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domingo, abril 22, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Peter Rufai



A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores guarda-redes que alguma vez passaram por Portugal. Peter Rufai, o príncipe da Nigéria, notabilizou-se no Farense em meados da década de 90.

Rufai começou a carreira Stationery Stores em 1979, com ainda 16 anos. Porém, só deu nas vistas em 1983, quando os Stores chegaram à final das Taças das Taças africanas. Nesse mesmo ano, estreou-se pela selecção da Nigéria e viria a estar presente na Taça das Nações africanas de 1984.
Em 1985, muda-se para os Femo Scorpions e um ano depois torna-se no primeiro guarda-redes nigeriano a jogar no estrangeiro, ao se mudar para Dragons, clube do Benin. Continuou ao seu nível e esteve presente na Taça das Nações Africanas, de 1988.
Na época de 1989/90, Rufai dá um grande passo na sua carreira ao transferir-se para o Lokeren, da Bélgica. O nigeriano representou esta equipa da Flandres por três épocas. Contudo, as coisas não correram conforme planeado e nem a posterior mudança para o Beveren fez com que Rufai fosse utilizado mais regularmente. A uma certa altura, o guarda-redes deu mais relevância em acabar os seus estudos do que em se concentrar na sua carreira.
Depois de acaba a aventura na Bélgica, muda-se para Go Ahead Eagles da Holanda. Aí voltou a ter as oportunidades que merecia e foi a tempo de ser campeão africano de selecções em 1994, bem como, posteriormente, de estar presente no Mundial de 1994, nos Estados Unidos. Por terras americanas, os super águias, em estreia absoluta, chegaram aos oitavos-de-final, e Rufai foi um dos obreiros de tal proeza.
Deu nas vistas, na maior competição entre selecções, e no ano seguinte estava no … Farense. E foi provavelmente em Portugal, por terras algarvias, onde ganhou foi respeitado. Um guarda-redes temível, seguro, e muito complicado de bater. Recordo-me em particular de um jogo, na época 95/96, em que Marítimo e Farense empataram a 0, no qual Peter Rufai garantiu um ponto, que, mais tarde, viria a ser precioso na manutenção.
Realizou duas épocas e meia de grande nível na capital do Algarve, com especial destaque para a sua primeira época, onde foi uma das pedras basilares do onze de Paço Fortes que conseguiu a qualificação inédita para a Uefa.
Portanto, a meados da época de 96/97 deixa o Farense e transfere-se para o Hércules, de Espanha. Bastou apenas meia época para Rufai se revelar na Liga Espanhola e mudar-se para … o Deportivo.
Todavia, as coisas na Corunha não correram pelo melhor, pois foi sempre a sombra Songo’o. E em duas épocas somente jogou sete partidas oficiais, embora estivesse presente no Campeonato do Mundo de 1998, em França.
Há procura de uma nova oportunidade, Rufai partiu para um país onde foi sempre bem tratado: o nosso. Desta feita para representar o Gil Vicente;
a equipa de Barcelos, que tinha acabado de regressar ao principal escalão, procurava um guarda-redes experiente para ajudar a equipa a ter uma classificação honrosa. No entanto, apesar de todo o seu currículo, o nigeriano apenas jogou um jogo, sendo preterido por Paulo Jorge. No final da época foi … dispensado.
Com esta passagem por Portugal, Rufai acaba a carreira e nos dias que correm é empresário no seu país.
Rufai ainda é hoje é lembrado pelos adeptos que ainda restam do Farense. As gentes de Faro não esquecem toda a sua dedicação pelo clube. Só é pena que o “Príncipe” não tivesse tido o final de carreira que mercecia.


Ficha Técnica:
Nome: Peter Rufai
Data de nascimento: 24/08/1963
Naturalidade: Lagos
Nacionalidade: Nigeriana
Posição: Guarda-Redes
Clubes que representou como jogador: Stationery Stores, Femo Scorpions, Dragon, Lokeren, Beveren, Go Ahead Eagles, Farense, Hércules, Deportivo e Gil-Vicente
Intercionalizações: 65 (1 golo!)


Palmarés
:
Campeão africano de selecções
Vencedor da Taça da Nigéria

sexta-feira, abril 13, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Serge Cadorin


A referência estrangeira desta semana esteve até bem pouco tempo entre nós. Na última terça-feira partiu deste mundo vítima de um ataque cardíaco. Serge Cadorin representou o Portimonense durante três temporadas, sendo um dos símbolos algarvio.
Chegou a Portimão em 1983, transferido do FC Liege, por indicação de Norton de Matos e de Luciano D’Onofrio, ex-jogadores do Standard de Liége. No Algarve, formou um trio célebre, com Rui Águas e Norton de Matos, numa equipa que era comandada por Manuel José e presidida por Manuel João.
Em 1985, fez uma época em grande, marcando 15 golos e sendo preponderante para a qualificação inédita do clube algarvio para a Taça Uefa. Marcou um total de 32 golos ao serviço do emblema da cidade de Portimão.
Na época 85/86, Cadorin especulou ter sido aliciado por parte do Futebol Clube do Porto a cometer um penalti, num jogo que opôs o Portimonense aos azuis e brancos. Curiosamente, os algarvios venceram esse jogo por 1-0, com um golo de … Cadorin!
Em 1986, esteve em mãos um pré-acordo com o Sporting, contudo um acidente doméstico grave deitou por terra essa possibilidade: no Verão de 1986, quando estava em férias no seu país, sofreu queimaduras graves, chegando a estar em coma durante dois meses.
Depois desse acidente, o belga nunca mais foi o mesmo e a sua carreira entrou num declínio. Ainda teve mais algumas experiências, entre elas na Académica, porém nunca mais foi aquele jogador rápido, forte no remate e inteligente a movimentar-se.
Deixou o futebol, passando a dedicar-se ao negócio das feiras. Vinha regularmente a Portugal, tanto para rever como para comprar têxteis, a fim de os vender mais tarde na Bélgica. Manteve grandes amizades com o ex-presidente do Vitória de Guimarães Pimenta Machado e com o também já falecido Vítor Damas. Nunca esqueceu o “seu” Portimonense e, segundo consta, telefonava todas as semanas para saber a sorte do clube que o acolheu em Portugal.
Cadorin faleceu anteontem, vítima de um ataque cardíaco, e contabilizava 45 primaveras. O Presidente do Portimonense, Fernando Rocha, lamenta “a perda de um dos grandes símbolos do clube”. Antes do jogo com o Olivais e Moscavide vai cumprir-se um minuto de silêncio, bem como a bandeira do emblema de Portimão estará a meia haste.

“Foi um cometa que passou no futebol português. Um marcador de golos, sempre pela direita”.
Manuel José

Ficha Técnica:
Nome: Serge Henry Helene Cadorin
Data de nascimento: 07/09/1961
Naturalidade: Stavelot
Nacionalidade: Belga
Posição: Avançado
Clubes que representou como jogador: FC Liege, Borussia Moenchenglabach, Luik, Portimonense e Académica

Palmarés:
3º melhor marcardor do campeonato em 1984/85

RIP

sexta-feira, abril 06, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Stephane Demol


A referência estrangeira desta semana é uma personagem que esteve em destaque ainda na semana, mas não pelos melhores motivos. Stéphane Demol, um dos que aparentemente agrediu os jornalistas portugueses,aquando da chegada da selecção belga ao Aeroporto de Lisboa, foi em outros tempos um defesa-central de grande qualidade com duas experiências distintas no futebol português.

Demol começou a jogar futebol aos nove anos nas escolas do FC Drogenbos e logo o seu talento foi notado pelo poderoso Anderlecht. Aos 14 anos, Demol muda-se para Bruxelas e quatro anos mais tarde começa a treinar com a equipa sénior. Um ano depois, efectuou um jogo pela primeira equipa, o suficiente para receber a medalha de campeão belga.
O ano de 1986 seria o seu ano de afirmação: ganha a titularidade na Anderlecht e é convocado para o Mundial de 86, no México. E foi por terras mexicanas que Demol assinou o seu único golo pelos “Red Devils”, contra a URSS. Após a competição, o jovem, de apenas 20 anos, tinha o mundo a seus pés, contudo preferiu ficar por Bruxelas mais duas aulas.
Em 88/89, após uma época em que foi pouco utilizado, tem a sua primeira experiência no estrangeiro, ao serviço do Bologna, clube de uma cidade que foi palco do um processo que anda a dar muitas dores de cabeça a muitos universitários portugueses. Uma época razoável, que o fez transferir,na época seguinte, para o Porto, então treinado por Artur Jorge.
No Porto foi um dos jogadores que mais contribuiu para a conquista do título. Foi o melhor marcador da equipa, com 11 golos, todos eles de penalti. Há que destacar os dois golos que marcou ao Sporting, nas Antas, num jogo em que os dragões venceram por 3-2.
Apesar de os seus bons desempenhos de dragão ao peito, que muito serviram para que o então jogador do Porto estivesse presente no Itália 90, Demol mudou-se para França para representar o Toulouse. Depois de uma primeira época em alta, o antigo jogador do Porto decide regressar a meio da época ao seu país, desta feita para representar o Standard de Liege, onde realizou duas boas épocas ao serviço do clube ao serviço do clube da Valónia, conquistando uma Taça da Bélgica. Em 1993/94, com ainda 27 anos, muda-se para Cercle Brugge, o grande rival do Club Brugge. No entanto, a época na Flandres não lhe corre be,: jogou apenas 12 partidas e na época seguinte abandona o clube.
Desiludido, Demol parte para uma outra aventura estrangeira e regressa ao nosso país, agora para representar o Sp. Braga. Contudo, a sua vinda a Portugal não foi aquilo que se esperava, pois jogou apenas três jogos. A meio da época, tempo para mais uma mudança, para a Grécia, desta vez, a fim de representar o Panionios, e também aqui as coisas não correram bem.
Acabada a época, o defesa-central escolhe a Suiça como próximo destino. Porém, numa de claro declínio da sua carreira, as coisas voltaram a não correr, o que fez com que Demol, na época 96/97, volta a França de modo a representar o Toulon da segunda divisão. No regresso a terras gaulesas, as coisas voltaram a não correram bem …
Voltou para a Bélgica e acabou a carreira, aos 33 anos, no FC Denderleeuw. Depois de concluir a sua carreira como jogador, Demol iniciou a carreira de técnico. Em 2005, foi treinador-adjunto do Standard de Liege e hoje é assistente do seu bom amigo René Vandereycken na Selecção Belga.
Demol foi no princípio da sua carreira um jogador de grande qualidade, uma das grandes esperanças do futebol belga. Com avançar do tempo a sua carreira entrou num preocupante declínio, todavia. Há poucas semanas, voltou a ser um protagonista, mas, desta feita, por motivos extra-futebol.


Ficha Técnica:
Nome: Stephane Demol
Data de nascimento: 11/03/1966
Naturalidade: Bosvoore
Nacionalidade: Belga
Posição: Defesa-Central
Clubes que representou como jogador: Anderlecht, Bologna, F.C. Porto, Toulouse, Standard Liege, Cercle Brugge, Sp. Braga, Panionos, Lugano, Toulon e Denderleeuw

Palmarés:
3 campeonatos belgas
Duas taças da Bélgica
Uma supertaça da Bélgica
Um campeonato português
Uma supertaça de Portugal

sexta-feira, março 16, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Carlos Mozer



A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores centrais que já vi actuar no futebol português. Carlos Mozer ainda é hoje é lembrado na Luz e é muitas vezes utilizado como alvo de comparação com algum elemento do sector defensivo.



A sua carreira como sénior começou no Flamengo. Nas duas primeiras épocas oscilou entre a equipa principal e os reservas, até que na terceira época ao serviço do clube do Rio de Janeiro assumiu-se como patrão da defesa.
Em 1983, Mozer dá um grande passo na carreira, ao cumprir a sua primeira pela selecção brasileira, num jogo amigável contra o Chile.

As épocas foram passando, e Mozer era cada vez mais um dos defesas-centrais brasileiros a seguir em atenção.



Na época 87/88, Ebbe Skovdahl, antigo treinador do Benfica, que, porém, não teve muito sucesso para os lados da Luz, insistiu na sua contratação para os encarnados.
O central cedo fez as delícias dos exigentes adeptos benfiquistas, e na sua primeira época em Portugal, além da sua habitual eficácia defensiva, demonstrou dotes do goleador, apontando 8 golos. Na época seguinte, conquistou o seu primeiro título de águia ao peito, para o qual foi preponderante.



No final dessa temporada, Mozer abandona o Benfica rumo a um novo desafio: Olympique de Marselha. Em França, continuou a manter o nível exibicional que tinha exibido no nosso país. Em três anos, três anos ligas francesas, títulos que muito contribuiram para que o defesa estivesse presente no Mundial de 90, em Itália, que, no entanto, foi de má memória para o escrete.



Das duas épocas que esteve na Luz, o central brasileiro ganhou um grande amor pelo clube encarnado e, portanto, não foi de admirar o seu regresso, quando já tinha 32 anos, aos encarnados na época na 92/93. Mozer fez parte da última grande do S.L. Benfica, onde constatava uma série de grandes jogadores, como Rui Costa, João Pinto, Schwarz, entre outros. Conquistou uma Taça de Portugal e um Campeonato Nacional, representando por mais três épocas o clube da Luz.



Em 1995, parte para uma outra aventura, por ilhas japonesas, de modo a representar o Kashima Antlers. Ficou dois anos por terras nipónicas e ajudou o clube japonês a vencer a sua primeira J-League.



Concluída esta aventura por terras do Oriente, retirou-se do futebol profissional e voltou a Portugal, onde continuou a acompanhar o clube encarnado como poucos. Foi um habitueé em programas desportivos e mais tarde comentador.



Na época 2000/2001, regressou à Luz, mas desta feita como adjunto de Mourinho. Todavia, saiu antes do final da época, aquando da rescisão do actual treinador do Chelsea.



No ano passado concluiu o curso de treinador e a sua primeira aventura é por terras … angolanas, como treinador do Interclube de Luanda.



Mozer era um jogador com um estilo de jogo inconfundível e que se caracterizou por um “sair a jogar” em vez do típico central que chuta logo a bola para a frente. Enfim, um atleta de classe inigualável.



Ficha Técnica:
Nome: José Carlos Nepomuceno Mozer

Data de nascimento: 19/09/1960

Naturalidade: Rio de Janeiro

Nacionalidade: Brasileira

Posição: Defesa-Central

Clubes que representou como jogador: Flamengo, Benfica, Marselha e Kashima Antlers

Internacionalizações: 36



Palmarés:

Dois campeonatos portugueses

Uma Taça de Portugal

Dois campeonatos cariocas

Dois campeonatos brasileiros

Três campeonatos franceses

Uma J-League

Uma Taça dos Libertadores

Uma Taça Intercontinental

sexta-feira, março 09, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Rabah Madjer


A referência estrangeira desta semana é um jogador que ficará para sempre no coração dos adeptos do F.C. Porto, que nunca esquecerão aquele fantástico “calcanhar vagabundo” que lançou os dragões para a sua primeira conquista europeia. Um verdadeiro jogador das Arábias, com uma técnica que encantou portistas e não só.



Oriundo de uma família de 12 filhos, cujo pai era florista e mãe doméstica, cedo se apercebeu que só uma bola lhe poderia resgatar de uma vida à míngua de vento. Começou a jogar no Onalait, clube do seu bairro, como defesa direito. Contudo, devido a marcar muitos golos, o seu treinador fez de si um … avançado. Deu nas vistas e mudou-se para o MAHD. No MAHD, Rabah completou a sua formação, estreou-se como sénior e venceu uma Taça da Algéria.

Em 1982, representou o seu país no Mundial de Espanha, onde marcou o golo da vitória argelina frente à República Federal da Alemanha.

Em 1983, com 26 anos, mudou-se para a cidade luz, Paris, essa mesma, de modo a representar o Racing de Paris. Era, na altura, o jogador africano mais caro…Todavia, a vida por terras gaulesas não foi fácil: queixou-se de lesões e de chauvinismo de racismo. Ainda foi emprestado ao Tours, mas os problemas continuavam.



Em 1985, o seu passe foi oferecido a Pinto de Costa a preço de promoção. Foi em Portugal que a carreira de Madjer, jogador que nunca escondeu os seus ideais – nomeadamente a sua religião –, que a carreira de Madjer ganhou um outro rumo, embora nunca tivesse tido um bom relacionamento com o seu então treinador, Artur Jorge. Devido ao sistema utilizado por Artur Jorge, a fantasia que saía dos pés de Madjer era limitada. Mesmo assim, os adeptos do Porto foram presenteados com momentos de puro deleite, como o calcanhar de Viena e o golo na neve de Tóquio, este último que daria a primeira Taça Intercontinental quer para um clube português quer para o F.C. Porto.

Se Artur Jorge nunca lhe deu a liberdade para a fantasia, então Ivic “cortou-lhes as pernas por completo”.



Acabou emprestado ao Valência, numa altura em que Cruyff fez de tudo para levá-lo para o Ajax de Amesterdão. Em uma meia época na nossa vizinha Espanha, marcou 4 golos, em 14 jogos e regressou às Antas na época seguinte, onde fez uma época razoável. Após o regresso Artur Jorge, as fricções entre os dois continuaram e se nas épocas 88/89 e 89/90 Rabah marcou em 6 e 14 golos, respectivamente, já em 1990/1991 este argelino, que tanto deu ao Porto e à própria carreira de Artur Jorge, raramente era convocado. O treinador português dizia: “Quem teima jogar como quer e não como eu quero … não joga”. E devido a querer libertar a sua fantasia, o que chocava com o estilo de Artur Jorge, Madjer ficou de parte. Partiu, algo magoado, mas com o Porto no coração, e acabou a carreira no Qatar. Logo de seguida, fez-se treinador, começando como adjunto da selecção do seu país e sendo promovido a seleccionador em 1993.



Após treinar a sua selecção voltou a Portugal, para o seu F.C. Porto, onde foi técnico de Departamento de Futebol Juvenil. Ensinou com a mesma magia e paixão com que jogava e esboçou o desejo de um dia treinar a equipa principal do F.C. Porto.

Entretanto, sem concretizar o seu desejo, voltou ao Qatar, mais tarde à sua selecção e volta novamente para o Qatar, mas desta feita para iniciar uma carreira de comentador desportivo no canal Al-Jazeera Sports.



Madjer foi um poeta, cujas musas inspiradoras eram as simples bolas de futebol e todas aquelas pessoas que amam o desporto rei, e que consequentemente vibram com todos mágicos que dão encanto ao futebol. Rabah Madjer, como tantos poetas, no entanto, foi um incompreendido, a quem limitaram a inspiração e a quem, de certa forma, cortaram as asas que o faziam voar.



«De qualquer modo, poderia ter dado contribuição mais valiosa ao F. C. Porto se me tivessem deixado utilizar toda a minha intuição, toda a minha capacidade de improvisação. Só jogava... 65 por cento do futebol que tinha, os restantes 35 por cento eram o que eu gostaria de fazer e... não fazia. Era pena. Sentia que, de repente, poderia fazer um poema com a bola, uma finta, um passe, um golo, mas tinha de subordinar-se a certas indicações, era triste sentir a minha liberdade criativa coarctada. O golo de calcanhar foi fruto da minha intuição. O segundo golo, na final de Tóquio, contra o Penharol, no prolongamento, com que o F. C. Porto conquistou a Taça Intercontinental, também nasceu de um momento de inspiração.»

Rabah Madjer



Ficha Técnica:

Nome: Rabah Madjer (رابح ماجر)

Data de nascimento: 15/02/1958

Naturalidade: Rabat

Nacionalidade: Argelina

Clubes que representou como jogador: Na Hussein Dey, Racing de Paris, Tours, Futebol Clube do Porto, Valência e Qatar SC Doha

Clubes que treinou: Selecção da Argélia, Departamento Juvenil do F.C. Porto, Al Wakrah Club

Internacionalizações: 87 (40 golos)



Palmarés como jogador:

Uma Taça dos Campeões Europeus

Uma Taça Intercontinental

Uma Supertaça Europeia

Três Campeonatos Portugueses

Duas Supertaças de Portugal

Uma Taça da Argélia

Uma Taça das Nações Africanas



Palmarés como treinador:

Um Campeonato do Qatar

Uma Taça do Príncipe do Qatar



sexta-feira, março 02, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Krassimir Balakov


A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores médios que alguma vez pisou um estádio português. Krassimir Balakov foi um búlgaro que marcou uma época no Sporting.

Balakov começou a carreira ao serviço do Etar Veliko Tarnovo, clube da sua terra natal. Estreou-se na equipa sénior apenas com 17 anos. Logo lhe foi “diagnosticado” prodigiosas qualidades e cedo começou a representar a selecção búlgara. Em 1990, Balakov chegou a assinar um contrário pela mais emblemática equipa da Bulgária, CSKA Sofia. No entanto, o jovem Krassimir, apenas com 24 anos, nem chegou a efectuar um jogo pela equipa da capital búlgara, uma vez que a transferência foi anulada e acabou por voltar ao Etar.



Mas, em Dezembro de 1990, a saída da sua cidade natal aconteceu, enfim. O destino que se seguiu foi a cidade de Lisboa, para representar o Sporting Clube de Portugal. Desde logo, demonstrou para o que vinha. Com a sua grande qualidade técnica e excelente visão de jogo, cedo conquistou os exigentes adeptos leoninos. Porém, Balakov esteve em Alvalade numa das fases mais negras do clube de Alvalade. Apesar de os leões contarem com jogadores de grande qualidade, como Luís Figo ou Stan Valckx, o búlgaro apenas conseguiu um troféu ao serviço do Sporting, a Taça de Portugal (94/95), numa altura em que Sporting atravessava uma crise de títulos. As suas grandes exibições no Sporting fizeram com que estivesse presente no Mundial 94, nos Estados Unidos, onde fez parte de uma magnifica selecção búlgara, onde constavam nomes, como Kostadinov, Iordanov, Letchov, Stoichkov, entre outros, que terminou a prova em 4ºlugar. Nos Estados Unidos, Krassimir foi um dos pilares daquela que foi considerada a selecção sensação, que derrotou, por exemplo, as selecções da Alemanha e Argentina. Após conquistar o seu único troféu no nosso país, Balakov transferiu-se para o Estugarda. Em terras germânicas continuou a demonstrar as características que o fizeram herói em Portugal. Fez parte de um trio atacante de luxo, com Elber e Bobic, que levou o Estugarda à conquista da Taça da Alemanha, em 96/97, e à final das Taças das Taças na época seguinte. Aos 37 anos decidiu pendurar as chuteiras. A fim de assinalar tal acontecimento foi organizado um jogo de homenagem entre o Estugarda e “Amigos de Balakov”. Entre esses amigos estavam Kostidanov e Luís Figo.



Depois de acabar a carreira como jogador, começou a dar os primeiros paços como treinador. Começou como adjunto do Estugarda e agora é treinador do Grasshopers. Este ano já esteve em Portugal, onde, felizmente, saiu derrotado ante o Sp. Braga, por 2-0, e consequentemente eliminado.
Krassimir Balakov foi um dos melhores jogadores da sua geração. É o terceiro jogador búlgaro mais internacional de sempre e é considerado o 2º melhor jogador de todos os tempos no seu país, logo a seguir a Hristo Stoichkov.



"É um génio, um tesouro. Se pudesse, tinha-o treinado em todos os clubes por onde passei. Grande visão de jogo e supercraque com a bola."

Boby Robson



Ficha Técnica

Nome: Krassimir Balakov

Data de nascimento: 29/03/1966

Naturalidade: Veliko Tarnovo

Nacionalidade: Búlgara

Posição: Médio

Clubes que representou: Etar Veliko Tarnovo, Sporting e Estugarda

Internacionalizações: 92 (16 golos)

Palmarés:

Uma Taça de Portugal

Um campeonato Búlgaro

Uma Taça da Alemanha

Melhor jogador do campeonato português em 1992

Jogador do Ano na Bulgária em 1995 e 1997

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Tomislav Ivic



Até agora, todas as referências que haviam passado por esta rubrica eram personalidades do qual eu admirava, digamos ídolos, como Benny McCarthy, Stan Valcx, Preud Homme e Alex Bunbury, ou então alguns que não tinha uma opinião formada, pois não os vi jogar, ou treinar, como Cubillas, Yazalde, ou Szabo. No entanto, a referência desta semana nunca me incutiu quer admiração quer simpatia. Falo-vos de Tomislav Ivic, o homem que, apesar de ter sido o primeiro treinador conquistar uma Taça Intercontinental e uma Supertaça Europeia – e única – para uma equipa portuguesa, hipotecou um tri-campeonato para o F.C. Porto, na época 93/94, e proferiu frases inacreditáveis ao serviço do Benfica.



Ivic havia sido um jogador mediano no Hadjuk Split, ao mesmo tempo que era mecânico. Aos 34 anos, retirou-se do futebol, como jogador, e foi para Belgrado tirar um curso de treinador. Terminou-o ao fim de um ano, com distinção. No ano em que o homem, supostamente, chegou à Lua, Ivic começou a sua carreira de treinador no NK Split.

Três anos depois, mudou-se para treinar o clube que representou, como jogador, o Hadjuk Split. Foi, literalmente, chegar, ver e vencer: em quatro anos, conquistou dois campeonatos jugoslavos e quatro Taças da Jugoslávia. A sua fama chegou a Amesterdão, onde, na sua primeira época ao serviço do Ajax, foi campeão holandês. Volta ao “seu” Hadjuk Split para encher a sala de troféus do clube com mais um campeonato jugoslavo.

Entre 1980 e 1987, onde conquistou apenas dois títulos, passou pelo Anderlecht, Galatasaray, Avelino, Panithinaikos, para mais um regresso à sua Croácia, na altura ainda pertencente à Jugoslávia, desta feita ao serviço do Dínamo de Zagreb.

Em 1987, Pinto da Costa viu em Ivic o homem ideal para substituir Artur Jorge, treinador que havia levado o F.C. Porto ao primeiro título europeu. Não defraudou expectativas, uma vez que venceu a Taça Intercontinental, a Supertaça Europeia, o Campeonato e Taça de Portugal. Porém, como era esperado, não foi capaz de igualar, nem de perto, nem de longe, o sucesso alcançado por Artur Jorge na época seguinte.



Em 1988, deixa o Porto, dizendo que “os portistas ainda iriam chorar muito por si”, como se ele fosse um “Special One”; parte para Paris, a fim de treinar o PSG. As suas conquistas de dragão ao peito, foram praticamente as últimas da sua carreira, só seguidas de uma Taça do Rei, ao serviço do Atlético de Madrid, onde jogava Paulo Futre.



Em 1990, o Sporting desejava Ivic, mas o treinador croata recusou, dizendo que tinha “de começar a pensar em descansar”.
Infelizmente, para os adeptos portistas e benfiquistas, Ivic não deixou o futebol e regressou a Portugal, em 1992/1993, aceitando um convite do Benfica. Era o princípio de um calvário… Menos de 5 meses depois de ter assumido o cargo de treinador dos encarnados, Ivic foi chicoteado. Além de deixar o Benfica a 10 pontos do F.C. Porto, proferiu frases inacreditáveis. Uma delas foi quando deu ordem para estreitar o relvado, porque assim, segundo este suposto sábio, teria mais eficácia a recuperar a bola. Acabou por lhe sair o tiro pela culatra, dado que facilitou a vida aos adversários, pois reduziu os espaços de penetração.



Ivic partiu, novamente, para Split, para mais uma vez descansar. Contudo, ainda não era desta que o futebol português se livraria de tal figura… Foi em Split que proferiu a seguinte frase sobre os encarnados: “ao Benfica falta uma liderança forte, um presidente como Pinto da Costa”. Conclusão, dois meses depois era o escolhido de Pinto da Costa para substituir Carlos Alberto Silva.

Foi nessa altura que ganhei a antipatia por este senhor. Nunca vi o Futebol Clube do Porto jogar tão mal. Recordo-me, particularmente, de um jogo em Alvalade, em que, por sorte, o F.C. Porto venceu por 1-0, golo de Domingos, provavelmente no único remate azul e branco ao longo do jogo, num jogo em que os dragões marcaram cedo e depois foi defender de todas as formas. Outro jogo foi na Madeira, num jogo em que Ivic saiu derrotado contra o Marítimo, por 1-0, em que só nos últimos minutos a equipa acordou e onde Fernando Couto, só com um defesa na baliza, remata para a linha lateral. O único aspecto que vale a pena recordar dessa época, com Ivic ao leme, foi a qualificação para a Liga dos Campeões. No seu estilo de jogo que apostava sobretudo no contra-ataque, Ivic hipotecou as hipóteses de o Dragão chegar ao Tri-campeonato. Pinto da Costa continuava a dar votos de confiança ao croata, até que, graças a Deus, Ivic recebe um convite da Fifa para reorganizar o futebol no seu país.



Partiu, para entrar Bobby Robson – esse, sim, um grande senhor –, e cumpriu a missão que lhe foi incutida pela Fifa, e afastando-se de vez, para o bem de todos nós, do futebol português.

Ainda não descansou, e voltou ao Dínamo de Zagreb e à Turquia, desta feita ao Fenerbache, antes de aventuras no Irão e nos Emirados Árabes Unidos.

Em Julho de 1999, regressa às Antas, mas não, felizmente, para voltar a treinar o F.C. Porto, mas sim ao serviço do Standard de Liege, no jogo de apresentação dos dragões aos adeptos, na época 1999/2000.



Depois de experiências, que não serão para mais tarde recordar, com certeza, no Standard de Liege e no Marselha, esta última um regresso, onde chegou a ter o português Agostinho à experiência, durante esse período, voltou definitivamente para Split, a fim de finalmente viver de rendimentos e deixar, de uma vez por todas, para o bem daqueles que gostam da modalidade, o futebol.

Não obstante todas as palavras menos simpáticas aqui proferidas, Tomislav Ivic é um senhor com um currículo impressionável, embora com o passar dos anos a sua estrelinha fosse desaparecendo. Por tudo aquilo que conquistou ao serviço do F.C. Porto, nomeadamente a Taça Intercontinental e a Supertaça Europeia, merece um lugar nesta rubrica.



«Fisicamente ainda tenho condições para continuar a trabalhar. Há muitos treinadores que são mais velhos que eu, mas não queria morrer no banco! Esta é a melhor hora para acabar como treinador, não preciso de morrer como treinador, quero morrer como toda a gente. O futebol, para mim, é como um santo e, no fundo, não vou deixá-lo... O stress do banco é muito difícil para um treinador. Quando se ganha, está tudo bem, mas quando se perde, fica-se triste, doente, e é difícil recuperar.
Estou cansado, porque o futebol está diferente, já não é como antigamente. Em determinada altura, o treinador era a personagem número um do clube, depois passou a ser o jogador e agora é o presidente! Neste momento, o treinador já nem aparece em terceiro, mas sim em 10.º plano. Muitas vezes já só serve para cobrir os erros do clube, não serve para nada. Se me sinto um pouco frustrado por terminar uma carreira de sucesso a meio de uma temporada, sem qualquer título, depois de já não ter sido muito feliz nas cinco épocas anteriores, de tal modo que, no Benfica, pouco antes sofrera a minha primeira chicotada? São situações que nada têm a ver uma com a outra. Esta minha saída do F. C. Porto não se deveu, sequer, a chicotada. Mas, mais importante que os títulos conquistados, um pouco por toda a Europa, foram os jogadores que ajudei a formar. E formei muitos. Esse é o meu orgulho. Muitos deles tratam-me como um pai. Inclusivamente, há famílias de alguns deles que vão à Igreja rezar por mim! Essa é a minha maior satisfação.»



Tomislav Ivic




Ficha Técnica:



Nome: Tomislav Ivic

Data de nascimento: 30/6/1933

Naturalidade: Split

Nacionalidade: Croata

Clubes que representou como treinador: NK Split, Hajduk Split, Ajax, Hajduk Split, Anderlecht, Galatasaray, Avelino, Panathinaikos, Dínamo Zagreb, F.C Porto, PSG, Atlético de Madrid, Marsellha, S.L. Benfica, F.C. Porto, Fenerbache, Al Wasl, Persepolis e Standard de Liege

Selecções: Croácia, Emirados Árabes Unidos e Irão



Palmarés:



1 Campeonato Português

1 Taça de Portugal

1 Taça Intercontinental

1 Supertaça Europeia

3 Campeonatos Jugoslavos

5 Taças da Jugoslávia

1 Campeonato Holandês

1 Campeonato Belga

1 Taça do Rei

1 Taça da Turquia

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Ricky




Alguns anos atrás passou pelo futebol português um nigeriano de nome Richard Owubokiri. Provavelmente este nome não vos diz nada: no entanto, se eu vos disser que este jogador tinha o apelido de Ricky, provavelmente já vos diz alguma coisa. Este jogador foi dos maiores goleadores que passaram pelo futebol português.



A história futebolística deste jogador, como é óbvio, começa no seu país, ao serviço do Sharks, clube onde se formou como futebolista. Assinou o seu primeiro contrato como profissional aos 17 anos. Em 1981, mudou-se para o ACB onde começou a ganhar alguma notoriedade, levando-o, consequentemente, à estreia na selecção nigeriana, na desastrosa campanha dos Super-Águias na Taça das Nações Africanas de 1982.



As suas prestações chamaram a atenção do campeonato brasileiro, e em 1983, já com 22 anos, mudou-se para terras de Vera Cruz, para jogar no América. Na época seguinte, transferiu-se para o vitória, onde continuou a mostrar os dotes de goleador que lhe eram inatos.



Na época de 86/87, realizou um sonho antigo de jogar na Europa. Foi para o campeonato francês jogar no Laval. A época correu-lhe de certa forma bem – marcou 10 golos – que na época seguinte transferiu-se para o Metz. A primeira época na região da Lorena até lhe correu bem. Foi regularmente utilizado. Todavia, o seu segundo ano … foi para esquecer. Entre lesões e opções tácticas, apenas jogou um jogo.



Após essa época desastrosa, surgiu uma oportunidade que podia relançar a carreira de Ricky, no Benfica. Lá chegou a Portugal em 1988, com 27 anos. Embora tivesse sido campeão pelos encarnados, isso é inegável, só jogou apenas 4 partidas. Portanto, na época seguinte mudou-se da Luz para a Reboleira, de modo a representar o Estrela da Amadora. Fez duas excelentes épocas, marcou 28 golos, mostrando os dotes de goleador que já havia mostrado no passado, e ajudou o clube da Amadora a vencer o troféu mais importante da sua história, a Taça de Portugal. Em 1990/1991, os 15 golos que marcou não foram suficientes para evitar a descida do Estrela.



As épocas que realizou na Amadora não deixaram indiferente Valentim Loureiro, que o levou para a cidade invicta para o Boavista. Foi nos axadrezados que o nigeriano fez as suas melhores épocas em Portugal, fazendo uma grande dupla com Marlon Brandão. No primeiro ano com a camisola de xadrez venceu mais uma Taça de Portugal e foi o melhor marcador do campeonato com 30 golos. Em 92/93, no penúltimo jogo da época, vi-o ao vivo primeira vez. Num jogo histórico para os verde-rubros, que se apuraram pela primeira vez para a Taça Uefa, Ricky foi um dos protagonistas ao apontar dois golos, sendo que um deles foi num fora-de-jogo, claríssimo, de quilómetros (Jasus, e se foi). Outro foi num golo de belo efeito marcado de fora da área, com poucas hipóteses para Everton, o então líder da baliza maritimista. Felizmente, o Marítimo, que esteve a perder por 1-2, acabou por virar o resultado para 3-2 e, como referi, conseguir o apuramento histórico para a Taça Uefa.



A sua última temporada no Boavista acabou por ser algo conturbada, uma vez que o nigeriano se envolveu numa série de problemas com Manuel José, o então treinador do Boavista. A saída do Bessa foi quase inevitável, e Ricky voltou à capital portuguesa, desta feita a fim de representar o Belenenses. A idade, 33 anos, não permitia ao jogador muita progressão e a época no clube da Cruz de Cristo não foi certamente para recordar.



Acabou por acabar a carreira algures pela Arábia Saudita, ao serviço do Al-Hilal Riyadh, sem antes passar Al-Arabi Doha, do Qatar, o que lhe permitiu encher a conta bancária para regressar ao Brasil e formar uma academia por terras canarinhas que ele ainda dirige.



Ricky foi um jogador que se fartou de marcar golos. Porém, ao que parece, marcava muitos golos mas falhava o dobro. Era um jogador bastante trapalhão que, ao mesmo tempo que fintava habilidosamente um guarda-redes, muitas atrapalhava-se e caía sozinho, sem que viva alma lhe tocasse.



Ficha Técnica:



Nome: Richard Daddy Owubokiri

Data de nascimento: 16/07/1961

Naturalidade: Port Harcourt

Nacionalidade: Nigeriana

Posição: Avançado

Clubes que representou: Sharks, ACB, América, Vitórica, Laval, Metz, Benfica, Estrela da Amadora, Boavista, Belenenses, Al-Arabi Doha e Al-Hilal Riyadh



Palmarés:


Um campeonato português

Duas Taças de Portugal

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Sven-Goran Erickson

A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores treinadores que passaram pelo nosso futebol. Sven-Goran Eriksson revolucionou, segundo muitos, o futebol português, com as suas teorias anglo-saxónicas.



Foi jogador em equipas secundárias do seu país e, segundo ele, a sua qualidade como jogador não dava para mais. Aos 28 anos, concluiu o seu curso de Educação Física, com uma tese interessante sobre o futebol anglo-saxónico. Um ano depois, começou a sua carreira de treinador no Degerfors IF, da III Divisão Sueca.

A estreia foi logo coroada com a subida de divisão, e com um surpreendente interesse do Gotemburgo. Mudou-se, então, para Gotemburgo. Em três anos, ganhou um campeonato, uma taça e, contra todas as expectativas, venceu a Taça Uefa em 1982.



O sucesso de Ericksson no seu país despertou a atenção de Fernando Martins, o então Presidente do S.L. Benfica. Na época 83/84, o Benfica apostava num homem de 36 anos, com cara de menino do coro e com uns eloquentes olhos azuis. Logo se mostrou como um treinador, sob a alçada do fair-play.

Com Toni como adjunto, ganhou quase tudo o que havia para ganhar na primeira época; foi campeão nacional, venceu a Taça de Portugal e, por último, levou os encarnados à final da Taça Uefa. Na época seguinte, mais do mesmo, ou seja, o Benfica sagrar-se-ia bi-campeão nacional.



Em 1984, todo o sucesso que Eriksson obteve no Benfica chamou a atenção do Cálcio, e a AS Roma foi o destino que se seguiu. Por pouco não venceu o scudetto à Juventus de Platini, ficando-se apenas pela Taça de Itália. No entanto, os dois anos seguintes, a equipa da capital italiana apenas voltou a vencer mais uma Taça de Itália, o que não foi do agrado dos dirigentes. Mudou-se para Florença, onde relançou a equipa na rota europeia.



Em Maio de 1989, Jorge Brito convenceu Eriksson a voltar à Luz, abrindo os cordões à bolsa. Esteve mais três épocas na Luz, onde conquistou uma Supertaça e um campeonato nacional. Realce-se o facto de ter chegado à final da Taça dos Campeões Europeus, acabando por ser derrotado pelo Milan por 1-0.

Em 1992, Eriksson volta para Itália para lá passar o resto da década. Na Sampdória, equipa que liderou durante 5 anos, venceu uma Taça de Itália, em 1994, e eliminou o F.C. Porto da Taça das Taças na época seguinte. Foi na Lázio, clube para o qual se mudou em 1997, que Eriksson teve maior sucesso no Cálcio.



Em quatro anos, venceu duas Taças de Itália, duas Supertaças, um Scudetto, uma Taça das Taças e uma Supertaça Europeia. Em 2001, Eriksson, que sempre foi um grande fã do futebol anglo-saxónico, recebeu a proposta mais aliciante da sua carreira: ser seleccionador inglês. Em 2001, rescinde com a Lázio e começa o seu trabalho ao serviço da Federação. Logo colocou a equipa inglesa no caminho para a qualificação para o Mundial de 2002, o que muitos perspectivam como impossível. Em 2002, no campeonato do mundo, organizado pela Coreia do Sul e Japão, levou a Inglaterra aos quartos-de-final da competição, onde foi eliminado pelo nosso bem amado Felipão, na altura seleccionador brasileiro, no primeiro de três confrontos em grandes competições com o actual seleccionador nacional. Em 2004, em Portugal, voltou a ser eliminado por Scolari, mais uma vez nos quartos-de-final, nas sempre ingratas grandes penalidades, depois de empate por 2-2 no fim do prolongamento. Como, para nós, felizmente, não há duas sem três, em 2006, na Alemanha, Scolari voltou a levar a melhor, nos quartos-de-final de uma competição, para não variar, e novamente através de grandes penalidades.



Após o Mundial de 2006, abandonou o comando da selecção inglesa. A vida de Eriksson em Inglaterra não foi fácil, visto que era constantemente perseguido pelos impiedosos média ingleses, que têm uma forma estranha de fazer jornalismo.



Ericksson, um amante do futebol inglês, teve em Portugal cinco épocas memoráveis. Com os seus elevados padrões britânicos e de fair-play, foi um treinador que trouxe uma nova mentalidade para o nosso país. Numa altura em que Pinto de Costa falava em “roubos de igreja ao F.C.Porto”, Eriksson, com todo o seu profissionalismo, queixava-se da falta de sorte, pois queria impor outro estilo.



«O golo é o que mais interessa no futebol, por isso nunca ninguém verá o Benfica a jogar para não marcar golos, jogue onde jogar, jogue contra quem jogar.»

Sven-Goran Eriksson



Ficha Técnica:



Nome: Sven-Göran Eriksson

Data de nascimento: 5/2/1948

Naturalidade: Torbsky, Varmland

Nacionalidade: Sueca

Clubes que representou como treinador: Degerfors, Gutemburgo, Benfica, Roma, Fiorentina, Sampdória, Lázio e Selecção Inglesa





Palmarés:

Três campeonatos nacionais

Uma Taça de Portugal

Uma Supertaça de Portugal

Um campeonato sueco

Uma Taça da Suécia

Cinco Taças de Itália

Duas supertaças de Itália

Um campeonato italiano

Uma Taça Uefa

Uma Taças das Taças

Uma Supertaça Europeia

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Benny McCarthy




A referência estrangeira desta semana foi um dos melhores avançados, senão o melhor, que passou até agora pelo nosso país este milénio. Benny McCarthy marcou uma época no futebol português e deixou saudades a muitos adeptos portistas.



Mccarthy destacou-se ainda muito jovem na formação sul-africana do Seven Stars e Ajax não hesitou na sua contratação. Na sua época de estreia no clube holandês, marcou 9 golos e sagrou-se campeão holandês e conquistou a Taça da Holanda. Nesse mesmo ano, esteve presente no Mundial, em França, onde marcou um golo. Na época seguinte, marcou 11 golos e esteve pela primeira vez nas Antas, na vitória do Porto frente ao Ajax, para a Liga dos Campeões, por 3-0.



McCarthy estava em visível ascensão, e a transferência para o Celta de Vigo, em 1999, foi um dos passos mais importantes da sua carreira. Nesse ano, encontrou o Benfica na Taça Uefa, no célebre 7-0. Foi o seu melhor ano em Espanha, porque nas épocas seguintes foi pouco utilizado.

No início da época 2001/2002, McCarthy acabou por ser colocado à venda pela equipa galega. No entanto, acabou por estar meio época em Vigo e só na abertura do mercado em Dezembro é que mudou de ares. Em Janeiro de 2002, é apresentado por Pinto da Costa, com o número 77, de modo a recordar a sua participação no calvário encarnado. E por ironia do destino, a sua estreia no campeonato acabou por ser contra o clube da Luz, dia 10 de Fevereiro de 2002. Jogou 56 minutos, na vitória portista por 3-2. Fez uma excelente segunda volta nas Antas, onde em 11 jogos marcou 12 golos. Foi essa segunda volta que ajudou o sul-africano a estar presente no Mundial de 2002, ao serviço da selecção do seu país, onde, à semelhança de 98, voltou a deixar a sua marca. O Porto, e especialmente José Mourinho, quis mantê-lo, mas o Celta pediu um preço muito elevado para os cofres das Antas.



Portanto, voltou para Espanha, onde continuou a ser pouco utilizado.Na preparação para época 2003/2004, o F.C. Porto, campeão português e vencedor da Taça Uefa, perdeu uma das peças mais importantes do seu ataque, Hélder Postiga. Para o substituir, José Mourinho não esteve com meias palavras: “McCarthy é a primeira e segunda opção para substituir Hélder Postiga”. O negócio esteve foi díficil, mas parecia que estava destinado que Benny McCarthy voltaria ao FC Porto.



O resto vocês já sabem…. Essa foi uma das melhores épocas de sempre dos dragões e McCarthy esteve em grande. Além de ter sido o melhor marcador do campeonato português, coloborando, por conseguinte, para a conquista do título nacional, o jogador foi determinante na conquista da Liga dos Campeões. Relembro-me, nomeadamente, do jogo com o Manchester United, no Dragão, onde o sul-africano marcou os dois golos que permitiram aos portistas partir em vantagem para a segunda mão.
Com a saída de José Mourinho, McCarthy também manifestou o desejo de sair, principalmente depois de saber que Victor Fernandez, treinador que não lhe deu muitas oportunidades no Celta de Vigo, seria o seu treinador. Contudo, a direcção azul e branca não chegou a nenhum acordo e McCarthy acabou por ficar. Victor Fernandez, por sua vez, rendeu-se às evidências, de que McCarthy era o atacante de melhor qualidade no plantel, e lá colocou o sul-africano no seu onze. Apesar de para o FC Porto essa época ter sido, no geral, para esquecer, McCarthy acabou por fazer uma época positiva, marcando 11 golos para o campeonato e outros três para a Liga dos Campeões.



Para a época 2005/2006, o jogador voltou a manifestar vontade em abandonar Portugal. Mais uma vez, todavia, não houve acordos e lá tivemos de o aguentar mais um ano. No princípio da época, o jogador e Co Adrianse tiveram algumas divergências, nomeadamente por questões …. capilares. No jogo da terceira jornada, com o Rio Ave, o jogador não foi convocado, porque desobedeceu às regras que haviam sido impostas pelo holandês, quando decidiu fazer tranças no cabelo. Resolvidos os problemas, ao longo da época, o sul-africano foi um dos intocáveis de Adrianse e deu uma contribuição para a dobradinha. Apesar de só ter marcado três golos no campeonato, McCarthy revelar-se-ia decisivo em dois jogos da Taça. Primeiro, contra o Marítimo, marcou os golos da vitória portista no Funchal. Mais tarde, na final antecipada contra o Sporting, foi dele o tento que permitiu aos dragões anularem a vantagem leonina.Não obstante todo o sucesso no FC Porto, estava bem presente em Benny o sonho de jogar em Inglaterra. Começou por fazer parte dos planos de Adrianse para este época, mas Pinto de Costa acabou por lhe fazer a vontade e o jogador transferiu-se para o Blackburn Rovers. McCarthy abandonava, assim, o clube onde atingiu o auge da sua carreira.Em Inglaterra, McCarthy continua a espalhar o perfume do seu futebol, já leva 10 golos, e é um dos intocáveis de Mark Hughes.



Por um lado, o feitio de Benny McCarthy poderá fazer com muitos o odeiem. Por outro lado, as inegáveis qualidades futebolísticas fazem com muitos adeptos do desporto rei o amem. É um jogador que é frequentemente chamado para a selecção sul-africana, apesar de já serem conhecidas as suas divergências com alguns dos seleccionadores do seu país.



Ficha Técnica:



Nome: Bennedict Saul McCarthy

Data de nascimento: 12/11/1977

Naturalidade: Cidade Do Cabo

Nacionalidade: Sul-Africana

Clubes que representou: Seven Stares, Ajax, Celta de Vigo, FC Porto e Blackburn Rovers

Internacionalizações: 65 (28 golos)



Palmarés:

Dois campeonatos portugueses

Uma taça de Portugal

Duas Supertaças de Portugal

Um campeonato holandês

Duas Taças da Holanda

Uma Liga dos Campeões

Uma Taça Intercontinental

Melhor marcador do campeonato português na época 2003/2004

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Referências Estrangeiras no Futebol Luso: Jimmy Hagan

A referência estrangeira desta semana foi um treinador que marcou uma época no futebol português, nomeadamente ao serviço do Benfica. Era inglês, e Jimmy Hagan era o seu nome.

Filho de um dos primeiros profissionais de futebol em Inglaterra, Hagan cedo mostrou interesse e capacidade de se impor no desporto rei. Foi um dos melhores jogadores da sua geração, que se notabilizou no Sheffield United, onde ainda hoje é considerado o melhor jogador de sempre daquela equipa, e representou por 48 vezes a selecção inglesa, uma delas, em 1947, no Jamor, quando a equipa de todos nós foi goleada pelos anglo-saxónicos por 10-0! Foi, igualmente, soldado na 2ªguerra mundial e, findos os seus serviços no exército, em 1951, Hagan, com 33 anos, tinha uma proposta tentadora de um clube londrino, mas, por amor à camisola, jurou acabar a carreira no Sheffield United. E só parou aos 40 …

Mal acabou a sua brilhante carreira como jogador, começou outra, desta feita como treinador. Começou no Peterborough United, onde este durante 4 épocas e conquistou a League 2. Mudou-se, posteriormente, para o West Browinch Albion, conquistando uma Taça da Liga Inglesa.

Em 1970, recebeu o convite para vir treinar o Benfica; uma proposta que, segundo Hagan, era irrecusável. Chegou à luz e, de acordo com crónicas da época, deu logo nas vistas pelo seu sorriso fechado e pelo seu cabelo cor de canela-granitado.

Chegou, viu e venceu. Três anos, três vezes campeão e uma Taça de Portugal. Treinador duríssimo, de espírito indomável, de rosto fechado, que tinha por hábito realizar treinos no dia dos jogos.

No dia de um jogo de homenagem a Eusébio, Hagan castigou Toni e Humberto Coelho por estes terem cometido uma pequena “irregularidade”, durante uma corrida pelo relvado, e afastou-os do jogo que oponha o Benfica a uma selecção europeia. Os dois jogadores, suspensos, foram, com as lágrimas nos olhos, falar com Borges Coutinho, o então Presidente do Benfica, uma espécie de anjo na terra, que os mandou equipar. Mais tarde, Coutinho comunicou o sucedido a Hagan, explicando que aquele era um jogo de festa. O inglês, agreste, bateu com a porta da cabine, e nem orientou a equipa nesse amigável. O óbvio aconteceu no dia seguinte, isto é, Hagan rescindiu o contrato que o ligava aos encarnados.


Da Luz foi para o Estoril, onde conduziu canarinhos à I Divisão. Esteve uns anos no Kuwait, para encher a sua contra bancária de petro-dólares, e passou pelo Sporting de João Rocha, mas em Alvalade não foi além do 3ºlugar. Andou pelo Bessa, para ganhar uma Taça Portugal, e depois de uma experiência em Belém deixou, subitamente, o futebol, para descansar! Nunca esqueceu o amor que sentia pelo nosso país, vindo cá frequentemente.


Faleceu a 28 de Fevereiro de 1998…



Em 2001, Eusébio deslocou-se a Sheffield a fim de homenagear o seu antigo treinador e amigo, junto da sua estátua de bronze na sede do Sheffield United.
Jimmy Hagan era descrito, por quem o conheceu, como duro, frio, intratável, tirano e sisudo. Ficou famoso por uma expressão anglo-saxónica com que retorquiu muitas vezes aos jornalistas: no comments


«Sempre que a minha equipa entrava em campo eu ficava com os jogadores no coração. Nunca deixei de ser jogador e jogava com eles. Nos treinos não era duro, apenas exigia que fizessem aquilo que eu faria se estivesse no lugar deles. E se os multava era porque eles mereciam. A minha justiça foi sempre salomónica, porque foi assim que me ensinaram a viver.»

Jimmy Hagan





Ficha Técnica:

Nome: Jimmy Hagan

Data de nascimento: 21/01/1918 a 28/02/1998

Naturalidade: Washington

Nacionalidade: Inglesa

Clubes que representou como jogador: Derby County e Sheffied United

Clubes que representou como treinador: Peterborough United, West Browinch Albion, Benfica, Estoril, Sporting, Boavista, Belenenses

Internacionalizações: 48 (1 golo)



Palmarés:


Três campeonatos nacionais

Duas Taças de Portugal

Uma Taça da Liga Inglesa

Uma League 2

sábado, janeiro 20, 2007

Referências estrangeiras do futebol luso: Stefan Schwarz


A referência estrangeira desta semana foi o melhor lateral-esquerdo estrangeiro que alguma vez vi jogar no nosso país. Falo-vos de Stefan Schwarz, jogador que jogou quatro épocas no Benfica.
Schwarz formou-se nas escolas do Malmo, clube da sua cidade natal. Estreou-se na equipa principal corria a época 86/87, com apenas 17 anos. Aos poucos foi-se impondo na equipa e já era considerado um dos jogadores mais promissores da Suécia. Em 1988 e 1989 foi preponderante para a conquista de dois títulos, o Campeonato Sueco e a Taça da Suécia, respectivamente. Toda a sua preponderância e atitude em campo valeu-lhe a convocatória para o Mundial de 1990, em Itália, onde os suecos não passaram a primeira fase. Contudo, Schwarz deu nas vistas e o Benfica, liderado por Eriksson, também sueco, não hesitou em contratá-lo.
Chegou e conseguiu logo impor-se, agarrando por conseguinte o lado esquerdo da defesa encarnada. Era um jogador polivalente; aliava uma capacidade defensiva a um poder ofensivo e para não falar do seu forte pontapé. Nos encarnados foi uma das espinhas dorsais de uma grande equipa. Conquistou ao serviço do Benfica dois campeonatos nacionais e uma Taça de Portugal.
Continuou a ser opção da Selecção da Suécia, estando presente no Europeu de 1992, organizado pelo o seu país, e no Mundial de 1994, nos Estados Unidos. Nessa última competição, os suecos terminaram no terceiro lugar e Stefan Schwarz, apesar de ter sido expulso no jogo das quartos-de-final, contra a Roménia, teve em evidência. Curiosamente, na única derrota da selecção sueca na competição , que foi contra o Brasil, que viria a vencer a prova, o então benfiquista não teve presente.


Começou a ser cobiçado por meio mundo e a sua saída acabou por ser inevitável. Deixou muitas saudades e na Luz e muitos consideram-no o melhor lateral-esquerdo que já passou pelos encarnados.
Foi para o Arsenal, onde só esteve uma época e não foi muito feliz, e acabou por na época seguinte voltar a ser colega de Rui Costa, mas na Fiorentina. Em Florença, voltou a exibir o fulgor que havia demonstrado no nosso país. Na época 96/97, volta ao Estádio da Luz, para uma eliminatória da Taças das Taças, no célebre jogo em que Rui Costa chorou depois de marcar um golo ao seu clube do coração.
Na época 98/99, o jogador vai para o campeonato espanhol para representar o Valência. Na época seguinte, o Sunderland, clube que havia sido recém-promovido à Premier League, pagou 1,2 milhões de contos pelo sueco. O negócio teve quase a não se concretizar, devido à má experiência de Schwarz quando representou o Arsenal. Mas desta vez a experiência foi proveitosa.
A época estava a correr às mil maravilhas até que uma lesão no tendão de Aquiles fez com que a época acabasse para o jogador e o afastasse do Euro 2000. As lesões continuaram a afectá-lo e em 2001 é operado ao joelho. Nesse mesmo ano, com trinta e dois anos, deixa a sua Selecção devido às inúmeras lesões, onde actuou por 69 vezes, muitas delas como capitão, de modo a concentrar-se apenas no Sunderland.
Em Janeiro de 2002, Schwarz assumiu publicamente que gostaria de voltar ao Benfica e que, inclusivamente, gostaria de acabar a carreira no clube da Luz.
O fim da carreira estava perto e o jogador era cada vez menos utilizado no Sunderland. Na época seguinte, continuou na equipa inglesa, mas, ao mesmo que era jogador, também fazia parte da equipa técnica. No final da época, decidiu pôr um ponto final na sua brilhante carreira.
Hoje o jogador é empresário de futebol no seu país, mas vem regularmente ao nosso país, uma vez que é casado com uma portuguesa e tem uma casa em Cascais.
Jogador de uma grande garra, disponibilidade física e mental, Stefan Schwarz foi um jogador que fez da parte daquela que, em minha opinião, foi a última grande equipa do Benfica. Um jogador fantástico, que ainda hoje deixa saudades.


Ficha Técnica:
Nome: Stefan Schwarz
Data de nascimento: 18/04/1969
Naturalidade: Malmo
Nacionalidade: Sueca
Posição: Lateral-Esquerdo
Clubes que representou: Malmo, Benfica, Arsenal, Fiorentina, Valência e Sunderland
Internacionalizações: 69 (6 golos)


Palmarés

2 Campeonatos Nacionais
1 Taça de Portugal
1 Campeonato Sueco
1 Taça de Suécia
1 Taça de Itália
1 Supertaça de Itália
1 Bola de Ouro, atribuída ao melhor jogador sueco

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Referências estrangeiras do futebol de luso: Mário Jardel

Depois de algumas semanas de ausência, devido a alguns problemas técnicos, as referências estrangeiras voltam e, posso dizer que, em força. Pensei inicialmente fazer sobre Stefan Schwarz . quiçá para a semana –, mas devido às últimas notícias decidi alterar o protagonista da rubrica desta semana para aquele que foi, sem sombra de dúvida, a grande referência estrangeira no nosso campeonato nos últimos dez anos: Mário Jardel.
Jardel, como grande parte dos jogadores brasileiros, veio de uma família de aficionados por futebol, inclusivamente um avô e um tio haviam jogado nas escolas do Ceará, embora nunca tivessem chegado ao patamar profissional.
A carreira de Jardel, por incrível que pareça começa com uma recusa por parte do Ceará. Sem muitas alternativas, Jardel começou a treinar-se no Ferroviário. Num torneio, o miúdo Jardel despertou o interesse do Vasco da Gama. A partir daí, começou a frequentar as selecções jovens do Brasil, onde inclusivamente foi campeão do mundo de Sub-20 em 93, na Austrália, o que lhe valeu o seu primeiro contrato como profissional. Porém, nunca consegui se impor na equipa e acabou emprestado ao Grémio. Em boa hora, refira-se …….
Em Porto Alegre, caiu nas graças do nosso bem conhecido Luís Filipe Scolari, que montou um esquema táctico centrado no brasileiro. Marcou 10 golos e ajudou o Grémio a conquistar a Taça dos Libertadores. O Grémio quis segurar o jogador, porém Vasco da Gama pedia um preço elevado pelo jogador. E aí entra o F.C.Porto……
O F.C.Porto acaba por ganhar uma corrida que havia sido disputado, entre outros clubes, com o S.L. Benfica.
Foi chegar, ver e vencer. Na primeira época, torna-se o goleador mor do campeonato português, com 30 golos, sendo preponderante para o tri-campeonato portista. O F.C. Porto tornou-se dependente do jogador, que, a qualquer momento, podia decidir um jogo. Era comum ler-se ou ouvir: “quem tem Jardel tem tudo”. Era algo quase nunca visto no nosso país. Era um jogador que marcava todos os golos possíveis e imagináveis; tinha uma alta impulsão, o que permitia com que marcasse imensos golos de cabeça.


Ao fim de 4 épocas, onde foi sempre o melhor marcador, com 3 campeonatos nacionais, duas taças de Portugal e três supertaças, o F.C. Porto recebe uma proposta tentadora do Galatasaray e vende a sua garantia de golos.
As coisas começaram bem para o brasileiro: foi preponderante para a vitória na Supertaça Europeia, com dois golos. No entanto, uma série de lesões e problemas de adaptação ao país fizeram com que o jogador não apreciasse a sua aventura turca. A meio da época, foi um dos trunfos eleitorais de Manuel Vilarinho nas eleições do Benfica e muito se falou que viria reforçar o clube da Luz.
Tal não aconteceu, bem como não ficou na Turquia. Voltou para Portugal, onde o seu regresso era quase certo ……às Antas. Foi parar, contudo, à segunda circular para representar o ……. Sporting.
No Sporting fez a sua melhor época de sempre em Portugal. Sagrou-se campeão nacional, venceu a Taça de Portugal, marcou um total 55 golos.
Não obstante todo o sucesso que teve em Alvalade, Jardel queria ir para outros clubes, para um colosso europeu. Pelos vistos, os leões não chegaram a acordo com nenhum clube do agrado do jogador e este aparentemente amuado nunca mais foi o mesmo. A época de 2003, apesar de ainda ter marcado 13 golos, foi muito aquém daquilo a que os adeptos estavam habituados e no final da época o Sporting desvinculou-se do jogador.
A partir daí, o jogador esteve quase quatro anos sem competição. Passou pelo Bolton, Ancona, Newell’s Old Boys, Alavés, Goiás, Palmeiras. Teve para ingressar no Nice, onde chegou a treinar três dias, e no Ankarasport, da Turquia, onde não chegou a tempo de ser inscrito no campeonato.
Em 2004. o jogador dá uma surpreendente entrevista ao jornal Record Dez, onde conta todo o drama que passou aquando da saída do Sporting e o seu sonho em jogar no ……Benfica.
No verão de 2006, foi lançado o boato: “Jardel vai regressar a Portugal”. O boato confirmou-se verdadeiro e o jogador reforçou o Beira-Mar. A época começou bem para o brasileiro. Começou como primeira aposta de Augusto Inácio e em três jornadas já havia marcado 2 golos. Contudo, aos poucos foi perdendo espaço na equipa e a instabilidade técnica na equipa aveirense não veio beneficiar o brasileiro.
Ontem, dia 11 de Janeiro de 2007, Jardel e a direcção do Beira-Mar acertaram a rescisão de contrato.
A pergunta é inevitavelmente colocada no ar: será um adeus definitivo daquela que foi a melhor referência estrangeira dos últimos dez anos?
Só o futuro o dirá….



Ficha Técnica:
Nome: Mário Jardel Almeida Ribeiro
Data de nascimento: 18/09/1973
Naturalidade: Fortaleza
Nacionalidade: Brasileira
Posição: Ponta-de-Lança
Clubes que representou: Vasco da Gama, Grémio, F.C.Porto, Galatasaray, Sporting, Bolton Wanders, Newell’s Old Boys, Alavés, Goiás, Palmeiras e Beira-Mar
Internacionalizações: 10 (1 golo)

Palmarés:
4 Campeonatos nacionais
3 Taças de Portugal
4 Supertaças de Portugal
5 vezes melhor marcador do campeonato português
2 botas de ouro
Supertaça Europeia
Taça dos libertadores
2 Campeonatos Gaúchos
Campeonato Carioca
Recopa sul-americana
Torneio de Abertura