver uma ligeira vantagem do Barça, embora fosse de prever uma luta taco-a-taco até à parte final da temporada. Rijkaard não tem conseguido, porém, que a sua equipa acompanhe o seu rival, encontrando-se, à 23ª jornada, a 8 pontos dos pupilos de Bernd Schuster, situação completamente inesperada no início.

Reconheço muita competência a Frank Rijkaard enquanto treinador de topo e, apesar de não lhe poderem ser retiradas responsabilidades, é justo dizer que as vicissitudes próprias do futebol também não o ajudaram, bem pelo contrário: problemas pessoais de Ronaldinho com o consequente abaixamento abrupto do seu rendimento, lesões em elementos fundamentais como Messi, Eto'o ou Deco, adaptação não muito fácil de Henry a um novo campeonato e ainda não totalmente alcançada, balneário aparentemente não muito unido; quase tudo tem acontecido a esta equipa. Por outro lado, na capital, apareceu uma equipa anormalmente consistente, se tivermos em conta as mudanças operadas no plano técnico e no próprio plantel, que poderia supôr a existência de uma fase de transição. No campeonato, em 23 jornadas, os 'merengues' averbaram 18 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, somando 56 pontos (o Barça soma 48). Detêm ainda o melhor ataque (53 golos marcados, contra 42 do Barça) e a segunda melhor defesa (18 golos sofridos, contra 15 do Barça). Apesar de as reviravoltas serem sempre uma possibilidade a considerar, racionalmente não me parece plausível que o título fuja a Casillas, Pepe, Robinho, Van Nistelrooy e ilustre companhia.

Restam ainda a Taça do Rei e a Liga dos Campeões. Se na primeira, o Barça se constitui como principal favorito (os outros semi-finalistas são Valência, Getafe e Santander), já na Champions o panorama será bem mais complicado. No princípio desta temporada considerava o Barça a melhor equipa do mundo, pelo menos ao nível do seu plantel. Todavia, atendendo ao desenrolar da mesma, essa convicção foi-se desvanecendo e encontro várias equipas com mais hipóteses reais de conquistarem o ceptro europeu. E julgo que nem mesmo a remota possibilidade de vitória na Champions, salvaria Rijkaard da saída, pela já referida insustentabilidade da relação clube-treinador. Diria que, independentemente dos resultados que se vierem a verificar, este é um ciclo que se fecha na Catalunha.

Está estendida a passadeira para José Mourinho, um homem que já foi chamado de tradutor pelos adeptos catalães, mas que brevemente, estou certo, poderá ser por eles idolatrado. Aquando da saída do 'Special One' do Chelsea, havia formulado o desejo de o ver num dos dois gigantes espanhóis (embora ficasse a ideia que Itália estava mais perto). Parece que vou ter o prazer de o ver virar a liga do país vizinho de pernas para o ar. Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos. Ansiosamente.

sábado, setembro 22, 2007

A SAÍDA DE MOURINHO


A notícia caiu que nem uma bomba no mundo futebolístico: José Mourinho deixou de ser o treinador do Chelsea! Muita gente dirá que o cenário já era previsível, no entanto, a mim não deixou de causar alguma surpresa e até estupefacção. Tinha consciência das divergências notórias entre ele e o patrão Roman Abramovich, é certo que a combinação do futebol pouco atractivo com os recentes maus resultados poderiam fazer aumentar a especulação, mas não esperava de todo um desenlace tão radical, sobretudo numa fase tão prematura da temporada. A decisão, fala-se, surgiu por mútuo acordo, embora se saiba que a iniciativa partiu logicamente de Abramovich.

O que terá estado na base deste 'golpe de teatro'? Ninguém no seu perfeito juízo associará esta ruptura apenas ao empate caseiro com o Rosenborg, embora ele tenha sido pouco menos que escandaloso. Este péssimo resultado na estreia da Liga dos Campeões serviu apenas como óptimo pretexto para o multimilionário russo levar a cabo aquilo que já lhe estaria na cabeça há já algum tempo. O fraco início de época dos 'blues' foram a justificação perfeita para Abramovich pôr termo a uma relação que objectivamente já não funcionava. Os sinais de desencontro de ideias vinham sendo visíveis já desde a temporada transacta, cujas contratações de Shevchenko e Ballack foram o ponto de partida e a recusa de Abramovich, em Janeiro, da compra do central pedido por Mourinho, o seu auge.

Assim de fora, não é complicado traçar possíveis motivações para este choque de personalidades. Abramovich é o dono do clube, injecta milhões e mais milhões na equipa de futebol, e obviamente julga ter o direito de 'baralhar, partir e dar' em todo e qualquer assunto com ela (a equipa) relacionado. Mourinho é, como sabemos, um treinador de fortíssimo carácter, que gosta de impôr a sua forma de pensar e ter autonomia para tomar as decisões que achar necessárias. Não admite interferências no seu trabalho e só se sente à vontade se tiver total domínio sobre o plantel que orienta.

Isso não aconteceu no Chelsea. Depois de duas épocas fantásticas a nível interno, Abramovich achou-se no direito de começar a interferir no domínio técnico. No arranque para a terceira época da era-Mourinho, obcecado com a conquista da Liga dos Campeões e desejoso de um futebol mais espectacular, resolveu contratar as estrelas Shevchenko e Ballack, ao que tudo indica, sem que essa fosse a indicação do técnico português. Mourinho é apologista de recrutar jogadores ainda à procura da fama, sedentos de vitórias e que se encaixem perfeitamente numa lógica grupal, onde o colectivo se sobreponha aos interesses individuais. Especialmente o internacional ucraniano constituiu sempre uma pedra no sapato de Mourinho, que nunca fez dele titular indiscutível, bem pelo contrário (também se o rendimento de 'Sheva' não foi um zero andou lá perto). Esta situação terá gerado um certo descontentamento do 'big boss', que investiu uma astronómica quantia, sem que houvesse a devida rentabilização desse investimento (o facto de Abramovich e Shevchenko serem grandes amigos pessoais é apenas um promenor...). Numa temporada 2006-07 farta em lesões no plantel londrino, Mourinho reclamou, em Janeiro, o reforço do eixo defensivo, obtendo resposta negativa do russo. O ambiente tornou-se ainda mais tenso, eram perceptíveis algumas indirectas lançadas pelo treinador e percebia-se que a ruptura poderia acontecer a qualquer altura. O futebol, por vezes, de facto, pouco atractivo praticado pelos 'blues', aliado à perda da Premier League para o Manchester United e à eliminação da Champions aos pés do Liverpool, começaram a retirar a paciência a Abramovich, sendo que paciência era aquilo que Mourinho já não tinha para aturar os desvarios do patrão.

Por que razão Abramovich não prescindiu de Mourinho logo no defeso, se manifestamente era essa a sua vontade? Medo, muito medo! Mourinho ganhou seis títulos em três temporadas (2 Premier Leagues, 1 Taça de Inglaterra, 2 Taças da Liga e 1 Supertaça Inglesa), devolveu o título máximo inglês ao clube passado meio século, era idolatrado pelos adeptos, amado pelos seus jogadores e respeitado por todos os seus adversários. Foi, de longe, o treinador mais bem sucedido da história do Chelsea e uma decisão tão problemática não poderia nunca ser tomada num momento qualquer. Havia que esperar pela melhor oportunidade estratégica, leia-se maus resultados em série, no sentido de tentar amenizar a reacção crítica.

Todavia, as manifestações de descontentamento dos adeptos londrinos não se fizeram esperar, numa prova inequívoca de que não aprovaram esta decisão de Abramovich e, mais do que isso, que estão contra o rumo tomado pelo seu clube do coração. As suas perplexidades são as da opinião pública em geral. Sem o técnico luso ao leme, mesmo com a reabertura da 'torneira' financeira, continuará o Chelsea a coleccionar sucessos à velocidade destes três anos? Terá capacidade para finalmente derrotar os colossos europeus e conquistar a Champions? Conseguirá aliar o almejado futebol atractivo com os títulos que todos ambicionam? Parece-me que não! Antes de Mourinho chegar a Stamford Bridge, o emblema azul apenas havia conquistado um campeonato nacional ao longo de todo o seu historial. Talvez volte agora a ser o clube sem expressão que sempre foi. O dinheiro vale muito, mas sem alguém que discipline o gasto e perceba o que está a fazer, pode tornar-se um grande problema, até porque comandar um clube de futebol não é bem a mesma coisa que gerir uma empresa. Roman Abramovich?? Frank Arnesen?? Avram Grant??

José Mourinho, esse, continuará a sua carreira de sucesso noutras paragens, talvez agora num clube à medida da sua categoria. Tirando os clubes ingleses que, ao abrigo de uma cláusula acordada com o Chelsea, não poderão ser um destino imediato, vejo apenas cinco clubes nessa elite: Barcelona, Real Madrid, Milan, Juventus e Inter. Mourinho desempregado é um verdadeiro fantasma para qualquer treinador a trabalhar nestes clubes de topo. À primeira porta que se abrir, será o primeiro escolhido, seja qual fôr o clube. Adorava vê-lo treinar um dos gigantes espanhóis, mas parece-me que Itália nunca esteve tão perto para o 'Special One'... É ele, o melhor treinador de futebol do planeta!