terça-feira, novembro 29, 2005

GOLEANDO: Lamentável...

Futebol como desporto de massas ou de “tribos”? Como marcha contra a diferença ou bandeira para a segregação? Será que as várias campanhas desenvolvidas – pelas mais diversas associações desportivas, pelos altos comissariados para a igualdade, pela entidade reguladora do desporto-rei, a U.E.F.A – com o propósito de erradicar este mal dos recintos desportivos, não conseguem surtir efeito?

Por toda a Europa (não excluindo o resto do Mundo), da mais desenvolvida á menos desenvolvida, da que vibra mais á que vibra menos o Racismo existe e a realidade é só uma: adeptos que se insurgem contra jogadores das formações adversárias e os condenam pela cor da pele. Sobretudo pelo factor cor de pele. Lamentável.
A U.E.F.A não mede esforços neste campo, apoiando campanhas anti-racismo, promovendo a igual escala de oportunidades para todos quanto vivem o futebol, independentemente da raça, credo, sexo. No entanto os casos sucedem-se.

Ainda este fim-de-semana em Itália, “no terreno do Messina, o jogo levava 66 minutos quando Zoro se aproximou do árbitro, sem conter as lágrimas, manifestando a sua intenção de abandonar o campo. Adriano e Martins acabaram por conseguir demover o jogador da Costa do Marfim e no final o presidente do Inter pediu desculpas em nome do clube.” (in Mais Futebol) – Em causa, atitudes menos dignas de adeptos do Inter que entoaram cânticos racistas contra o jogador.

Em Outubro passado a maior campanha anti-racismo promoveu durante 13 dias o movimento que tinha como slogan “Unidos contra o racismo e a Descriminação no Jogo!”. Esta campanha foi impulsionada pela rede Futebol Contra o Racismo naEuropa (FARE) – parceiro da UEFA no movimento anti-racismo e que conta actualmente com a adesão de mais de 30 países. Em Portugal, realizou-se em Braga uma conferência intitulada: "O desporto como meio de luta contra o racismo e a xenofobia", organizada pelo Comité das Regiões em Braga a 19 de Maio de 2004, em que, os intervenientes e participantes adoptaram uma declaração dirigida às autoridades regionais e locais com o exclusivo objectivo de "suprimir a discriminação racial no desporto e utilizar o desporto como meio para promover a tolerância e a compreensão e favorecer a coesão social”.
Estas iniciativas tendem no entanto a ser insuficientes para combater o flagelo, pois o respeito pela integridade física e moral de cada ser humano não pode ser imposto, mas deve partir da capacidade das pessoas de terem um espírito e uma mente aberta, porque a diferença existe e não pode ser ignorada. Porque apesar de sermos todos diferentes não deixamos em instância alguma de ser todos iguais!

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