quinta-feira, julho 17, 2008

Escravo ou Ingrato?


A novela em torno da possível transferência de Cristiano Ronaldo, do Manchester United para o Real Madrid, ameaça ainda fazer correr muita tinta. Confesso que a forma como ela se foi desenvolvendo me incomodou desde o início, tendo esse incómodo vindo a aumentar à medida que os novos capítulos se vão sucedendo. A vontade de todos os envolvidos é clara. O Real Madrid quer o jogador português, estando disposto a quebrar todos os recordes de transferências (100 milhões de euros?). Ronaldo pretende rumar à capital espanhola, virando costas ao clube que lhe deu a oportunidade de ser aquilo que é hoje. Mas o Manchester United não o quer deixar sair e mostra-se inflexível em negociar a sua grande estrela, seja por que valor for.

Primeiramente, devo dizer que considero a actuação do Real Madrid perfeitamente vergonhosa. Utilizando todos os meios ao seu dispor e fazendo valer o seu poderio financeiro e estrutural, procura seduzir Ronaldo de forma anormalmente insistente, mesmo depois de o United ter declarado o jogador intransferível. O objectivo parece evidente: tornar a relação Ronaldo-United de tal forma insustentável, que obrigue o clube inglês a ceder às pretensões, quer do jogador, quer dos 'merengues'. A falta de respeito revelada pelo colosso espanhol para com um clube concorrente é imbecil. Já se percebeu que o United não quer perder Ronaldo por nada e que um acordo, a bem, entre os dois clubes é impossível. Então, há que fazer pressão constante e pública sobre o jogador, de modo a arrasar a convivência entre o português e a sua entidade patronal. Uma atitude que atropela quaisquer valores éticos e que contribui para uma crescente desumanização do futebol.

O jogador também não tem tido um comportamento correcto. É legítimo que Ronaldo ou qualquer jogador ambicione melhorar as suas condições financeiras ou simplesmente procure um novo desafio para a sua carreira. Há, no entanto, formas certas para o fazer. Declarar publicamente, de forma quase sistemática, que quer sair do United, importando-se apenas consigo próprio, é de uma gritante falta de respeito para com o clube que o projectou para a ribalta e de uma profunda ingratidão para com treinadores (nomeadamente o seu 'protector' Ferguson), colegas de equipa e adeptos do Manchester. Tal conduta leva-me a concluir que o jovem madeirense revela ainda uma dose grande de imaturidade, para além de um carácter discutível. É com mágoa que o digo, uma vez que sou um incondicional admirador do seu talento dentro do campo.

Não sou hipócrita e sei que qualquer pessoa procura sempre o melhor para si. Se amanhã, qualquer um de nós tiver uma oportunidade de trabalho mais vantajosa, vai querer agarrá-la. Todavia, o futebol é uma realidade particular. Ronaldo, como qualquer jogador de topo, aufere já um salário astronómico. A vontade de abraçar um novo projecto ou de ganhar mais dinheiro, não o deve fazer esquecer todos os princípios de gratidão, respeito e carinho pelas pessoas que o ajudaram. Para se perceber onde quero chegar, pensemos nas situações de João Moutinho e Miguel Veloso. Ambos têm ambições de progredir na carreira, mas já todos notaram a diferença de carácter entre um e outro. Tem-me desiludido que o carácter de Ronaldo se pareça mais com o de Veloso que com o de Moutinho...

Além desta vertente do carácter, há ainda uma outra que se prende com a inteligência na gestão de carreira. Cristiano Ronaldo, quanto a mim, não parece ser muito inteligente neste aspecto. Em Manchester, goza de um estatuto ímpar. É o ídolo incontestável, está inserido numa liga à medida das suas características, ganha títulos atrás de títulos, é reconhecido já como um dos melhores jogadores de sempre do clube. Na época que se avizinha, tem a possibilidade de arrebatar títulos importantes e raros como a Taça Intercontinental e a Supertaça Europeia, além dos habituais. Na minha opinião, mesmo não achando que deve manter-se para sempre no clube (mesmo que o fizesse só teria a ganhar, poderia tornar-se na maior figura da gloriosa história do United, à frente de nomes como Charlton, Best, Cantona ou Giggs), julgo que é um ciclo que ainda vai a meio e será um erro crasso se for interrompido abruptamente. O Real Madrid é um clube muito mais problemático, com mais pressão, menos organizado, onde existe uma cultura mais individualista e os jogadores não são tão acompanhados. Será sempre uma opção de alto risco e, mesmo não duvidando da qualidade de Ronaldo para se tornar um ídolo também em Madrid, julgo que o momento certo ainda não chegou.

Digo com todas as letras que, no lugar do Manchester United, não cederia a pressões de nenhuma ordem e manteria o jogador, fazendo valer os direitos provenientes do contrato assinado, de livre vontade, por ambas as partes. Os contratos (ainda) são para cumprir. Ao contrário do que pensa Joseph Blatter, presidente da FIFA, que declarou recentemente, de modo inacreditável, que a vontade dos jogadores deve sempre prevalecer e que se deve combater uma espécie de escravatura (?!) instalada no futebol. Ficámos a saber que para o mais alto dirigente do futebol mundial os contratos não valem nada, quando a vontade dos jogadores é quebrá-lo, e que se deve instituir a lei da selva no desporto-rei. Absolutamente surreal! Obviamente que Ronaldo e o Real Madrid concordaram com Blatter. Será que se o Barcelona, o Milan ou o Chelsea, por exemplo, encetassem uma campanha de assédio idêntica a jogadores como Casillas, Sérgio Ramos ou Robinho, o Real Madrid subscreveria também as infames palavras do incompetente dirigente suíço? Será que Blatter e Ronaldo sabem o que significa 'escravo'? Eu também quero ser 'escravizado' como Ronaldo!

Pese embora as notícias que nos vão surgindo, nomeadamente as produzidas em Espanha, que dão como quase certa a transferência do astro português, continuo com a mesma convicção pessoal desde o começo deste folhetim: Cristiano Ronaldo vai jogar no Manchester United em 2008-09.

quarta-feira, julho 16, 2008

Novo seleccionador - Reflexão

Foi hoje apresentado Carlos Queirós como novo seleccionador nacional português. Lembrei-me de dar algumas considerações sobre esta nova era da selecção nacional e por outro lado suscitar o debate entre todos.


Na minha opinião Carlos Queirós deve ter, como qualquer novo seleccionador, o benefício da dúvida. Há no entanto, no meu entender, demasiada euforia inicial com a escolha do ex-adjunto de Alex Ferguson no Manchester United. Qualquer treinador de futebol é avaliado em função dos resultados que consegue atingir. A verdade é que, como treinador principal, Carlos Queirós conta no seu curriculo "apenas" com dois títulos mundiais de juniores, o último dos quais à 17 anos. A partir daí, só insucessos.
Muitos poderão dizer "foi campeão europeu como adjunto de Ferguson no Man. United". Na minha opinião, transpor esse êxito para um êxito que o transforme num grande treinador é a meu ver arriscado.

Além do problema das elevadas expectativas que todos têm para com Queirós relativamente aos resultados, penso que ele tem em mãos uma outra grande "empreitada" entre mãos e tem a oportunidade de marcar novamente o futebol português. Com a sua experiência no aproveitamente de novos talentos e de organização do futebol jovem, espero sinceramente que Carlos Queirós seja capaz de colocar a organização de todas as Selecções Nacionais no nível que já atingiu há uns anos atrás e consiga passar uma esponja nos insucessos dos últimos anos, muito deles devido à trágica organização que Luís Filipe Scolari trouxe ao conjunto dos escalões de formação da selecção portuguesa.

Da minha parte, boa sorte professor!

E vocês meus caros, o que pensam sobre o assunto?

terça-feira, julho 15, 2008

TAS já decidiu. FC Porto na Champions


O TAS não deu provimento aos recursos apresentados por SL Benfica e Vitória de Guimarães. Assim sendo, o FC Porto vai mesmo jogar a Champions League 2008/09.

Comente aqui o «Fim Europeu» desta Novela.

segunda-feira, julho 14, 2008

Reconhecimento público

Olá a todos.

Várias pessoas já nos têm questionado sobre a "morte" do Futebol de Ataque, devido ao abandono que se tem sentido por estas bandas. Pelas mais variadas razões o que é um facto é que o Futebol de Ataque deixou de ser o espaço que outrora centenas de pessoas passavam diariamente para comentar, ler e até divulgar. Não importa agora discutirmos essas mesmas razões nem sequer pensar no que o futuro nos reserva. O Futebol de Ataque continuará a ser um espaço aberto para qualquer um dos seus membros colocar a sua opinião livre e aberta a críticas. Deixemos claro que não é nossa intenção encerrar o Futebol de Ataque, embora tenhamos a consciência que é muito complicado conseguirmos a actualização que tínhamos há um ano atrás.

Podemos também dizer que é graças a artigos como o que passamos a transcrever, escrito no Jornal "Jornada", que nos fazem ter força para continuar a ter este nosso espaço. Ao autor do artigo, João Mesquita, o nosso muito obrigado pelas palavras elogiosas. Aos nossos leitores (os que ainda existirem), um muito obrigado por ainda passarem por aqui.

Até breve!

In Jornada
"Já passou pelo "Futebol de Ataque"?
Um blog plural que não pode desaparecer


Muitas vezes se criticou aqui o recurso ao anonimato por parte de muitos bloguistas. O dever número um de quem acha ter alguma coisa a dizer a mundo é dar a cara. Por isso, o primeiro elogio devido ao blogue desta semana, o Futebol de Ataque, prende-se com a completa identificação dos seus autores.

No caso em análise, eles, os autores, nem se limitam a dizer-nos o nome. Entre vários outros elementos, confessam-nos a sua simpatia clubística. A nacional e, até, a internacional. O que tem uma vantagem extraordinária, num meio em que a opinião é quase tudo: o leitor sabe exactamente de que ponto de vista parte o escriba.

Sem que ninguém lho tivesse pedido, aliás, os nossos "atacantes" vão ainda mais longe: informam-nos que muitas das suas crónicas sobre jogos correspondem à "opinião portista",ou à "opinião leiriense", ou à "visão boavisteira". O que, num domínio em que, frequentemente, se tenta vender "gato por lebre", quase corresponde a uma lição de ética.

Esta assumida exposição pública dos bloguistas permite-nos, ainda, chegar a outras conclusões interessantes, todas elas positivas. Desde logo, a de que o "Futebol de Ataque" (http://futeboldeataque.blogspot.com) é um blog plural. Dos seus seis fundadores - um dos quais entretanto falecido -, dois são do FC Porto, outros dois são do Benfica, um é do Sporting e um último é do Estrela da Amadora.
Tal pluralidade aumenta se analisarmos a filiação clubística da vintena de opinadores "residentes". Entre eles encontra-se gente do Estoril-Praia, do Marítimo, do União da Madera, do Guimarães, do Varzim, e - quem adivinharia? - do CRI (Clube Recreio e Instrução) de Alhos Vedros, do Santar e do Pampilhosense. Resultado: tal como a quantidade de colaboradores permite o tratamento de uma extensa lista de assuntos, que vão desde o futebol jogado nos países do Leste europeu até ao Futsal, essa diversidade de simpatias viabiliza, de modo que julgo não ter paralelo em blogues do género, o acompanhamento de desafios da principal Liga portuguesa um pouco por todo o país.

Se a isto acrescentarmos os três bloguistas brasileiros que, como está bom de ver, se ocupam do futebol na terra do presidente Lula da Silva, verá o leitor como o pluralismo tem, realmente, muitas vantagens... Será difícil de atingir, não duvida quem percebe a trabalheira que dá encontrar tanto e tão disponível "pessoal". Mas lá que é compensador, isso parece evidente.

Mais três palavrinhas. A primeira, para enaltecer o número de mulheres que participam no blogue. Entre fundadoras e "estrangeiras" (aí está outra coisa que dificilmente saberíamos se imperasse a regra do anonimato), são cinco. O que, não consentindo que se fale em paridade, dá, mesmo assim, para comprovar como é antiquada - se é que alguma vez não o foi... - essa ideia de que o futebol é coisa de homens.

A segunda palavra serve para registar a componente afectiva que perpassa todo o "Futebol de Ataque". Logo na página inicial do blogue que diz nunca jogar para o "zero-zero", presta-se tributo a Daniela Godinho, publicando uma fotografia da fundadora falecida há dois anos. Uma consulta mais aturada, permite ler a carta que ela deixou aos companheiros, quando sentiu que a morte se aproximava. E ver algumas das crónicas que escreveu, as últimas das quais sobre o Europeu de futebol feminino de 2005, ganho pela Alemanha. Assim se humaniza um meio que, pelas suas próprias características, tem um perigoso lado impessoal.

Finalmente, anote-se a singularidade de peças como "Referências estrangeiras do nosso futebol", "Crónica cor de rosa" ou "Tribunal Atacante". Uma são mais conseguidas do que outras, mas, mesmo assim, não se assuste o leitor: a segunda é, apenas, uma prosa inocente e bem humorada; a última não pretende julgar ninguém, mas tão-somente analisar alguns casos de arbitragem (e não só).
Tudo somado, seria uma pena que este blogue desaparecesse. A atender à falta de actualização de várias rubricas, ele parece estar a atravessar uma crise. Mas o "post" mais recente que li - uma crítica, esta bem actual, ao dirigismo desportivo - permite acalentar a esperança de que, provavelmente ao contrário do país, os piores tempos já lá vão. Oxalá continuemos a ter "Futebol de Ataque" por muitos e bons anos, porque não são assim tantos os blogues do género com as qualidades deste."

segunda-feira, julho 07, 2008

Limpeza de balneário... no dirigismo!

O que mais acontecerá neste pobre futebol português?... Por vezes todos nós adeptos, quando falamos do nosso clube ou da nossa selecção, criticamos por não conseguirmos chegar mais além, não conseguirmos atingir mais objectivos. Começo a questionar-me porque é que o fazemos. Depois do que temos visto nos últimos tempos, a qualidade do nosso futebol é muito superior àqueles que o regem!...

Não quero com este post entrar sequer nas questões jurídicas de quem tem ou não razão em todo este caso. O que me apraz dizer é que este estado de coisas não pode continuar. Quase todos os anos temos processos sem fim na justiça portuguesa, resolvidos no timing que esses doutos senhores pretendem, contribuindo para a suspeição, além de conseguirem com isso atrasar a preparação de várias equipas. E não estou só a falar do célebre problema do Apito final. Estou a falar de vários casos que neste momento estão pendentes. Ninguém fala por exemplo que foi feito um sorteio na semana passada para a Liga Vitalis sem se conseguir ainda ter a certeza se Vizela e Gondomar podem estar nessa divisão. Isto para não falar da balbúrdia que vai nos campeonatos não profissionais.

Começa a chegar o tempo de nós adeptos dizermos basta. Começa a chegar o tempo das pessoas responsáveis deste país colocarem um ponto final nesta balbúrdia e tomarem medidas para as evitarem. Neste momento só não somos a chacota da Europa do futebol porque muito provavelmente os outros países nem sequer nos ligam nenhum... O que eles querem é os jogadores portugueses que têm uma qualidade acima da média... Valha-nos isso...

quinta-feira, junho 26, 2008

Benfica contrata... e quase perde 6 pontos

Balboa, após marcar na Champions em 2007


Javier Balboa, ex-jogador do Real Madrid, já foi apresentado como novo reforço do Benfica, juntando-se assim a Yebda e Ruben Amorim. Balboa é espanhol, embora jogue pela Guiné Equatorial, uma vez que tem descendencia desse país. Joga pelos flancos e embora seja direito, diz que gosta de jogar em qualquer posição. Quique Flores conhece bem o atleta, pois já o orientou nas camadas jovens do clube "blanco". O contrato é válido por quatro temporadas e custará qualquer coisa como 4 Milhões de euros.

Aimar ainda não decidu....
Pablo Aimar terá hoje uma reunião decisíva sobre o seu futuro. Ontem corria a notícia de que o Saragoça tería em mãos uma proposta do Panathinaikos, superior à do Benfica, mas o jogador não quer ir para a Grecia.


...e Pongolle não virá

Perdido parece estar Sinama Pongolle. O atleta, que já tinha dito querer vir para o Benfica, pois o projecto seduzia-o, ao que tudo indica, terá já chegado a acordo com o Atletico de Madrid, como adiantou alguma imprensa espanhola durante o dia de ontem. Oficialmente, anda nada está confirmado, mas a falta de informação por parte do atleta, que terá pedido ao Huelva para esperar até ontem por uma decisão, ajudam a confirmar este rumor. Com esta indefinição, fica também incerta a transferencia de Carlos Martins, pois como se sabe, o internacional português estava incluido no pacote de transferência.


Benfica quase perde 6 pontos

O Benfica esteve perto de também perder 6 pontos esta temporada. A decisão vinha da FIFA e sem ser passível de recurso, uma vez que a decisão prendia-se com a ausência de pagamento de uma verba ao clube de formação de Alcídes, no valor de 113 mil euros, ao América. No entanto, a decisão da FIFA perdeu o efeito, pois aquando do envio do fax a dar conta da respectiva decisão, já o Benfica tinha acertado o pagamento com o referido clube, como um fax enviado posteriormente confirma: "Informamos que o seu clube filiado pagou o débito junto do América, antes do Comité Disciplinar da FIFA requerer a última decisão. Infelizmente, não fomos informados deste pagamento, contudo, tendo em conta que vosso filiado cumpriu as obrigações antes da última notificação, nós declaramos que o nosso ofício datado de 20 de Junho fica nulo e sem qualquer efeito". Este fax foi confirmado, tanto pelo Benfica, como pela FPF. Se esta decisão se confirma-se, o Benfica ficaría com 46 pontos, os mesmos do Marítimo, embora com vantagem no confronto directo com o clube insular, logo mantendo a mesma posição, o quarto lugar.

terça-feira, junho 24, 2008

As Últimas Esperanças do Brasil

As ultimas apresentações da seleção revelam a falta de talentos no meio de campo como o de Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Tendo em vista a possibilidade da seleção brasileira não se classificar para a próxima copa, o que até então nunca ocorreu, o presidente da federação Ricardo Teixeira afirmou que vê no craque, como salvação da seleção.

Mas Ronaldinho, esta numa situação alarmante, sem jogar desde Março pelo Barcelona e desde o ano passado pela seleção, devido a um impasse entre o Barcelona e o craque.

Ricardo Teixeira já anunciou que Ronaldinho será um dos três jogadores acima de 23 anos que iram disputar as olimpíadas (han?? Não deveria ser DUNGA a informar isso pelo menos???), embora a falta de ritmo de jogo, Paulo Paixão, preparador físico da seleção brasileira, afirmou que precisaria apenas de um mês para deixar o craque em “ponto de bala”.

- Em 30 dias é possível recuperá-lo e deixá-lo em boas condições. Mas ainda não começamos o trabalho. É preciso primeiro tudo ser oficializado. (Paulo Paixão)

Com certeza, Ronaldinho é um diferencial em qualquer time do mundo, mas faz tempo que não vejo jogar bem e muito menos ser o “showman” que costumava ser. Mas tenho certeza que se houver motivação, ele irá ser referencia nos próximos jogos olímpicos e pode renovar as chances de uma medalha olímpica.

Kaká, questionado sobre a convocação de Ronaldinho, deu a seguinte declaração:

- Eu fico feliz com a convocação do Ronaldinho Gaúcho para disputar os Jogos Olímpicos. Mas não existe comparação entre nós. Ele está em um momento delicado da carreira, vem de lesão e não sabe se continuará no Barcelona. Eu pedi para estar em Pequim, mas o Milan disse que vai liberar só o Alex Pato, que tem idade olímpica, e entende que eu sou da seleção principal. É um direito do clube, e agora cabe a CBF tentar a minha liberação. (Kaká)

O setor com mais deficiência na seleção que decepcionou nos últimos jogos com certeza foi o meio de campo, sem criatividade, lento e com pouca mobilidade, acabou por travar o time e assim resultar no fiasco que foi. Uma medalha de ouro dos jogos olímpicos (o único titulo que o Brasil não conquistou no futebol) seria uma injeção de animo nesta equipe.

Crise na Nova Era Dunga?

A Seleção joga mal, a torcida vaia, e a imprensa já fala em demissão ... mais uma vez estamos diante de uma crise na seleção brasileira.

Sem vontade, apático, e com um futebol digno de segunda divisão, a seleção faz uma seqüência de fracassos. Depois de uma inédita derrota para a fraca seleção da Venezuela em jogo amistoso, perde para o Paraguai e empata com a Argentina (que não vive bons tempos) dentro da própria casa.

Uma seleção de muitos craques e pouco conjunto, onde o “eu” cada vez mais supera o “todo”. A seleção brasileira se vê hoje, com fortes deficiências em vários setores do campo. Temos grandes nomes consagrados mundo a fora, mas não vemos conjunto algum.

O que mais me preocupa é a apatia demonstrada pelos nossos canarinhos, já está mais do que na hora de por no campo jogadores quem vem se destacando e até agora tiveram pouco ou nenhuma chance de mostrar seu potencial, Lucas, Hernandes e Alexandre Pato (principalmente o Pato) já deveriam ser mais aproveitado pelo nosso técnico.

Eu falei técnico? Desculpa ... quis dizer “convocador de nomes”, pois é exatamente isto que me parece, onde fica o conjunto? A estratégia? A voz de comando? Isso faz lembrar a qualquer brasileiro do fiasco que foi a ultima copa, onde a seleção foi humilhada por um certo Zinedine.

O povo pede, a seleção necessita, precisamos de mudanças!

quinta-feira, junho 12, 2008

Scolari Blue


Já foi escolhido o novo treinador do Chelsea FC. O seu nome é Luiz Felipe Scolari, seleccionador português, e o anúncio foi feito ontem, tanto no site do clube, como no site da Federação Portuguesa de Futebol. Scolari ainda não se pronunciou sobre o assunto, assim como a FPF e o Chelsea também não teceram nenhum tipo de comentário, uma vez que a selecção portuguesa disputa o Euro 2008. A partir de 1 de Julho, Scolari rumará a Londres para auscultar o plantel blue e fazer as remodelações necessárias. Termina assim uma ligação do seleccionador brasileiro com a FPF, onde alcançou excelentes resultados e lançou vários atletas. Nem sempre bem visto por várias secções da sociedade portuguesa, Scolari demonstra enorme talento na hora de fazer a gestão humana do plantel e de o defender. Com Portugal já foi Vice-Camapeão europeu em 2004 e semifinalista em 2006. Com o Brasil já foi campeão do mundo em 2002. Scolari continuará assim a treinar Paulo Ferreira, Bosingwa, Hilário e talves Ricardo Carvalho, se este não sair.

domingo, junho 08, 2008

Estreia Prometedora


Finalmente aí está o Campeonato da Europa de Futebol. Para quem adora futebol, a altura destas grandes competições internacionais são, de facto, o auge dessa paixão. Portugal, à procura da glória que lhe tem escapado por muito pouco, teve uma estreia auspiciosa, derrotando a Turquia, em Genebra, por 2 - 0. E pode dizer-se que o resultado foi escasso para aquilo que os 'Viriatos' produziram nos noventa minutos.

Portugal fez uma óptima exibição, perante a selecção do grupo tida, à partida, como a mais difícil de bater. De facto, a exibição colectiva lusa foi até algo surpreendente, se tivermos em conta a fase de apuramento sofrível e as dúvidas que existiram nos últimos tempos em redor da equipa. Domínio absoluto do jogo, futebol bonito e envolvente, procura constante do golo, poucas ou nenhumas veleidades concedidas ao ataque turco, alguns magníficos desempenhos individuais. Tudo somado resultou numa vitória incontestável, que convenceu não só os portugueses, como a generalidade da imprensa europeia. Todos os jogadores estiveram em bom plano, com particular destaque para três homens: João Moutinho, Pepe e Deco. Os golos apenas surgiram no segundo tempo, embora pudessem ter acontecido mais cedo, caso a pontaria não estivesse particularmente direccionada para os postes.

Scolari apresentou o habitual sistema 4-3-3, sem qualquer surpresa no onze inicial. Acabou por acertar em todas essas opções, já que todos cumpriram o seu papel de forma adequada. Apenas um reparo: a substituição de Nuno Gomes por Nani e a passagem de Ronaldo para avançado-centro, após o tento inaugural, não me pareceu uma boa solução. A partir daí Portugal recuou em demasia sem necessidade e teve menos bola, expondo-se mais a um lance fortuito que pudesse resultar no empate, quando poderia ter perfeitamente mantido a mesma toada. Mesmo que optasse por um normal abrandamento, poderia tê-lo feito mais longe da nossa baliza, até porque os turcos nunca contituíram uma verdadeira ameaça para as redes de Ricardo. No entanto, a lei do mais forte imperou e Portugal deu uma demonstração de que é mesmo um dos principais favoritos a ser campeão da Europa. Em termos individuais somos fortíssimos. E a jogar assim, como um bloco homogéneo e entrosado, somos mesmo, na minha opinião, o candidato número 1.

Agora, um a um, a nota dos jogadores portugueses no jogo de ontem (0 a 10) e uma breve análise individual:
Ricardo (6): Jogo de pouco trabalho, que se resumiu a algumas saídas a cruzamentos fáceis e recolhas de alguns atrasos dos seus companheiros.
Bosingwa (6): Pleno de força e velocidade, foi intratável na defesa e apoiou o ataque de forma quase constante. Uma ou outra perda de bola, um ou outro passe falhado, não mancharam uma exibição de bom nível.
Pepe (8): Magnífica exibição do central 'merengue', coroada com um belo golo, surgido de uma das suas habituais subidas no terreno. Marcou ainda outro golo, anulado por fora-de-jogo e, na defesa, esteve sempre intransponível.
Ricardo Carvalho (7): A costumeira classe e serenidade, garantia de solidez e qualidade no centro da defesa. A experiência acumulada fazem dele um central calmo mas soberbo. Forma com Pepe a melhor dupla de centrais do torneio. Há dúvidas?
Paulo Ferreira (6): Muito bem a fechar o flanco esquerdo e a dobrar as subidas dos centrais, teve tempo para apoiar o ataque de forma pausada mas eficaz. Não é um jogador exuberante, mas sabe exactamente o que tem de fazer no relvado.
Petit (6): Bom jogo do trinco benfiquista. Funcionou bem à frente da defesa, quer a ocupar o espaço e a dificultar as trocas de bola turcas, quer a iniciar os ataques portugueses. Jogou simples mas sempre bem. Veloso está bem no banco e vai lá continuar.
João Moutinho (8): Enorme Moutinho. Do meu ponto de vista, foi o jogador mais valioso do encontro. Sempre em movimento, foi o jogador português que mais correu e isso reflectiu-se positivamente na sua actuação. Apareceu em todo o lado, recuperou bolas, participou com critério no jogo ofensivo, chegou a zonas de finalização e ainda teve tempo para assistir Meireles para o segundo golo. A defender e a atacar, é intenso, tecnicista, inteligente. É o verdadeiro médio do futebol moderno.
Deco (8): O verdadeiro Deco começa a ressurgir, depois de uma temporada desastrosa no Barcelona. Jogou e fez jogar, foi o cérebro da equipa, o toque de classe, além de ter estado permanentemente em acção. Por vezes, parece jogar de forma displicente e demasiado descontraída (errou 2/3 passes sem necessidade), mas o belo jogo de Portugal deveu-se muito à sua qualidade. Na retina, um fantástico passe de um flanco ao outro, executado de primeira.
Simão (7): Carrilou muitos lances ofensivos e foi sempre perigoso para o último reduto da Turquia. É um jogador rápido, de equipa, que solta a bola no momento certo e participa no processo ofensivo quase sempre correctamente.
Cristiano Ronaldo (7): Para um jogador do seu nível, fez um jogo mediano. Concentrou muitos adversários em seu redor e isso retirou-lhe espaço para ensaiar algumas das suas jogadas, mas em compensação libertou ou seus colegas e isso foi bem visível ao longo da partida. Ainda assim, enviou uma bola ao poste de livre directo, fez o passe para Moutinho na jogada do segundo golo e esteve sempre bastante interventivo.
Nuno Gomes (7): Uma bola no poste, outra na trave e uma assitência primorosa para Pepe inaugurar o marcador, foram os lances em que esteve mais em evidência. Belo jogo do capitão português, que foi substituído de forma prematura e incorrecta.
Nani (5): Entrou rápido e mexido, ensaiando algumas jogadas pelo lado direito. Numa fase de adiantamento turco, pôs sempre a defesa contrária em sentido. Sofreu uma entrada assustadora de Mehmet Aurélio, a pedir o vermelho, mas nem falta foi assinalada.
Raúl Meireles (6): Acabou com as ténues esperanças da Turquia, ao marcar o segundo golo mesmo ao cair do pano. O toque final foi o mais fácil, mas teve o mérito de ter acompanhado a jogada e dado a linha de passe a Mountinho. Uma opção credível sempre que fôr chamado.
Fernando Meira (-): Entrou apenas para fazer parte da ficha do jogo e somar mais uma internacionalização.