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quinta-feira, outubro 11, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Beto Acosta


A referência estrangeira desta semana foi um jogador que ficará para sempre no coração dos adeptos sportinguistas, pois foi um dos obreiros do título conquistado em 2000, depois de 18 anos de jejum. Falo-vos de Beto Acosta, conhecido em Alvalade por “El Matador”.

Acosta deu os seus primeiros passos no Union Santa Fé. Marcou 15 golos, em duas épocas. Mudou-se depois para o San Lorenzo, onde a sua veia goleadora chamou a atenção do Toulouse. Em França, tem a sua primeira experiência fora da Argentina, sem muito sucesso.

Acosta regressa à Argentina e ao San Lorenzo, onde só no Torneio de Abertura de 92 consegue se destacar, conseguindo um passaporte para o Boca Juniores. No clube de Maradona, ficou apenas uma época, ingressando depois no Universidade Católica do Chile.

Por terras chilenas, marcou 43 golos em duas épocas, transferindo-se para Yokohama Marinos, do Japão, para voltar depois ao clube chileno em 1997. Regressa novamente ao San Lorenzo, onde desperta atenção do Sporting.

Chega a Lisboa, na época de transferências de Dezembro, na temporada de 98/99. Numa das piores épocas de sempre do Sporting, em que os Leões terminaram no quarto lugar, Acosta apenas marcou três golos.

No entanto, o início do novo milénio seria mágico para o Sporting e para Acosta. Dezoito anos depois o Sporting voltaria a ser campeão nacional e Acosta foi um dos jogadores mais importante na conquista do título, marcando 22 golos. Na época seguinte, as expectativas em torno dos leões eram muitas. Com o ingresso de João Pinto e com o regresso de Sá Pinto, esperava-se muito mais deste Sporting, que cedo ficou arredado do título. Acosta, mesmo assim, esteve em bom plano, marcando 14 golos.

Voltou para o seu país, para o clube que sempre o recebeu, o San Lorenzo, dando por terminada a sua carreira em 2003.

Acosta foi um dos melhores avançados que passou pelo nosso país, com um sentido de baliza impressionante. Será certamente recordado para sempre para os lados de Alvalade.


Ficha Técnica:
Nome: Alberto Frederico Acosta
Data de nascimento: 23/08/1966
Naturalidade: Aerocena
Nacionalidade: Argentina
Posição: Avançado
Clubes que jogou: Union Santa Fé, San Lorenzo, Toulouse, Boca Juniores, Universidade Católica do Chile, Yokohama Marinos, Sporting
Internacionalizações: 19 (2 golos)

Palmarés como jogador:
Um campeonato português
Uma Supertaça de Portugal
Uma Taça Interamericana
Uma Taça Mercosul
Uma Taça sul-americana
Um Torneio de Abertura (Chile)
Melhor marcador do Torneio de Abertura, em 92
Melhor marcador do Campeonato Chileno em 94

sexta-feira, outubro 05, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Zoran Filipovic




A referência estrangeira desta semana foi um dos mais potentes avançados que passou pelo nosso país. Falo-vos de Zoran Filipovic, avançado jugoslavo que se destacou em Portugal, nomeadamente no Benfica.

Filipovic destacou-se como goleador do Estrela Vermelha, marcando 93 golos durante dez épocas. Até hoje, o avançado é o jogador que mais golos marcou pelo clube de Belgrado nas competições europeias.

A sua primeira experiência fora da Europa foi na Bélgica, em 80/81, mudando-se na época seguinte para o Benfica. No clube da Luz, deixou claramente a sua marca, pois em três épocas marcou 42 golos. Veio a acabar a sua carreira no Boavista, aos 32 anos.

A partir daí, Filipovic dedicou-se à sua carreira de treinador. Já treinou diversos clubes em Portugal, como o Salgueiros, o Beira-Mar e o Boavista. Foi adjunto de Artur Jorge no Benfica, assumindo o cargo de técnico principal aquando da saída do treinador português.

A sua última experiência em Portugal, foi ao serviço do Vitória de Guimarães. Podemos dizer que foi um desastre. No comando dos vimaranenses, que haviam sido terceiros classificados na época anterior, não conseguiu impor a mesma mentalidade vencedora que havia sido imposta por Quinito. Assim, ainda antes do final da primeira volta abandonava a cidade de Guimarães.

Fez parte do staff técnico da Selecção da Juguslávia no Mundial de 98 e no Europeu de 2000 e a partir de 2004, já depois de ter orientado o Estrela Vermelha, voltou aos quadros da sua Federação, agora denominada de Sérvia e Montenegro.

Após a separação do Montenegro da Sérvia, Zoran Filipovic foi nomeado primeiro seleccionador daquele país.

Zoran Filipovic foi um dos grandes jogadores que passaram pelo nosso país. Avançado potente, elegante e inteligente, com um sentido de baliza como poucos e com um jogo aéreo absolutamente extraordinário.


Ficha Técnica:
Nome: Zoran Filipovic
Data de nascimento: 06/02/1953
Naturalidade: Titogrado
Nacionalidade: Montenegrina (ex-jugoslavo)
Posição: Avançado
Clubes que jogou: Estrela Vermelha, Bruges, Benfica, Boavista
Clubes que treinou: Boavista, Salgueiros, Beira-Mar, Benfica, Estrela Vermelha, Vitória de Guimarães
Internacionalizações: 13 (2 golos)

Palmarés como jogador:
Dois campeonatos da Jugoslávia
Uma Taça da Jugoslávia
Dois campeonatos portugueses
Uma Taça de Portugal

sexta-feira, setembro 21, 2007

Referências estrangeiras no futebol luso: Elpídio Silva



O jogador que hoje vos trago é conhecido de todos vós – não só porque foi, durante um determinado período, um dos máximos goleadores a jogar em Portugal mas também porque esse período faz parte de um passado recente. Elpídio Pereira da Silva Filho, ou apenas Silva, é a Referência Estrangeira de hoje.

Nascido no Brasil, mais precisamente em Campina Grande, Silva começou a jogar no Atlético Mineiro. Contudo, a permanência no seu país de origem foi muito curta e cedo, com 22 anos, se aventurou em terras asiáticas. O Japão foi o destino e o Kashima Reysol o clube que o acolheu. Depois de jogar duas épocas no outro lado do planeta, veio para o nosso país, onde se tornou relativamente conhecido internacionalmente. Foram os responsáveis do Sporting de Braga que se interessaram pelos seus golos marcados com a camisola do conjunto nipónico e decidiram avançar para a sua contratação.

No Braga, rapidamente se integrou. Pegou de estaca, como costuma dizer-se. Os 16 golos marcados na primeira temporada no nosso campeonato fizeram logo mudar o olhar dos adeptos que olhavam agora para Silva como um avançado temível. Corpulento e letal, Silva alcançou uma média de 0,5 golos por jogo – 32 jogos, 16 golos. Na segunda época só apontou 5 golos em 25 jogos mas continuou a ser uma pedra importante para a manobra arsenalista.

O que é certo é que, mesmo contando apenas com meia dezena de golos, o Boavista decidiu ir buscá-lo. A equipa do Bessa alcançara um soberbo 2º lugar no campeonato português em 1998/99 e quedara-se pela 4ª posição em 1999/00. Assim sendo, com vista a retomar o pódio, em 2000/01 avançou para a compra do brasileiro. Resultado: campeões nacionais. Silva tornou-se a principal referência no ataque boavisteiro e com 21 jogos e 11 golos caiu nas graças dos adeptos do Boavista. Em 2001/02 não chegou a um número de golos com dois dígitos – ficou-se pelos 8 golos – mas a sua importância manteve-se. Prova disso são os 27 jogos disputados. Além disso, o Boavista jogou nessa época na Liga dos Campeões – histórico. Silva vai ficar eternamente marcado na história do clube por ter sido o artilheiro de serviço numa época de glória europeia. Se o campeonato e consequente qualificação para a Liga Milionária eram, desde já, um dado surpreendente, o facto de o Boavista ter garantido o apuramento para a 2ª Fase de Grupos é ainda mais. Desde dois empates, 1-1, diante do Liverpool, passando por vitórias sobre Dínamo de Kiev e Borussia de Dortmund, o Boavista fez o que ninguém esperava. Na 2ª Fase de Grupos ainda conseguiram bater o Nantes e ficar à sua frente no grupo. Mesmo assim, Manchester United e Bayern de Munique foram demasiado poderosos para serem ultrapassados.

Em 2002/03 fez a sua última época pelo Boavista. 30 jogos e 10 golos no campeonato é o seu registo. Além disso, a destacar a mítica meia-final a que o Boavista, com glória, chegou. Foi um percurso notável. Deixando para trás clubes como Maccabi Tel Aviv, Anorthosis Famagusta, Paris Saint-Germain, Hertha de Berlim ou Málaga, o Boavista só foi travado pelos escoceses do Celtic de Glasgow, que viriam a perder a final para os arqui-rivais do Boavista, o FCPorto.

Estava na altura de dar o salto. É claro que os anos em que Silva andou de xadrez ao peito foram os anos mais fantásticos da história do Boavista. No entanto, o Sporting ainda conservava um estatuto superior e acabou por se mudar do Porto para Lisboa, do Bessa para Alvalade, dos Pumas para os Leões. A experiência é que não foi muito positiva e aqui se iniciou o processo de declínio da carreira do jogador.

Após uma época menos conseguida no Sporting acabou por jogar uma época emprestado ao Vitória de Guimarães, sempre longe da forma que havia exibido no Braga e especialmente no Boavista.

A ida para o estrangeiro, para representar equipas como o Derby County (Inglaterra) ou o Corinthians Alagoano (Brasil) não foi muito bem sucedida. Ainda tentou voltar a jogar no Oriente, desta vez na Coreia, pelo FC Bluewings mas parece que definitivamente Silva deixou de ter o sucesso de outrora. Esta época chegou a ser falado para reforçar algumas equipas da Liga Bwin, em Portugal, algo que nunca chegou a ser consumado. Assim, e depois de ter ficado cerca de um mês no Iraklis da Grécia, mudou-se definitivamente para o Chipre a fim de jogar ao serviço do Alki Larnaca.

Hoje, aos 32 anos, Silva é recordado como o “Pistoleiro” e um dos grandes nomes do momento de maior destaque do Boavista a nível nacional e europeu. Depois de duas épocas de bom nível no Braga, onde colheu a simpatia de muitos, fez três temporadas de grande categoria no Bessa e é por essas três temporadas que figura na lista das Referências Estrangeiras do Futebol Luso. Quem não se lembra dos seus golos, da sua “raça à Pacheco”, do seu futebol físico e eficaz? Quem não se lembra do seu modo de festejar os golos, como que a dar tiros na cabeça e a atirar-se para o chão? Elpídio Silva, um nome que nunca os portugueses, em particular os boavisteiros, deverão deixar de recordar.

Ficha Técnica:

Nome: Elpídio Pereira da Silva Filho
Data de nascimento: 19/07/1975
Naturalidade: Campina Grande
Nacionalidade: Brasil
Posição: Avançado
Clubes que representou como jogador: Atlético Mineiro, Kashiwa, Sp. Braga, Boavista, SportingCP, Vitória de Guimarães, Derby County, Corinthians, FCBluewings, Iraklis e Alki.
Internacionalizações: -

Palmarés:
1 Campeonato Português (2001)

sexta-feira, setembro 07, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Noureddine Naybet



A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores jogadores africanos que já jogaram em Portugal. Refiro-me Noureddine Naybet, central marroquino que representou o Sporting por duas épocas.

A carreira de Naybet começou ao serviço do Wydad Casablanca, um dos maiores clubes de Marrocos e estreou-se pela sua Selecção a 9 de Agosto, num amigável contra a Tunísia, que terminou empatado a zero. Depois de ter ganho tudo o que havia para ganhar no futebol africano e impressionar meio mundo com excelentes exibições nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 92, mudou-se para França para representar o Nantes.
Apesar de realizar uma boa época por terras gaulesas, Naybet transferiu-se para Lisboa, de modo a representar o Sporting. O clube de Alvalade, com Carlos Queirós como treinador, tinha uma equipa fortíssima, onde constavam Figo, Balakov, Amuneke, entre outros. Porém, não obstante a grande “armada”, os leões foram incapazes de impedir o título do FC Porto, embora tivessem conquistado a Taça de Portugal, após mais de uma década de Jejum de títulos.
No ano seguinte, o Sporting voltava a apresentar uma equipa de grande nível, todavia orfã da criatividade de Luís Figo e Balakov. No entanto, a equipa não foi além de um terceiro lugar, ficando a compensação pela vitória na Supertaça.


Após dois anos de leão ao peito, o jogador marroquino, então com 26 anos, mudou-se para o Deportivo da Corunha para uma ligação que se estenderia durante oito épocas, que foram as mais marcantes da sua carreira na Europa. Na Galiza participou no momento mais alto da história do Depor, a inédita conquista da Liga Espanhola, em 2000. Chegou a estar perto de assinar pelo Manchester United em 1999, mas não chegou a um acordo com o então campeão inglês e europeu.
Deixou o Deportivo em 2004 para se mudar para o Tottenham Hotspur, onde terminou a carreira. Na primeira época foi regularmente utilizado. Contudo, a segunda época apenas foi utilizado por Martin Jol uma vez, acabando por ser dispensado no final da época. A sua brilhante carreira acabou por terminar de forma inglória, uma vez que o central decidiu pendurar as chuteiras. Hoje, o jogador mais internacional de sempre por Marrocos, é adjunto de Henri Michel, na selecção do seu país.
Noureddine Naybet foi um dos grandes centrais que passaram pelo clube de Alvalade, dotado de uma grande técnica e força. Foi pena ter passado por Alvalade em tempos tão conturbados.


Ficha Técnica:
Nome: Noureddine Naybet
Data de nascimento: 10/02/1970
Naturalidade: Casablanca
Nacionalidade: Marroquina
Posição: Defesa- Central
Clubes que representou como jogador: Wydad Casablanca, Nantes, Sporting, Deportivo da Corunha e Tottenham Hotspur
Internacionalizações: 115 (2 golos)

Palmarés:
Uma Taça de Portugal
Uma Supertaça de Portugal
Três campeonatos marroquinos
Duas Taças de Marrocos
Uma Taça dos Campeões Africanos
Uma Liga dos Campeões Árabes
Uma Supertaça Árabe

sábado, setembro 01, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Jozef Mlynarcyzk


A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores guarda-redes que defendeu a baliza do F.C. Porto. Melhor que ele, só, provavelmente, Vítor Baía. Falo-vos de Jozef Mlynarczyk, o guardião polaco que teve a enorme responsabilidade de defender a baliza portista durante a célebre final de Viena.
A sua carreira profissional começou ao serviço do BKS Stal Bielsko-Biala, transferindo-se três anos depois para o Odra Opole, onde permaneceu três épocas. Já como internacional polaco, mudou-se Widzew Lodz, conquistando os primeiros títulos do seu palmarés. Antes de ingressar no Dragão, e já depois de ter estado no Mundial de 82, na Espanha, esteve uma experiência em França, ao serviço do Bastia.
Chegou ao Porto na época 85/86 e sagrou-se logo campeão nacional. No final dessa temporada, representou o seu país no México, onde foi um dos carrascos da Selecção Nacional no pesadelo de Saltillo.
No ano seguinte, com Artur Jorge ao leme, foi aquilo que se sabe. A glória em Viena e, posteriormente, já com Ivic como treinador, a noite fria de Tóquio e a Supertaça Europeia.
Na época 88/89, sofre uma grave lesão, da qual não recuperou totalmente, sendo que na temporada seguinte decide terminar a carreira, numa altura em que ascendia na baliza portista um jovem chamado Vítor Baía.
Dedicou-se a treinar outros guarda-redes, sendo Vítor Baía um dos primeiros a ter esse privilégio. Neste momento, os felizardos são Jakub Hładowczak, Kamil Styżej, Bartosz Fabiniak e Jakub Stawiany, todos eles guarda-redes do Widzew Lodz.


Ficha Técnica:
Nome: Jozef Mlynarcyzk
Data de nascimento: 20/09/1953
Naturalidade: Nowa Sol
Nacionalidade: Polaca
Posição: Guarda-redes
Clubes que representou como jogador: BKS Stal Bielsko-Biala, Odra Opole, Widzew Lodz, SC Bastia e FC Porto
Internacionalizações: 40

Palmarés:
Dois campeonatos polacos
Uma Taça da Polónia
Três campeonatos de Portugal
Uma Taça de Portugal
Duas Supertaças de Portugal
Uma Taça dos Campeões Europeus
Uma Supertaça Europeia
Uma Taça Intercontinental

sábado, agosto 18, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Stojczo Mladenov




A referência estrangeira desta semana foi um dos muitos jogadores búlgaros que passou por Portugal, mas sem o mediatismo e sucesso de outros seus compatriotas, como Kostadinov e Balakov. Falo-vos de Stoycho Mladenov, atacante que representou o Belenenses, o Vitória de Setúbal, o Estoril e o Olhanense.
A carreira de Mladenov começou a carreira em 1976, ao serviço do Beroe Stara Zagora. Na quarta época ao serviço do clube do Centro-Sul da Bulgária, o avançado marcou 9 golos, chamando a atenção do gigante CSKA Sofia.
Mudou-se para a capital búlgara, onde representou o CSKA por seis temporadas.Durante esse tempo marcou um total de 66 golos. As suas boas exibições não passaram despercebidas ao então Seleccionador Nacional da Bulgária, Ivan Vutzov, que o convocou para o Mundial de 86, no México.
Aos 29 anos, Mladenov aceitou um novo desafio na sua carreira, transferindo-se para capital portuguesa, de modo a representar o Belenenses. Durante as três épocas com a cruz de Cristo ao peito, o búlgaro ajudou a equipa de Belém a conseguir um terceiro lugar e uma Taça de Portugal. Depois troca o Belenenses pelo Vitória de Setúbal, onde facturou por 17 vezes em duas época. No entanto, a época 90/91 não foi de boa memória para os Sadinos, que, devido a redução do número de equipas de 20 para 18, foi relegado para a II Divisão de Honra. O jogador, porém, continuou na principal divisão lusa, desta feita ao serviço do Estoril. Com a camisola dos canarinhos não jogou com tanta regularidade como no Belenenenses e no Vitória, sendo que em 93 partiu para o Algarve, para representar o Olhanense, na II Divisão de Honra, naquele que seria o último clube da sua carreira.
Voltou para a Bulgária e para o “seu” CSKA, como director desportivo. Voltou em 1997 ao Belenenses, agora como treinador. Contudo, o seu legado não foi para recordar. Nem completou metade da época, e os maus resultados que obteve foram fulcrais para que o Belenenses fosse o lanterna vermelha nas contas finais.
Voltou para o seu país, desta vez para ser o responsável pela Selecção de Sub-21 da Bulgária. Sem conseguir objectivo de colocar as esperanças búlgaras no europeu da categoria, voltou para Sofia e para Director Desportivo do CSKA. Na campanha de qualificação da selecção búlgara para o Mundial de 2002, Mladenov foi o seleccionador que não conseguiu que os búlgaros atingissem a sua terceira fase final consecutiva.
Saiu da Federação, regressou novamente ao CSKA para ser definitivamente treinador do clube que o lançou para a ribalta. Ainda hoje ocupa o cargo e já conquistou dois campeonatos búlgaros, uma Taça da Bulgária e uma Supertaça da Bulgária. Recentemente, Furtado, ex-jogador do CSKA Sofia e actualmente no Paços de Ferreira, acusou Mladenov e outros elementos do clube búlgaro de racismo.

Mladenov foi um avançado importante nas equipas que representou. Por terras lusas, marcou cerca de 60 golos. No entanto, como treinador, não tem tido a mesma sorte, apesar dos títulos que já conquistou pelo CSKA Sofia.


Ficha Técnica:
Nome: Stoycho Mladenov
Data de nascimento: 12/04/1957
Naturalidade: Dimitrovgrad
Nacionalidade: Búlgara
Posição: Avançado
Clubes que representou como jogador: Stara Zagora, CSKA Sofia, Belenenses, Vitória de Setúbal, Estoril e Olhanenense
Clubes que treinou: Belenenses, Selecção Búlgara de Sub-21, Selecção A da Bulgária e CSKA Sofia
Internacionalizações: 59 (15 golos)

Palmarés como jogador:
Dois campeonatos búlgaros
Duas Taças da Bulgária
Uma Taça de Portugal

Palmarés como treinador:
Dois campeonatos búlgaros
Uma Taça da Bulgária
Uma Supertaça da Bulgária

sexta-feira, agosto 10, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Paulo Autuori



A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores profissionais brasileiros que já passou por Portugal. Falo-vos de Paulo Autuori, treinador que orientou o Nacional, Vitória de Guimarães, Marítimo e Benfica.

O futebol fez sempre parte da vida de Paulo Autuori, que se licenciou em Educação Física pela Universidade de Castelo Branco, no Brasil. Em 1986, Autuori tem a sua primeira experiência em Portugal, como de adjunto de Marinho Peres no Vitória de Guimarães. Nessa época, a equipa vimaranense fez uma das melhores épocas de sempre, alcançando o terceiro lugar e os quartos-de-final de Taça Uefa. Na época seguinte, Marinho Peres regressou ao Brasil, mas Autuori ficou por Portugal, pois um novo desafio estava no horizonte.

No Verão de 1987, é apresentado no Nacional da Madeira. Na sua primeira época na Pérola do Atlântico, Autuori fez história ao promover os alvi-negros há primeira divisão pela primeira vez. No ano seguinte, os nacionalistas, em estreia absoluta no escalão maior do futebol português, obtiveram um 10ºlugar, à frente do rival Marítimo que se classificou em 12º.
As duas épocas ao serviço dos alvi-negros chamaram à atenção de Pimenta Machado, que trouxe Autuori de volta à cidade berço. As primeiras jornadas da época 89/90 não foram de boa memória. No entanto, o treinador brasileiro conseguiu rectificar as coisas a tempo de levar o Vitória de Guimarães ao quarto lugar e consequente classificação para a Taça Uefa. Contudo, a temporada que se seguiu não foi para recordar, tendo os vimaranenses terminado no 11ºlugar.


O projecto que se seguia englobava um regresso à ilha da Madeira, porém, desta feita, para representar o arqui-rival do Nacional, o Marítimo. Aos verde-rubros, Autuori trouxe aos verde-rubros uma mentalidade mais vencedora e provou que os maritimistas poderiam ambicionar mais do que uma simples luta pela permanência. Isso ficou provado logo na primeira época ao serviço do clube do Almirante Reis: a equipa conseguiu a sua melhor classificação de sempre até então, um 7º lugar, ficando às portas da Europa.


Para o ano que viria, a direcção verde-rubra acreditava que era possível chegar à Taça Uefa e tomou todos os procedimentos para tal. Estagiou na Suécia e contratou jogadores de grande nível como Jorge Andrade e Paulo Alves. A jogar num estilo 4-3-3, com um ataque composto por Ademir, Jorge Andrade e Edmilson, o Marítimo alcançaria pela primeira vez a Taça Uefa. O jogo que qualificou os verde-rubros para a Taça Uefa, ante o Boavista, foi um jogo impróprio para cardíacos.
O Marítimo, que havia, duas jornadas antes, vencido o Sporting por 4-2, colocou-se em vantagem por intermédio de Edmilson. No entanto, os axadrezados viravam o resultado com dois golos de Ricky. Muitos já haviam perdido a esperança e a parcial vitória do Belenenses frente ao Sporting não ajudava às contas verde-rubras. Contudo, Ademir marcou dois golos que mudaram a história do jogo e qualificaram o Marítimo para Uefa.
Ainda antes de alcançar este feito histórico, Paulo Autuori tinha invocado motivos pessoais para regressar ao Brasil e abandonar o Marítimo, notícia que foi recebida com alguma tristeza pelos adeptos maritimistas.

Portanto, Autuori não esteve presente na primeira experiência verde-rubra na Uefa, mas o futuro próximo trá-lo-ia de volta ao clube mais emblemático da ilha da Madeira. Edinho Filho, que havia iniciado o época como treinador do Marítimo, não foi capaz de incutir a mentalidade ganhadora da época anterior e, após uma derrota em casa frente ao Espinho, para a Taça de Portugal, foi demitido. Rui Fontes, o então Presidente do Marítimo, apenas tinha um nome em mente: Paulo Autuori. Assim, o treinador brasileiro voltou ao comando dos verde-rubros a tempo de incutir mais uma vez uma mentalidade vencedora e de manter o estatuto europeu do Marítimo.
A época seguinte, apesar de não ter conseguido o apuramento para Uefa, Autuori voltou a fazer história ao serviço da equipa verde-rubra. Primeiro, ao qualificar-se para a segunda eliminatória da Taça Uefa, onde foi eliminado pela Juventus – numa eliminatória em que Peruzzi foi a figura –, e depois ao conquistar um lugar, pela primeira vez na sua história, para a final da Taça de Portugal, que foi vencida pelo Sporting.

Os adeptos do Marítimo, já mal habituados, foram poucos pacientes com o treinador brasileiro e a sua saída foi inevitável. Em boa hora para Autuori, refira-se, pois voltou ao Brasil para se sagrar Campeão Brasileiro pelo Botafogo, o que levou ao interesse do Benfica. Foi contratado em Dezembro pelos encarnados, embora só tivesse se sentado no banco em Julho. Andou, juntamente com Toni, a preparar a época que viria.
O Benfica traz tudo menos boas recordações para o técnico brasileiro. Antes do final do ano já havia sido despedido e foi sob a sua égide que os encarnados sofreram uma goleada frente o Porto por 5-0, em pleno Estádio da Luz.

Da Luz partiu para o Cruzeiro de Belo Horizente, onde se sagrou campeão mineiro e venceu a Taça dos Libertadores. Depois foi para o Rio de Janeiro, para comandar o Flamengo, voltou ao Botafogo e ao Cruzeiro, passou pelo Santos e o Internacional, fazendo um trabalho meritório.
No Início do novo milénio volta a Portugal e à cidade berço. O Vitória de Guimarães, que havia ficado perto de uma classificação europeia no ano transacto, apostava forte para a nova época. Contudo, as coisas não saíram bem e, ainda antes do mês de Novembro, Autuori foi demitido.

Partiu para uma nova aventura, desta feita no Peru, ao serviço do Alianza Lima, onde voltou às grandes conquistas, vencendo o Torneio de Abertura. No ano seguinte, mudou-se para o Sporting Cristal, do mesmo país, onde venceu o Torneio de Encerramento.
Todo o bom trabalho desempenhado neste país da América do Sul não foi indiferente à Federação Peruana de Futebol e, portanto, pela primeira vez na sua carreira, Autuori comandava uma Selecção. Ao serviço da Selecção do Peru as coisas não correram particularmente, sendo que a equipa peruana classificou-se no penúltimo lugar da zona de apuramento sul-americana de qualficação.
Voltou para o Brasil, a tempo de se sagrar Campeão do Mundo de Clubes, ao serviço do São Paulo. Depois partiu para terras orientais, de modo a treinar o Kashima Antlers, do Japão.
Regressou ao Brasil e ao Cruzeiro, onde se sagrou vice-campeão mineiro. Demitiu-se a 5 de Dezembro de 2006, ano em que foi apontado como substituto de Carlos Alberto Parreira na selecção canarinha, algo que não se confirmou. De momento, treina Al-Rayyan, do Qatar.

Paulo Autuori é um treinador com um currículo invejável, com boas recordações de Portugal. Porém, quando treinou uma equipa grande, neste caso o Benfica, não conseguiu ser bem sucedido. No entanto, este é um treinador que muito admiro, pois foi aquele que, com a melhor equipa verde-rubra de sempre, impôs uma mentalidade vencedora pelos lados do Almirante Reis. Se o Marítimo é hoje uma equipa que disputa os primeiros lugar da Liga Portuguesa, deve-o muito a Paulo Autuori.

Ficha Técnica:
Nome: Paulo Autuori de Melo
Data de nascimento: 25/08/1956
Naturalidade: Rio de Janeiro
Nacionalidade: Brasileira
Clubes que treinou: Nacional, Vitória de Guimarães, Marítimo, Botafogo, Benfica, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, Santos, Alianza Lima, Sporting Cristal, Selecção de Peru, Kashima Antlers, Al Rayyan

Palmarés:
Um Campeonato Brasileiro
Um Campeonato Mineiro
Duas Taça dos Libertadores
Um Campeonato do Mundo de Clubes
Um Torneio de Abertura Peruano
Um Torneio de Encerramento Peruano

sexta-feira, agosto 03, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Paulinho Cascavel



Um jogador rápido e perigoso, como uma cascavel, um verdadeiro terror para os guarda-redes. Assim era Paulinho Cascavel, a referência estrangeira desta semana.

Natural de Cascavel, Paulo Roberto Bacinello, seu nome verdadeiro, cedo espalhou o seu potencial por terras brasileiras, começando a carreira no Cascavel CR, que, de forma inédita, se sagrou campeão estadual Paranaense em 1980.
Cascavel prosseguiu a carreira no Criciúma Esporte Clube e Joinville EC, conquistando título de melhor marcador do Estadual Catarinenense de 1982 e 1984, ano em que sagrou campeão do Estadual de Santa Catarina, pelo Joinville.
A qualidade e regularidade dos seus desempenhos chamaram a atenção de alguns clubes portugueses e o Futebol Clube do Porto garantiu os seus serviços para a época 84/85. No entanto, passou quase despercebido nos dragões, pois esteve tapado por Fernando Gomes. Portanto, na época seguinte muda-se para Guimarães.
Na cidade berço começar a surgir o fenómeno Cascavel. Sob as ordens de António Morais, Cascavel marcou 25 golos, relevando-se um ponta de lança mortífero, bastante oportunista, um excelente cabeceador e senhor de um remate forte. Na temporada que se seguiu, com Marinho Peres ao leme, Cascavel impressiona ainda mais Portugal e também a Europa. Sagrou-se o melhor marcador do campeonato e ajudou o Vitória a alcançar o 3ºlugar, bem como os quartos-de-final da Taça Uefa.
As suas épocas fantásticas ao serviço da equipa vimaranense foi o passaporte para representar o Sporting, em 87/88. Nos leões começa por ter a difícil missão de fazer esquecer Manuel Fernandes. Não só fez esquecer o avançado português, como também voltou a ser o goleador mor do campeonato nacional. Ao serviço do clube de Alvalade, Cascavel somou um total de 108 jogos e marcou 49 golos. Saiu dos verde e brancos devido a um conflito com Sousa Cintra e transferiu-se para o Gil Vicente, onde acabou a terra devido a um culminar de lesões.
Abandonou as chuteiras do futebol profissional. Ainda jogou no campeonato de Veteranos, ao serviço do Aliados Futebol Clube, vencendo o troféu de melhor marcador por cinco vezes.
Nos dias que correm, Paulinho Cascavel reside na cidade de onde é natural. É um empresário de sucesso, que gere diversas fazendas no Mato Grosso do Sul. Continua ainda ligado ao futebol, nomeadamente na formação de atletas, sendo que também faz parte do departamento de futebol do Cascavel CR, o seu primeiro clube.

Tecnicista por natureza, Paulinho Cascavel fazia golos de qualquer forma: bola parada, penalty, executava livres com mestria. Dele via-se remates de fora de área como se fossem conclusões simples conclusões para golos dentro da grande área.

Ficha Técnica:
Nome: Paulo Roberto Bacinello
Data de nascimento: 27/11/1959
Naturalidade: Cascavel,Paraná
Nacionalidade: Brasileira
Posição: Ponta-de-lança
Clubes que representou como jogador:Cascavel CR, Criciúma ER, Joinville, FC Porto, Vitória de Guimarães, Sporting, Gil Vicente, Aliados Futebol Clube

Palmarés:
Uma Supertaça de Portugal
Um Campeonato Estadual do Paraná
Um Campeonato Estadual de Santa Catarina
Duas vezes melhor marcador do Campeonato Estadual de Santa Catarina
Duas vezes melhor marcador do Campeonato Português
Melhor marcador da Taça das Taças, na época 87/88

sexta-feira, julho 27, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Michael Manniche



Maniche é um dos melhores médios portugueses da actualidade. No entanto, como é do conhecimento geral, o seu nome verdadeiro é Nuno Ribeiro. O seu nome “artístico” foi inspirado na referência estrangeira desta semana. Michael Manniche foi um dos grandes goleadores que passou por Portugal na década de 80, ao serviço do Benfica.
Começou a carreira no Brønshøj Boldklub, com apenas 18 anos. Em apenas três épocas na equipa de Copenhaga marcou 92 golos. Em 1980, muda-se para outro clube da capital dinamarquesa, o Hvidovre IF. Em Agosto de 1981, Manniche tem a sua primeira internacionalização ao serviço da selecção dinamarquesa, num jogo em que a Dinamarca venceu a Finlândia por 2-1.
É integrado numa nova ideologia táctica, imposta por Sven Goran Erickson, que o dinamarquês chega a Lisboa. O jogador foi amado por muitos adeptos e incompreendido por outros tantos. Manniche podia não ser um tecnicista, como Nené e Filipovic, mas era, com certeza, uma seta sempre virada para baliza. E os números não metem: em 4 épocas marcou 75 golos, ajudando os encarnados a conquistar dois campeonatos e uma Taça de Portugal.
Do Benfica partiu para a sua Copenhaga, para representar o B1903. No seu país, continuou a fazer aquilo que sabia fazer melhor, marcar golos. Em 1992, o B1903 fundiu-se com o Kjøbenhavns Boldklub, de modo a formar o FC Copenhaga. Foi nesse novo clube, que venceu a campeonato dinamarquês no seu ano de estreia, que Michael Manniche terminou a carreira em 1994.
Depois de aparentemente ter terminado a carreira, treinou alguns clubes amadores da sua cidade. Em 1996, no entanto, regressou ao Copenhaga como treinador-adjunto e depois como … jogador. Nessa época, como as coisas estavam a correr mal para o FC Copenhaga, Manniche surpreendeu tudo e todos ao fazer um breve regresso aos relvados, sendo utilizado em quatro jogos da equipa da capital da Dinamarca.
Hoje Manniche é funcionário do FC Copenhaga e esteve em Portugal, aquando da deslocação da equipa dinamarquesa à Luz para defrontar o Benfica. Nesse regresso, o jogador dinamarquês revelou que leva o Benfica no coração e que não esqueceu a língua de Camões.

Michael Manniche era um jogador com características antagónicas: sem argumentos técnicos e com uma relação de todo infeliz com a bola, era, porém, um jogador possante, com um sentido de baliza extraordinário. No final dos jogos, os defesas adversários confessavam que “não tinham mais forças para o suportar, tal era a sua entrega e o seu nível de movimentação.”


Ficha Técnica:
Nome: Michael Manniche
Data de nascimento: 17/07/1959
Naturalidade: Copenhaga
Nacionalidade: Dinamarquesa
Posição: Ponta-de-lança
Clubes que representou como jogador: Brønshøj Boldklub, Hvidovre IF, Benfica, IB1903 e FC Copenhaga
Internacionalizações: 12 (2 golos)




Palmarés:
Dois campeonatos portugueses
Uma Taça de Portugal
Dois campeonatos dinamarqueses
Uma Taça da Dinamarca

sexta-feira, julho 20, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso:Dmitri Alenitchev

Após umas férias, digamos, as referências estrangeiras estão de volta. E não podiam, em minha opinião, voltar da melhor forma, com um jogador que ajudou o futebol português, e particularmente o FC Porto, a fazer história. Falo-vos de Dmitri Alenitchev, jogador russo que representou os dragões durante quatro épocas.

Alenitchev sempre se assumiu como um grande fã do Spartak de Moscovo, contudo começou a carreira no rival Lokomotiv. Ao longo de duas épocas, realizou 69 jogos e marcou seis golos. Em 1994, muda-se para o seu Spartak, onde realiza quatro épocas de grande nível. Em 1996, estreia-se pela selecção russa.
No ano de 1997, é eleito o melhor jogador do campeonato russo, o que levou ao interesse da Roma. Dmitri Alenitchev assinou pela Roma na temporada de 98/99. Na sua primeira época na capital romana jogou 21 jogos, todavia na segunda temporada apenas foi utilizado sete jogos e em Dezembro de 1999 é emprestado ao Perugia.
No Peruggia realiza 15 jogos e desperta o interesse do então vice-campeão português, FC Porto. Alenitchev é uma das transferências mais cara e ingressa nos dragões numa altura em que pairava o fantasma … Jardel.

Num Porto com muitas dificuldades em marcar, o russo destacou-se por fazê-lo logo frente aos rivais Sporting e Benfica. Na primeira época de dragão ao peito, conquistou a Taça de Portugal, para o qual foi decisivo ao marcar o segundo golo portista ante o Marítimo, na final da competição. Apesar de ter caído no goto dos portistas, Alenichev foi um pouco a sombra de Deco e quando entrava em campo não conseguia fazer esquecer o mágico.
Com Octávio Machado no comando dos azuis e brancos, as coisas não correram de feição ao russo. Era cada vez mais a sombra de Deco e era acusado de ser um jogador lento, com pouca aptidão para ajudar a defesa. No entanto, com a saída de Octávio Machado e entrada de José Mourinho, a sorte do russo mudou. Mourinho passou a usar um estilo de jogo que incluía o Alenichev no onze.
Nos anos de Mourinho foi só títulos, com os momentos altos a acontecerem em Sevilha e Gelsenkirchen. E Alenitchev esteve em grande nesses grandes momentos, marcando na final da Taça Uefa e na final da Liga dos Campeões. Sob o comando do “Special One”, o russo melhorou imenso: já não era aquele jogador lento e que não apoiava a defesa. Sempre que o treinador português usava o esquema losango, com Maniche, Costinha e Deco, Alenichev tinha sempre lugar no onze. Com a chegada de Pedro Mendes, porém, perdeu muitas vezes o lugar para o português. Provavelmente o melhor meio campo de sempre do FC Porto!

Após o Euro 2004, em que representou o seu país no nosso país, Alenitchev anunciou à direcção do Porto que gostaria de voltar a representar o seu clube do coração. Pinto da Costa, com alguma tristeza, não pôs entraves e deixou-o ir. Representou o seu Spartak por duas épocas, até que, em Abril do ano passado, deu uma entrevista ao Sport-Express, um jornal desportivo russo, em que criticava duramente o então treinador do Spartak, Aleksandr Starkov. Resultado: o ex-jogador do FC Porto foi colocado a treinar à parte e em Setembro do mesmo ano decidiu retirar-se do futebol profissional.
Depois de acabar a carreira de futebolista, Alinitchev juntou-se ao Partido Unitário Russo. Em Junho deste ano foi eleito deputado para Concelho Federal Russo.

Alenitchev era um jogador audaz, com um remate potentíssimo, no qual dava gosto ver jogar. Tinha uma excelente visão de jogo e tinha uma boa facilidade em encontrar espaços para o remate. Recordar Alenithev é recordar as finais de Sevilha e de Gelsenkirchen. Recordar os momentos mais altos do futebol português recente!

*Curiosidadade
● Antes de abandonar Portugal, o russo foi convidado a fazer uma antevisão do Portugal Espanha, no Euro-2004: "Portugal não tem a mínima hipótese frente à Espanha. Não tenho qualquer dúvida que os espanhóis vão ganhar o jogo e conseguir o apuramento para a fase seguinte do Campeonato da Europa. Vi os dois jogos anteriores e considero que Portugal tem uma selecção fraca. A Espanha aguenta mais a pressão, tem mais futebol, mais fantasia, enfim é superior em tudo. Para mim, Portugal não é candidato a nada". Após o último jogo da selecção russa no torneio, perguntaram-no quem venceria o Europeu e o russo respondeu: “A França vai ser campeã". Como vemos, o ex-jogador do Porto não era muito bom em prognósticos, pois a França viria a ser eliminada nos quartos-de-final pela Grécia. Podíamos não ter sido candidatos a nada, mas a verdade é que vencemos os espanhóis e por pouco não vencemos o Europeu e não chegamos á final do Mundial, dois anos depois. Provavelmente deveria ter aprendido com o velho capitão do FC Porto, João Pinto, a fazer “prognósticos só no final do jogo”.

Ficha Técnica:
Nome: Dmitri Anatolievich Alenitchev
Data de nascimento: 20/10/1972
Naturalidade: Vilikie Lukie
Nacionalidade: Russa
Posição: Médio atacante
Clubes que representou como jogador: Lokomotiv de Moscovo, Spartak de Moscovo, AS Roma, Perrugia, FC Porto, Spartak de Moscovo
Internacionalizações: 54 (6 golos)

Palmarés
Dois campeonatos portugueses
Duas Taças de Portugal
Duas Supertaças de Portugal
Três campeonatos russos
Duas Taças da Rússia
Uma Liga dos Campeõs
Uma Taça Uefa

sexta-feira, maio 25, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Peter Schmeichel



A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores guarda-redes da última década, que no final da sua carreira passou pelo nosso país. Refiro-me a Peter Schmeichel, guardião dinamarquês que representou o Sporting durante duas épocas.
Filho de pai polaco e de mãe dinamarquesa, Schmeichel era considerado um cidadão polaco até 1970, pois a partir daí ele e o seu pai, bem como outros familiares, passaram a ser considerado cidadãos dinamarqueses. Cedo demonstrou que tinha um dom para não deixar as bolas entrarem nas balizas, começando a jogar no Gladsaxe/Hero, clube da localidade onde nasceu. Em 1984, mudou-se Schmeichel fez a sua estreia na na 1ºDivisão dinamarquesa, ao serviço do Hvidovre IF. Nesse mesmo ano, o guardião fez vestiu pela primeira vez a camisola de uma selecção dinamarquesa, a de Sub-21.
Foi no ano de 1987 em que se originou a mudança na carreira de Schmeichel, aquando da sua trasferência para o Brondby. No clube do condado de Copenhaga, começou a ser criado o mito Schmeichel. Por estas bandas, conquistou quatro títulos de campeão e uma taça da dinamarca. A partir de 1988, começou a ser presença habitual na selecção dinamarquesa, estando, inclusive, presente entre os seleccionados no Euro 88.
Na época 90/91, o Brondby fez uma excelente campanha na Taça Uefa, alcançando os quartos-de-final. O guardião fez exibições do outro que chamaram a atenção de Alex Fergunson. Portanto, Schmeichel foi vendido, em 1991, por £530,000, o que, segundo Fergunson, foi “a promoção do século”.
O guardião dinamarquês representou o United durante 8 anos, que coincidiram com o regressso dos Red Devils ao grandes triunfos. Em 1993, o gigante dinamarquês foi preponderante na conquista da Liga Inglesa, título que escapava ao United à 26 anos!
Em 1992, a Dinamarca foi repescada para participar no campeonato europeu, que se disputou na Suécia, a uma semana do começo da competição, devido aos problemas militares existente na Juguslávia. Schmeichel, juntamente com os irmãos Ladrup, entre outros, surpreenderam meio mundo ao sagrarem-se ... campeões europeus.
Por Inglaterra, o dinamarquês era cada vez mais um dos grandes ídolos dos adeptos, numa fase em que os Red Devils eram, indiscutivelmente, a melhor equipa inglesa. Em 1997, num jogo ante o Arsenal, o gigante dinamarquês e o avançado arsenalista Ian Wright trocaram alguns “mimos”. No final do jogo, o avançado inglês acusou o Schmeichel de racismo. Para provar a sua inocência, o guardião juntou-se ao movimento “Kick Racism Out Of Football”.
Saiu do Manchester United em grande, como campeão europeu, e para surpresa de muitos veio ingressar no país à beira do atlântico, fundado no séc.XII, cujo nome é Portugal. No nosso país, veio representar o Sporting, que atravessava uma fase de 18 anos sem vencer o principal título nacional. O dinamarquês, então com 35 anos, foi o talismã que os Leões precisavam para voltarem a conquistar o título nacional. No mesmo ano, esteve presente no Euro 2000, na Holanda e na Bélgica. Da equipa que havia sido campeã europeia em 1992, ele era o único resistente. Os dinamarqueses, incluído no grupo da morte, juntamente com Holanda, França e Rep.Checa, tiveram uma participação para esquercer, não conquistando, sequer, qualquer ponto.
No época seguinte, o Sporting defendia o título nacional, mas as coisas não correram bem aos leões, que acabaram no 3ºlugar, atrás de Boavista e Porto, respectivamente. Nessa época, o gigante dinamarquês abandonou o Sporting, com o intuito de se dedicar à gestão do clube que comprou em 1999, o Hvidovre IF – clube que o lançou para a ribalta. No entanto, recebeu uma proposta do Aston Vila e voltou a Inglaterra. No ano seguinte, Schmeichel, idolatrado pelos adeptos do United, acabou se transferir e acabar a carreira ao serviço do rival Manchester City. Refira-se que o guarda-redes dinamarquês é dos poucos jogadores que nunca perdeu um derby de Manchester, sendo que ao serviço do City, venceu em Maine Road e empatou em Old Traford.
Assim, acabou a carreira de um dos melhores guarda-redes da década de 90. Hoje, Schmeichel, um dos melhores jogadores dinamarqueses de sempre, é comentador habitual da BBC e de várias televisões dinamarquesas.Um ícone do futebol mundial que foi um dos talismã do regresso aos títulos leoninos.



Ficha Técnica:
Nome: Peter Boleslaw Schmeichel
Data de nascimento: 18/11/1963
Naturalidade: Gladsaxe
Nacionalidade: Dinamarquesa
Posição: Guarda-Redes
Clubes que representou como jogador: Gladsaxe/Hero, Hvidovre FC, Brondby, Manchester United, Sporting, Aston Vila e Manhcester City
Internacionalizações: 129 (1 golo!)

Palmarés:
4 Campeonatos dinamarqueses
1 Taça da Dinamarca
5 Ligas Inglesas
3 Taças de Inglaterra
4 Charity Fields
1 Taça da Liga Inglesa
1 Campeonato Português
1 Supertaça de Portugal
1 Liga dos Campeões
1 Supertaça Europeia
1 Taça Intertoto
1 Campeonato da Europa
1 Taça das Confederações
1 Melhor jogador do Campeonato dinamarquês
3 Melhor jogador dinamarquês do ano
2 Melhor guarda-redes do Mundo
1 Melhor guarda-redes da Europa

sexta-feira, maio 11, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Gaúcho


Depois de algumas semanas de ausência, a referências estrangeiras voltam e, em minha opinião, não podiam regressar da melhor forma, uma vez que a referência desta semana foi um dos grandes goleadores da nossa Liga nos últimos anos: falo-vos de Eric Freire Gomes, mais conhecido por Gaúcho, jogador que representou o Estrela da Amadora, o Marítimo, o Rio Ave e, actualmente, o Feirense.

A carreira profissional de Gaúcho começou no Guarani, em 1993. Depois passou pelo Ferroviário e Sp. Recife, sendo neste último que chamou a atenção do Estrela da Amadora.

Chegou ao futebol português na época 96/97 e deu logo nas vistas, pois marcou 21 nessa época.
Era um avançado rápido e oportuno, que aparecia sempre na cara do golo. Na época seguinte, o seu rendimento não foi o mesmo, marcando apenas 6 golos e em Dezembro de 98, sem qualquer golo marcado ainda, mudou-se para o Ourense da II Divisão Espanhola, onde efectuou 17 jogos e marcou dois golos. No entanto, isso tudo foi parte de uma estratégia para o jogador ir a custo zero para o Vitória de Guimarães, só que os planos lhe saíram furjados.

Regressou em força na temporada que se seguiu, que foi, sem dúvida, a sua melhor no nosso país. Marcou 21 golos, contribuindo para o 8º lugar da equipa amadorense. O ano seguinte foi bom para Gaúcho, que continuou a mostrar os seus dotes de goleador, mas péssimo para o Estrela que desceu após oito anos consecutivos na divisão principal.

O avançado brasileiro era um jogador muito bom para jogar na Liga de Honra e, portanto, a mudança para o Marítimo, clube que participaria na Taça Uefa na época 2001/2002, foi o cenário que se seguiu. Refira-se que Gáucho, em quatro épocas e meia, marcou 61 golos ao serviço do clube da cidade da Amadora.

No Funchal, o goleador rapidamente ganhou a simpatia dos adeptos verde-rubros. Era um atacante notável, com um grande sentido de orientação e movimentação, e com faro inegável para o golo. Na primeira época ao serviço da equipa madeirense, marcou um total de 19 golos; foi um dos melhores goleadores do campeonato e ajudou o Marítimo a conseguir uma das suas melhores épocas de sempre. Na época seguinte, mais uma vez esteve em grande nível, fazendo por 15 vezes o gosto ao pé, num ano particularmente difícil para os verde-rubros. Na abertura do mercado, em Dezembro, chegou-se a falar que Gaúcho poderia reforçar o FCSeul, algo que, felizmente, para a equipa da Madeira, não aconteceu.

A época 2003/2004, com Manuel Cajuda ao leme da formação insular, foi particularmente difícil para o jogador. Começou bem, marcando três golos nas primeiras cinco jornadas. Porém, ao longo da época não manteve um bom relacionamento com Cajuda e os exigentes adeptos maritimista começaram a ser pouco pacientes com o avançado. O jogador movimentava-se, fazia assistência, organizava bem o ataque maritimista, só que falta uma coisa que é essencial num ponta de lança: golos. Portanto, o jogador abandonou a equipa madeirense em Fevereiro de 2004, algo magoado com a forma como foi tratado pelo presidente, treinador e, até, adeptos.

Partiu para uma aventura na Coreia do Sul, no Busan Icons, e voltou no mesmo ano ao nosso país, desta feita para representar o Rio Ave. Voltou a demonstrar que continuava a ser o terror de qualquer guarda-redes e, refira-se, que em duas épocas marcou 14 golos.

O ano de 2006 foi um ano terrível para o Rio Ave. O clube foi relegado à Liga de Honra. Gaúcho não encontrou condições para continuar em Vila do Conde e mudou-se para Santa Maria da Feira, de modo a representar o clube local, o Feirense. O projecto da equipa do distrito de Aveiro aliciou o atacante brasileiro. Na corrente época o jogador já facturou por quatro vezes, em 17 jogos.

Gaúcho foi um dos melhores atacantes que já passaram pelo nosso país. Era um jogador fantástico, oportuno, capaz de decidir grandes jogos. Recorde-se que Gaúcho ultrapassou a barreira dos 100 golos no principal escalão do futebol português.

Ficha Técnica:
Nome: Eric Freire Gomes “Gaúcho”
Data de nascimento: 22/09/1973
Naturalidade: Recife
Nacionalidade: Brasileira
Posição: Ponta-de-Lança
Clubes que representou como jogador: Guarani, Ferroviário, Sp.Recife, Estrela da Amadora, Ourense, Marítimo, Busan Icons, Rio Ave e Feirense